Identidade em movimento

Há alguns momentos em que sentimos uma necessidade de partilhar algo bom descoberto. No caso, a percepção de que algumas situações atuais, de fragilidade dos vínculos sociais, podem ser uma circunstância favorável ao desenvolvimento integral do ser humano.

Zygmunt Bauman, um sociólogo polonês, veio me trazer algumas confirmações e compreensões, que desejo partilhar. No seu livro Identidade, analisa algumas questões acerca deste item que tem me despertado uma profunda atenção e interesse.

Diz o autor que nos dias de hoje, identidades fixas, como no passado, não são mais possíveis. Tudo tornou-se líquido, e as ideias de permanência e fixação, nas quais muitos de nós fomos educados, não tem mais vigência.

Mas o interessante, é que o autor vê nesta impermanência e fluidez, algo de muito positivo. Se a identidade fixa não é mais possível nas circunstâncias atuais, o que nos obriga a uma reacomodação constante e a uma redefinição também contínua, em cenários cambiantes, toda esta insegurança e mutabilidade, acabam se tornando favoráveis à plena realização do ser humano na sua essência, em algum sentido.

Em outro sentido, permanece a negatividade, no que diz respeito a nossa dificuldade em reconhecer a humanidade dos estranhos, do estrangeiro, de que é diferente. Mas esse mesmo estranhamento e mutação constantes, são o que vai nos tornando mais e mais conscientes de que toda esta instabilidade, afinal de contas, colabora para que nos fixemos naquilo que não muda.

A nossa identidade, que outrora estava referenciada à permanência em lugares e papéis definidos, vai se projetado para um infinito inatingível. Ou, para dizê-lo de outro modo, no cenário apontado pela visão espiritualista e transcendental.

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