Eleições no Irã e o imperialismo persa

Carta de Ramez Philippe Maalouf sobre as eleições no Irã e a relação deste país com o mundo e os países do Oriente Médio, em resposta a carta de Mahmud Hassam (mais abaixo).

Prezado Mahmud Hassam,

Me desculpe, mas eu discordo. O que a imprensa (à “esquerda” e à “direita”) não fala é o apoio que o Irã (Estado imperialista desde a Antigüidade) deu às invasões americanas ao Iraque e ao Afeganistão. O Irã apóia esquadrões da morte no Iraque que se dedicam ao assassinato (e por que não dizer, extermínio) de palestinos (cristãos e sunitas), árabes sunitas e árabes xiitas nacionalistas. O Irã cooperou ativamente (com os EUA) no apoio a estes terroristas, produzindo limpeza étnica em Bagdá e no resto do Iraque.

Ahmedinejaddi é liberal e anti-semita (anti-judeu e anti-árabe). O atual presidente iraniano está promovendo desde 2007 um programa de privatizações que beneficia meia dúzia de interesses. A irritação dos EUA (de Israel e da Inglaterra) se refere ao fato do atual presidente persa-iraniano não privilegiar os interesses americanos nas privatizações.

Não esqueceremos jamais que Khomeini comprava armas dos EUA e de Israel na guerra contra o Iraque. Khomeini atiçou os curdos na fronteira com o Iraque, provocando, com isto, a invasão do Iraque liderada por Saddam Hussein, em 1980.

Irã, com ou sem Ahmedinajaddi, continua oprimindo os árabes do Kuzestão.

Irã, Turquia e Israel continuam sendo grandes ameaças à existência do mundo árabe.

Irã, Turquia e Israel continuam sendo grandes aliados.

Irã, Turquia e Israel continuam sendo grandes aliados do poder americano.

Irã, Turquia e Israel continuam sendo grandes aliados na destruição do Iraque.

Irã, Turquia e Israel continuam patrocinando o terrorismo no mundo árabe.

Irã nada fez para impedir a destruição do Líbano e da Palestina, em 2006, 2007, 2008 e 2009.

A Síria, suposta aliada do Irã, já entrou em guerra contra o Irã na fase final da Guerra Civil Libanesa. Os militares sírios sabem que Irã é uma aliado tático apenas.

Sem dúvida alguma que os EUA querem balcanizar seus inimigos e aliados não confiáveis, um arco que compreende desde a Colômbia, passando pela Bolívia e Brasil, África, Oriente Médio, Índia até a China.

O objetivo do Irã, desde a Antigüidade, é dominar o Iraque. É na repartição do Iraque é que surgem as diferenças entre EUA e Irã. É preciso e necessário que a resistência iraquiana expulse os terroristas invasores (EUA, Turquia e Irã) para, aí sim, os iraquianos passarem a reconstrução do país, o mais rápido possível.

Sds.,

Ramez

Em 13/06/2009, Mahmud Hassam escreveu:

Queridos irmãos, Assalamu Aleikum!

A despeito do que temos recebido de notícias das fontes ocidentais interessadas no enfraquecimento da posição iraniana, frente a “guerra fria” que está em pleno curso, precisamos ter cuidado com o “bombardeio” de informações que interessa à frente judeu-sionista formada por Israel, EUA e UE sobre supostas “fraudes” na reeleição de Mahmud Ahmadnejad.

Esse resultado que legitima o endurecimento da posição estratégia do Irã em relação ao interesse do neo-imperialismo em colonizar os 65% de fontes energéticas, localizadas no Oriente Médio. Todos sabem que o Irã é o “cavalo” estratégico no tabuleiro de xadrez para impedir ações que possam levar essas reservas ao xeque-mate. O candidato de oposição Mehdi Karubi, é um liberal decidido a negociar com lobos famintos, parte de sua matilha. Portanto, busquem outras fontes.

Nossa mídia está comprometida com os planos sionistas, uma vez que obtêm como fonte internacional, através de contratos, a BBC, EFE, Reuters, UPI, France Express e GLOBO International. As informações são distorcidas, os protestos contra o resultado são inexpressivos e mercenários.

A saída de Ahmadnejad hoje do poder representaria a abertura de portas para que tropas americanas, israelenses, inglesas e francesas dominassem o eixo geopolítico estratégico para recursos energéticos, que vai do Afeganistão à Palestina (o Afeganistão é a principal região por onde passam os gasodutos que da Rússia abastecem a Europa). Não sem intenção, que hoje uma guerra se estabelece no Paquistão, provocada por richas étnicas incitadas pelos americanos, usando a mesma tática que os imperialistas europeus usaram na África no século XIX, para que os nativos se matem, entre si, sem que esses saqueadores dêem um só tiro.

A presença de Ahmadnejad é importante e frustra os interesses neoliberais do ocidente aliados a Israel de continuarem com o processo histórico de enriquecimento pilhando outros continentes.

Aleukum Salam!
Mahmud Hassam

2 comentários sobre “Eleições no Irã e o imperialismo persa”

  1. Mahmud Hassam,

    Lendo o que você escreveu sobre a carta do professor Ramez, meu conhecido, não pude deixar de dar a minha opinião, que é muito parecida com a sua.

    Ele diz nessa carta que “o Irã, com ou sem Ahmedinajaddi, continua oprimindo os árabes do Kuzestão”. Mas não diz que o Iraque queria tomar o Kuzestão, província iraniana mais rica em petróleo. E que foi isso que fez o Iraque invadir o Irã – a posse do Kuzestão – justamente a província iraniana onde, em 1999, foi encontrado um megapoço com potencial para extração de 26 bilhões de barris de petróleo!

    Saddam naquela época era apoiado financeira e militarmente pelos EUA, pois Reagan não só estava interessado no petróleo como e principalmente em desestabilizar o Irã.

    O Iraque/Saddam nesse época era apoiado pelos Estados Unidos, pela Arábia Saudita e pela União Soviética, enquanto o Irã contava com a ajuda da Síria e da Líbia. Mas depois de alguns anos de luta a reputação internacional do Iraque ficou abalada quando foi acusado de ter utilizado armas químicas contra as tropas iranianas.

    Em 1987, os iranianos aumentaram as hostilidades contra a navegação comercial dentro e nas proximidades do Golfo Pérsico, o que resultou no envio para a região de navios norte-americanos e de outras nações. Oficiais graduados do exército iraniano começaram a perder credibilidade à medida que suas tropas sofriam perdas de armas e equipamentos, enquanto o Iraque continuava a ser abastecido pelo Ocidente… Não podemos esquecer que o Iraque ainda invadiu o Kwait logo depois.

    Ele continua afirmando que “Irã, Turquia e Israel continuam sendo grandes aliados”. Meu Deus, que bobagem! Isso aí até uma criança sabe que é mentira! E continua: “Irã, Turquia e Israel continuam sendo grandes aliados do poder americano.” Ora, se todos sabemos que os EUA e Israel estão doidos para invadir o Irã, e ainda não o fizeram porque a Russia e a China se meteram.

    E continua o discurso: “Irã, Turquia e Israel continuam sendo grandes aliados na destruição do Iraque, patrocinando o terrorismo no mundo árabe, são grandes ameaças à existência do mundo árabe, grandes aliados na destruição do Iraque, patrocinando o terrorismo no mundo árabe”…

    “Irã nada fez para impedir a destruição do Líbano e da Palestina, em 2006, 2007, 2008 e 2009.” E eu pergunto: o que a Arábia Saudita e o Egito fizeram contra Israel? Muito pelo contrário, desde 1979, o Egito recebe em média US$ 2,2 bilhões em ajuda dos Estados Unidos pra não se opor a Israel! Além disso, o Egito se negou a receber os palestinos fugitivos dos ataques. Se o Egito fosse para o outro eixo, os EUA sofreriam uma terrível perda. Por que não fazem isso? Por causa da grana!

    Há poucos dias eu e Ramez trocamos uns e-mails e percebi claramente que ele, ao mesmo tempo que “luta” pela causa árabe/palestina, faz uma propaganda anti-Irã e anti-Chávez que não condiz!

    Pra mim, há dois grupos que lutam pelo controle no Oriente Médio. Um eixo é liderado por Irã e Síria. Embora os dois tenham divergências religiosas, compartilham da mesma visão política – o ideal de que a região não seja uma colônia dos Estados Unidos. Eles têm dado apoio financeiro e treinamento militar ao Hezbollah, ao Hamas e à Fraternidade Islâmica. O outro eixo, composto sobretudo por Egito e Arábia Saudita, é alinhado com os Estados Unidos. E, além disso, há uma competição entre os dois países, porque a Arábia quer ocupar o lugar do Egito.

    Eu estou do lado de quem é contra o maior terrorista da nossa era: EUA/Israel!

    Um abraço!

Deixe uma resposta