Igreja, democracia e a invasão indesculpável da São José

miguel baldezEmbora a presença histórica deste muito bem-vindo Papa Francisco, a Igreja no Rio de Janeiro, desafiando a nova internacional de sua santidade, retoma os idos que, embora não cheguem a ser medievais como forma, de conteúdo e na ação e disposição chegam muito perto.
Uma Igreja que teve bispos democratas, como Dom Paulo Evaristo Arns, em São Paulo, e, no Rio, Dom Waldir Calheiros, em Volta Redonda, Dom Adriano Hipólito, em Nova Iguaçu, e Dom Mauro Morelli, em Caxias, sem esquecer Dom Eugênio Salles, nesta Cidade, a quem se deve a criação das pastorais, com destaque na luta pela terra e, principalmente, contra a especulação imobiliária, a pastoral de favelas.
Pois durante a ditadura empresarial-militar foi na Igreja, democrática e politicamente cristã, que os perseguidos políticos, vítimas da violência institucionalizada e sevícias, e variadas formas de tortura, encontravam abrigo e consolo físico e ético.
E agora? Está aí diante do povo um arcebispo que recebe em amistoso café da manhã o chefe dos invasores da tradicional Igreja de São José, admirada e respeitada por católicos e não católicos, para de suas janelas e sacadas alvejarem manifestantes em ordeiro protesto social.
A visita foi – dizem – para desculpar-se pelos malfeitos de seus soldados, mas dizem os que têm fé e mesmo aqueles que não tendo fé respeitam a Igreja: não se desculpa o indesculpável. Nas igrejas ou se entra para rezar ou conviver em paz ou não se entra.
Saudações em homenagem a Dom Mauro Morelli e à memória de Dom Waldir Calheiros, Dom Paulo Evaristo, Dom Adriano, Dom Eugênio, e que o Papa Francisco dê clareza cristã e inspiração democrática à atual Igreja do Brasil.
* Miguel Baldez é procurador aposentado do estado do Rio de Janeiro e assessor de movimentos populares

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