Esperança de "cambio" na Colômbia

Depois da vitória eleitoral da direita no Chile e Panamá, da consolidação do golpe em Honduras e da derrota dos Kirchner na última eleição legislativa na Argentina, as forças progressistas e de esquerda da América Latina respiram esperançosas com a perspectiva de mudança na Colômbia, que elege no próximo dia 30 de maio seu novo presidente.
O atual, Álvaro Uribe, que foi derrotado na pretensão de disputar a segunda reeleição, transformou o país no posto avançado do ainda poderoso império estadunidense na região (uma espécie de Israel no Oriente Médio), colocando a Colômbia na contramão da política de integração soberana predominante na América do Sul. Seu governo se manteve ostentando muita força, graças ao apoio financeiro, militar e midiático dos Estados Unidos, apesar do bombardeio sofrido com as constantes denúncias sobre o envolvimento com grupos de traficantes e paramilitares, bem como com a ação de espionagem contra os opositores.
Seu caráter “guerrerista” e terrorista tem sido fundamental para a sua manutenção, daí o boicote às iniciativas que poderiam conduzir a uma política de diálogo e paz com os grupos armados insurgentes, como é o caso das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Tal caráter é, no entanto, escondido pela mídia internacional, incluindo, claro, a brasileira, sempre subserviente às bulas imperiais.
Pesquisa prevê derrota de Uribe
Há uns seis meses atrás seria temeridade se prever a não reeleição de Uribe ou o insucesso de um candidato do seu Partido Social de Unidade Nacional (“Partido de la U”, a sua sigla oficial, o que leva os colombianos a conhecê-lo como “partido de Uribe”). Pois é o que parece estar pintando. Primeiro, a segunda reeleição foi derrubada na Justiça. Agora, a um mês do pleito, o seu candidato, Juan Manuel Santos (seu ex-ministro da Defesa e cuja família é dona de um poderoso monopólio de comunicação), aparece em segundo lugar em recente pesquisa da empresa Datexco, com 26,7% das intenções de voto, segundo matéria do sítio da TV Telesur.
Quem surge em primeiro lugar, com 38,7%, é Antanas Mockus (Partido Verde), filósofo e matemático, ex-prefeito da capital do país Bogotá por duas vezes. No caso do provável segundo turno (eles chamam “segunda vuelta”), Mockus teria 41,5% e Santos 29%, de acordo com a mesma pesquisa.
Quase 10% dos pesquisados preferiram Noemín Sanín, do Partido Conservador. Aparecem mais três candidatos na faixa dos 2% e 3%, entre eles Gustavo Petro, do Polo Democrático, e Rafael Pardo, do Partido Liberal, partido que na pesquisa é apontado como o preferido dos eleitores (neste aspecto, o “Partido de la U” fica também em segundo lugar, enquanto o Partido Verde é o terceiro). Ao todo são nove candidatos, os outros três ficam no 0%.
A Datexco aponta ainda que 3,3% dos quase 30 milhões de eleitores votariam em branco, enquanto 10,6% não sabem ainda em quem votar. A consulta foi aplicada em 37 cidades entre os dias 27 e 29 de abril e foram consultadas 2.225 pessoas. A margem de erro é 2,12%.
Colômbia tem 44 milhões de habitantes. Depois do Brasil, é o país mais populoso da América do Sul. Recentes estudos da sua realidade social indicam a existência de cerca de 19 milhões de miseráveis, dos quais 7 milhões afundados na chamada miséria absoluta. Conselho de Maquiavel em O Príncipe: é conveniente manter o povo pobre e dependente, pois assim é mais difícil ele se encorajar e desafiar o “príncipe”.
(*) Jadson Oliveira é jornalista baiano e vive viajando pela América Latina e Caribe. Atualmente está em Trinidad e Tobago. Mantém o blog Evidentemente –http://www.blogdejadson.blogspot.com/).

2 comentários sobre “Esperança de "cambio" na Colômbia”

  1. A ave de rapina do império capitalista dos EUA terá que sair da Colombia, pela força da esquerda socialista revolucionária da AL! Venceremos!

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