Greve nas universidades públicas: a incoerência da esquerda no poder.

O modo como o atual governo do Brasil vem tratando a greve dos professores universitários, mais uma vez põe na ordem do dia, a incoerência da esquerda no poder. O governo se ocupa (e deve se ocupar, sem duvida), da inclusão social das pessoas marginalizadas, mas isto não pode servir de desculpa para que seja deixado no esquecimento o imprescindível investimento na educação superior.

Boa parte da equipe governante passou pelas universidades. Sabem por tanto, por experiência própria, o quanto faz a diferencia ter ou não ter um diploma profissional. Não são dos que pensam que a universidade pública cria cidadania apenas ao capacitar profissionalmente mão de obra.

Este é um dos aspectos, nada desprezível, da sua contribuição para que exista maior desenvolvimento humano, e mais justiça na sociedade, mais e melhores oportunidades para as pessoas. Mas a universidade abre caminhos, amplia a perspectiva de vida das pessoas que por ela transitam.

A universidade não se esgota nas salas de aula. Se estende pelas periferias urbanas, pelas empresas, pelas instituições religiosas e econômicas de todo tipo. O seu papel é multiplicador de cidadania em diversas áreas e modalidades. Quando um governo que se apresenta como de esquerda, dos trabalhadores ou do povo, destrata os educadores como este governo vem fazendo, está criando uma distorção profunda nestes conceitos, que é necessário denunciar.

Um governo de esquerda não pode penalizar os docentes universitários com arrocho salarial e indignas condições de trabalho, nem os destratar, como está fazendo o atual governo federal, que sequer abre negociações com os docentes.

Este governo é tão autoritário para com os trabalhadores na educação, quanto o foi o do famigerado FHC, o professor que odiava os professores. Quando se é governo, quando se diz ser de esquerda, há um compromisso. Um compromisso moral.

Este governo está insultando milhares de pessoas que tem lutado e continuam lutando por uma humanidade mais justa e mais digna, mais solidária e amorosa.

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