Historia

No ano 2000 eu morava em Fortaleza. Tive uma experiência que me fez tomar a decisão de voltar a ser quem eu era antes da ditadura de Videla.

Não podia continuar desse jeito. Cadáveres de desaparecidos caindo dentro de mim. Era a segunda vez que isto acontecia. Comecei a pintar e expor meus quadros.

Escrevia e publicava. Fui me trazendo de volta. Atuei na saúde mental comunitária em João Pessoa e Cabedelo e em 2004 entrei na Terapia Comunitária Integrativa.

Esta experiência está relatada em “Mosaico” e “Um Terapeuta Comunitário em busca de si mesmo” bem como também em “Libertatura.”

Já estou aqui de novo. Esencialmente já sou quase de novo aquele mesmo que nos anos 1970 amava os Beatles e sonhava com uma Argentina sem fome e sem violência.

O meu propósito é ser feliz. Ser eu mesmo. A minha permanência na TCI obedece à minha intenção de me recuperar totalmente. Essa é a minha vitória. O que me orienta.

Meu foco, meu centro e meu eixo. Atualizado. Eu tinha ficado preso ao medo de que acontecesse o que não aconteceu. Eu fui maior do que o medo mas tinha esquecido disto.

Agora lembro. Eu fui maior do que o medo. Enfrentei a ditadura. Tive medo mas fui em frente. Mesmo com medo fui em frente. Hoje lembro disto. Fui em frente.

Hoje ressignifico a minha vida. Dou mais valor a estar vivo. Cada segundo conta. Poesia e TCI.

Literatura e fé. Esporte e amor. Amizade e família. Arte. É meu foco e meu objetivo. Eu vou por aí. É o que faço para que o mundo seja melhor.

2 comentários sobre “Historia”

    1. Boa parte da minha saúde fui recuperando a medida que fui separando a minha história vivida durante a ditadura, da ditadura propriamente dita. O que é que eu fiz para sobreviver e enfrentar o regime de terror que imperou na Argentina a partir de 1976? A consciência destas estratégias de enfrentamento e superação me ajudou a recuperar a minha autoconfiança, bem como também me ajudou a saber que eu não tive culpa nenhuma no desencadeamento da violência atroz que assolou o meu país pela mão da delinquência militar e seus sócios. O contato com outras pessoas que sobreviveram à ditadura me fez ver que a recuperação leva tempo, a depender de cada pessoa, e que existe um componente coletivo importantíssimo, que foi o julgamento e condenação da delinquência que executou os crimes da ditadura. A partir do momento em que ficou comprovada a atrocidade perpetrada contra a população civil desarmada, pude ganhar ainda mais respiro. Havia quem negasse o ocorrido!!!!

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