
Nossa história é de lutas e nossos passos vêm de longe!
André Pares, Christian Lindberg, Inara Zanuzzi, Magali Menezes, Marco Mello e Priscilla Spinelli / Brasil de Fato – Porto Alegre (RS), 23.out.2025 às 11h32
Não voltaremos para o fundo de cavernas, armários, senzalas,
porões ou prisões, como querem os senhores da casa-grande!
Este é texto de encerramento de uma série de três artigos de opinião que veiculamos aqui, com a acolhida sempre combativa e generosa do Brasil de Fato RS. Leia a parte 1 e a parte 2.
Em um país de triste tradição autoritária, o ensino de humanidades, e particularmente o ensino de Filosofia, precisa constantemente lutar para existir, sob uma sucessão ou alternância de governantes despóticos em uma democracia de baixa intensidade. Mais vez somos convocadas/os a nos engajar e solidarizar com a luta das e dos colegas docentes da Filosofia na Rede Municipal de Ensino de Porto Alegre, que foi pioneira na oferta do componente curricular e referência para tantos outros municípios brasileiros.
Somos ainda impelidos, ainda sob om espírito das celebrações do dia da Professora e do professor, 15 de outubro, a reverenciarmos Antonieta de Barros (1901-1952) e seu pioneirismo como educadora, jornalista e primeira parlamentar negra em Santa Catarina, a levantar bem alto a bandeira do acesso ao ensino público como direito universal. Foi ela uma professora que além de combater firmemente o analfabetismo dos adultos, militou incansavelmente pela causa da educação e da valorização profissional. Foi cofundadora da Liga de Magistério em seu estado e propõe, como Deputada Estadual, a Lei que instituiu um dia de homenagem à profissão docente.
Não voltaremos para as cavernas!
Mais do que nunca, é preciso fomentar e se aliançar às mobilizações e lutas de base, nas comunidades escolares, junto a moradoras e moradores locais, lideranças comunitárias, conselhos de direitos, associações e sindicatos de trabalhadores, intelectuais na academia e na imprensa, para que não se cale diante do arbítrio e se assegure o direito à educação pública de qualidade, laica, democrática e inclusiva. Atributos esses que prescindem da Filosofia, em uma ambiência favorável e com condições de trabalho dignas para que viabilize a prática do aprendizado libertador do ato de filosofar.
Não voltaremos para o fundo de cavernas, armários, senzalas, porões ou prisões, como querem os senhores da casa-grande! Nossos passos vêm de longe e a Filosofia, junto com a Educação Pública, resiste!
*André Pares é professor da Rede Municipal de Ensino de Porto Alegre (RME/POA) e diretor de comunicação da ABEFil, A.L.F..
**Marco Mello é professor da Rede Municipal de Ensino de Porto Alegre (RME/POA).
***Inara Zanuzzi é do Departamento de Filosofia, PROF-FILO/Ufrgs).
****Priscilla Spinelli é do Departamento. de Filosofia, PROF-FILO/Ufrgs.
*****Magali Menezes é professora da Faced/Ufrgs.
******Patrícia Velasco é presidente da Associação Brasileira de Ensino de Filosofia (ABEFil) e da UFABC.
********Christian Lindberg é diretor de Políticas Educacionais-ABEFil, OBSEFIS, UFS.
********Este é um artigo de opinião e não necessariamente expressa a linha do editorial do jornal Brasil de Fato.
Referências:
ABEFil – Associação Brasileira de Ensino de Filosofia. Instagram: @abefilosofia. 9 ago. 2024.
CAMPANHA FICA FILOSOFIA! Instagram: @ficafilosofia. Porto Alegre (RS), set. 2021.
MELLO, Marco; PARES, André (Orgs.) Fica Filosofia! Pela permanência da disciplina nas escolas públicas de Porto Alegre. Porto Alegre: ATEMPA, Coletivo de professoras e professores da RME de Porto Alegre, Seção Sindical do ANDES/UFRGS, 2021. Disponível em: https://drive.google.com/file/d/1Iz4XuPFAhR9yWZLXVJApFCMjCkQsw5jL/view
