Cultura avança nos espaços públicos

Por Douglas Heliodoro e Eduardo Araújo

A geógrafa Larissa Lima, formada pela UFF, apresentou ao Vozes das Comunidades sua pesquisa sobre grupos de rap que se organizam pelo Rio. Ela destacou a “Batalha do Real”, que há 10 anos ocorre na Lapa.

JVC: As cidades atualmente viraram mercadoria?

Larissa Lima: As cidades funcionam hoje como empresas, utilizando a cultura e o turismo cada vez mais para atrair investimentos externos. Dá para perceber no caso da Lapa pela mudança no perfil do público causada pelo aumento dos preços. Isso ocasiona uma transformação profunda, se reapropriando dos símbolos históricos da região. 

JVC: Fale um pouco sobre a “Batalha do Real”, que acontece há 10 anos na Lapa. Como se organizam?

Larissa Lima: O pessoal do rap tem se mostrado bem organizado em coletivos, conhecidos como “crews”. Em geral os artistas de rua sofrem muito preconceito e repressão, principalmente dos órgãos do governo, e por isso é necessária uma organização mínima. Aqui no Rio tem o pessoal da Lapa, de Vila Isabel, da Ilha e de Jacarepaguá. Eles promovem performances de rappers e MC’s que disputam no palco rimas que mais empolgam o público. Costumo dizer que são espaços de celebração e resistência.

A “Batalha do Real” conta com músicos, produtores, MC´s e Dj´s envolvidos em atividades artísticas em várias cidades do Estado. O nome vem de uma ideia de que no início os Rapper´s tinham que pagar R$ 1. Hoje eles não precisam mais desse mecanismo, pois as batalhas já possuem apoiadores.

Deixe uma resposta