Comunidade em ação deve nos tirar do poço!

Noites sem dormir. De repente a escuridão e o silêncio trazem alguma luz. A visão torna-se clara. Creio que desta vez vamos ter que ser capazes de encarar a política com a seriedade que merece.

Botar uma pessoa sem personalidade, arrogante, insensível, na presidência da República, paga-se muito caro. Certamente que esta operação não aconteceu apenas pela ação das elites do poder político, econômico, religioso e midiático.

Houve também uma vasta gama de pessoas sem qualquer qualidade humana, que entraram nessa onda. É isto que vamos ter que ser capazes de olhar de frente. Há toda uma quantidade de pessoas que não estuda, não trabalha, não pesquisa, não reflete, não pensa, não age por vontade própria. Sub-humanidade.

Isto é o que foi mobilizado a partir de 2013 (Aécio Neves, do PSDB, declarando em rede nacional de TC: “Vamos tirar o PT do governo”), consagrado no golpe de estado de 2016, estabelecido a partir da eleição viciada de 2018, e agora com ares de “não fui eu.” “Eu apenas votei nele”. A dissociação é o que mais devemos evitar.

Uma ação têm consequências. Todas as ações têm consequências. Quando eu ajo ignorando isto, está feita a perdição. Não sou eu quem age, a rigor. Daí a importância da educação libertadora, a que abre os olhos das pessoas, a que nos mostra que o mundo é como é, não por alguma fatalidade nem porque Deus quer.

Não basta nos revoltarmos, nos indignarmos, diante desta sub-humanidade que se expressa nas redes sociais, nos programas de TV, com tanta naturalidade que assusta. Gente que ignora as consequências dos seus atos. Como reverter este processo? Agindo de maneira integrada, unificada, costurada.

Com consciência de quem somos, o que queremos, por que queremos isto e não aquilo. Não é tão complicado. Apenas requer atenção, observação, decisão, coordenação e co-laboração. Agir com, em comunidade, desfazer a falácia de que eu sozinho sei mais do que você, do que um país inteiro, do que o mundo inteiro.

Escutar, nos permitirmos acolher as outras pessoas, descobrir que há um mundo, e que nele há tanta diversidade como dentro de nós mesmos/as. Sair do automatismo, da mera repetição de atos inconscientes. Nos tornarmos presentes, cada vez mais presentes. Então a vida recomeça. Pode ser um dia novo outra vez, sempre.

A vida não é dada, é feita. Se faz com ações, com decisões. Lembro de umas palavras que dizem assim: “Pisa ligeiro, pisa ligeiro, quem não gosta de formiga não assanha o formigueiro.”

Em todos estes anos de retirada de conquistas trabalhistas, retrocesso nos direitos sociais e humanos, ataque à própria existência das pessoas, quem mais sofreu foi a classe trabalhadora, bem como as pessoas mais sensíveis.

Os que temos o poder e a capacidade de criar, construir, gerar riqueza, dar sentido à vida, temos que nos unir para que a justiça volte a imperar. Não se esconda, não tenha medo de ser quem é. Se há uma força no universo capaz de pôr as coisas no seu devido lugar, é uma pessoa consciente de quem ela é.

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