CNBB pede a Lula mais discussão sobre a transposição do rio São Francisco

Dom Geraldo fez questão de ressaltar que o jejum e as orações de Dom Cappio não podem ser comparados a um suicídio.

O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Geraldo Lyrio Rocha, e o Secretário Geral da entidade, Dom Dimas Barbosa, pediram ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva mais discussão sobre o projeto da transposição das águas do rio São Francisco.

Na manhã de hoje (12/12), os bispos tiveram um reunião com o presidente, onde discutiram as polêmicas em torno das obras da transposição e o jejum do Bispo de Barra (na Bahia), Dom Luiz Cappio, que está há 16 dias sem se alimentar, em protesto contra o projeto.

“Até mesmo pessoas que vivem nas regiões afetadas não têm informações claras sobre o projeto”, disse Dom Dimas, em entrevista coletiva após a reunião. Em documento entregue ao presidente (ver abaixo), a CNBB se dispôs a intermediar o diálogo com Dom Cappio para tentar resolver a questão. “Dom Cappio sempre contou com o apoio da CNBB, porque o queremos vivo”, reforçou Dom Geraldo.

A CNBB sugeriu a Lula a criação de uma “comissão para estudar melhor o atual projeto e analisar também as propostas que têm sido elaboradas por entidades governamentais, especialistas e movimentos sociais que consideram, também, a revitalização e a despoluição do rio São Francisco”. Eles lembraram que a Agência Nacional de Águas (ANA) e as entidades que compõem a Articulação do Semi-Árido (ASA) têm propostas alternativas para a região.

Na reunião, Dom Geraldo fez questão de ressaltar que o jejum e as orações de Dom Cappio não podem ser comparados a um suicídio, pois ele não está fazendo este ato com intenção de morrer.

A audiência foi o início de um diálogo, na avaliação dos bispos. O Governo não descartou a possibilidade de enviar alguém para dialogar com Dom Cappio, mas não agendou nenhuma ação. Leia a carta da CNBB a Lula:

Pró-memória: Encontro da Presidência da CNBB com o Excelentíssimo Senhor Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva

Senhor Presidente,

Dirigimo-nos a Vossa Excelência, com respeito e consideração, para demonstrar a preocupação da CNBB com relação à pessoa e à vida de nosso irmão Dom Frei Luiz Flávio Cappio, OFM, Bispo Diocesano da Barra-BA que, desde o dia 27 de novembro p. passado, se encontra em jejum e oração, em Sobradinho – BA, motivado por suas preocupações diante da implementação do Projeto de Transposição do Rio São Francisco, com todas as suas conseqüências e implicações.

No ano de 2005, Dom Frei Luiz Flávio Cappio realizou, durante onze dias, igual iniciativa em Cabrobó – PE. O encerramento do jejum ocorreu, aos 06 de outubro de 2005, após a ida do então Ministro das Relações Institucionais, Senhor Jaques Wagner, representando Vossa Excelência.

No dia 15 de dezembro de 2005, Vossa Excelência recebeu em audiência Dom Luiz Flávio Cappio e representantes de movimentos sociais, quando foi confirmado o compromisso da realização de um processo de diálogo, sendo criada uma Comissão mista com representantes do Governo e da Sociedade, intermediada pela Casa Civil e Secretaria Geral.

Não obstante os esforços feitos, a Comissão não atendeu plenamente os objetivos propostos porque não conseguiu obter consensos mais amplos.

A CNBB tem reafirmado a necessidade de ser resolvido o grave problema da água para as populações do semi-árido brasileiro.

Entretanto, por causa da complexidade do Projeto de Transposição do Rio São Francisco, – com suas implicações sociais, econômicas, culturais e ambientais -, julgamos que ainda seria necessário maior discussão, envolvendo as populações ribeirinhas, pescadores, indígenas, quilombolas, cientistas, especialistas e outros setores interessados. O atual Projeto deveria ser mais analisado, considerando inclusive outras alternativas que garantam água de qualidade para o povo Nordestino, entre elas o Projeto 1 milhão de cisternas.

Colocamo-nos à disposição para colaborar na retomada do diálogo entre o Governo e Dom Luiz Flávio Cappio. Sugerimos a criação de uma Comissão para estudar melhor o atual Projeto e analisar também as propostas que têm sido elaboradas por entidades governamentais, especialistas e movimentos sociais que consideram, também, a revitalização e a despoluição do Rio São Francisco.

Com estas propostas, a CNBB quer contribuir para a superação do impasse do momento atual e, ao mesmo tempo, reafirmar seu propósito de continuar participando das iniciativas que buscam garantir água para o semi-árido brasileiro, a fim de que “todos tenham vida” (cf. Jo 10,10).

Brasília, 12 de dezembro de 2007

DOM GERALDO LYRIO ROCHA
Arcebispo de Mariana
Presidente da CNBB

DOM DIMAS LARA BARBOSA
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro
Secretário Geral da CNBB

* CPT com informações da CNBB.

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