Por Hélcio Duarte Filho
A mobilização de lideranças indígenas, dos movimentos sociais e de artistas obteve, nesta segunda-feira (28), talvez a mais expressiva vitória das campanhas contra as remoções e demolições decorrentes das obras para Copa do Mundo de futebol de 2014. Em nota, o governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), anunciou que desistiu de demolir o antigo Museu do Índio, hoje conhecido como Aldeia Maracanã, prédio histórico ao lado do estádio onde haverá a partida de encerramento da Copa, na Zona Norte carioca.
A decisão ocorre menos de 48 horas após o juiz André Felipe Alves da Costa Prednnick, da Vara do Plantão Judicial, conceder liminar que impede a demolição do prédio. O recuo de Cabral foi noticiado pelo portal oficial do Palácio Guanabara: “O Governo do Rio de Janeiro decidiu preservar o prédio do antigo Museu do Índio, no Maracanã. O Estado ouviu as considerações da sociedade a respeito do prédio histórico, datado de 1862, analisou estudos de dispersão do estádio e concluiu que é possível manter o prédio no local”.
O governador pretendia demolir o imóvel para construir no local um estacionamento, que seria explorado pelo grupo privado que venha a ganhar o controle do estádio.
Privatização
A mesma nota, no entanto, informa que o governo pretende expulsar os índios do local, chamados de “invasores”. Indica, ainda, que o governo fluminense pretende privatizar o museu, entregando-o ao consórcio particular que venha a ficar com o controle do Complexo do Maracanã – algo que tem o empresário Eike Batista como principal candidato.
Diz o texto divulgado pelo portal oficial: “O restauro do prédio do antigo Museu do Índio ficará a cargo do concessionário vencedor da licitação do Complexo do Maracanã, cujo edital sairá em fevereiro. O destino do prédio, após o tombamento, será discutido conjuntamente entre o Governo do Estado e a Prefeitura do Rio de Janeiro. (…) O governo está tomando as devidas providências para que o local seja desocupado dos seus invasores”.
Artistas declararam apoio
O movimento contra a demolição do prédio – que já foi sede da Funai, museu indígena e estava abandonado quando foi ocupado por um grupo de índios de várias etnias em 2004 – ganhou apoio na sociedade nas últimas semanas. Intelectuais, acadêmicos e artistas fizeram declarações favoráveis aos índios e contrárias ao governador, que é aliado da presidenta Dilma Rousseff (PT).
Os músicos e compositores Chico Buarque, Caetano Veloso e Milton Nascimento declararam apoio aos grupos indígenas, assim como a atriz Letícia Sabatella. Por último, a ministra Marta Suplicy disse que o Ministério da Cultura (MinC) é a favor da preservação e do tombamento da Aldeia Maracanã.
Fonte: CSP-Conlutas
