Cesar Maia gastou só metade do prometido contra dengue

JB Online – O surto da dengue em diversos bairros do Rio – que deve fazer a doença chegar hoje a 9 mil casos registrados este ano – tem origem nas planilhas orçamentárias da prefeitura. Um levantamento da Controladoria-Geral do Município mostra que há tempos o combate ao Aedes aegypti deixou de ser prioridade da Secretaria de Saúde. No ano passado, a pasta pretendia investir R$ 13,7 milhões em programas de vigilância epidemiológica. Gastou apenas R$ 6,7 milhões – 49,3% do que havia planejado.

A negligência apontada nas cifras faz a capital liderar o ranking estadual de óbitos por dengue. Das 16 mortes confirmadas até ontem, 12 foram no Rio. A prefeitura confirma surto da doença em 15 bairros, divididos nas zonas Central e Portuária (Catumbi, Cidade Nova, Santo Cristo e Saúde), Norte (Benfica, Bonsucesso, Jacaré, Jardim América, Vista Alegre e Ramos) e Oeste (Anil, Camorim, Cidade de Deus, Curicica e Gardênia Azul). A relação de outras 26 mortes com a doença ainda está sendo investigada pelo Estado.

(…) o entomologista Anthony Érico, da Fiocruz, alerta que o cenário atual de contágio pode desencadear uma epidemia a médio prazo.

– Desde o fim do ano passado, o vírus do tipo 2, que provocou uma epidemia nos anos 90, está sendo reintroduzido no Rio – ressalta. – Os cariocas que, em 2002, enfrentaram o tipo 3 não estão imunes a esta nova forma de contágio.

Érico considera que os investimentos ínfimos da prefeitura no ano passado deixaram muitos planos pela metade. A princípio, o poder público parece querer se redimir. A previsão orçamentária para gastos com vigilância epidemiológica este ano é de R$ 15,1 milhões – 20% em gastos com pessoal.

O presidente do Sindicato dos Médicos, Jorge Darze, também critica a falta de recursos destinados pela prefeitura a epidemias.

– A disponibilidade orçamentária para programas de saúde tem sido muito tímida – denuncia. – Gastar apenas metade de uma quantia já pequena provoca uma repercussão social gravíssima, como é o caso do quadro atual da dengue.

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