Botafoguenses chorões sofrem de memória fraca

Observando com a serenidade de um torcedor distante da final – e bem distante, pois meu América passa por uma importante crise e está em último no campeonato -, fico extremamente solidário aos torcedores do Botafogo. Não porque sejam chorões, mas porque sofrem de memória fraca. Deve ser horrível um quadro clínico desses.

A memória é a capacidade de reter, recuperar, armazenar e evocar informações disponíveis no cérebro (memória humana) ou em dispositivos artificiais (memória artificial).

O time do Botafogo chora, em 2008, a derrota contra o Flamengo na Taça Guanabara. Eles alegam que o zagueiro Fabio Luciano foi, sim, agarrado por um jogador do Botafogo dentro da área. E, sim, a bola estava indo na direção de Fabio Luciano – que, aliás, havia feito um gol de cabeça no jogo anterior, contra o Vasco. No entanto, argumentam corretamente que esta é uma prática comum entre todos os jogadores e, por infelicidade dos botafoguenses ou fraqueza de espírito do juiz (que teria cedido à maior torcida do mundo), apenas essa marcaram. Surge então um lance polêmico, que poderia ser interpretado de duas formas pelo juiz: (1) foi pênalti e (2) não foi pênalti.

Um jornalista botafoguense do jornal Lance! chegou a escrever: “Vamos aguardar para ver se esses erros, que já tiraram o título estadual do Botafogo no ano passado vão se repetir, ou se o adversário, seja ele quem for, poderá enfrentá-lo em igualdade de condições.”

Eu, como torcedor do América, freqüentador de estádios e observador da vida do meu time, não necessito de uma memória artificial para lembrar sobre um outro episódio que os nobres botafoguenses gostam de apagar da memória – o que é um processo normal humano. Eles inclusive o apagaram de todos os registros que colocaram sobre o tema no site YouTube, ou seja, apagaram até mesmo num dos aparatos artificiais que temos disponível como torcedores de futebol.

Não é difícil lembrar, convenhamos. Não vou falar de nenhum campeonato de 1960 ou do título de Campeão dos Campeões de 1982. O ano é 2006 e, acredite, o cenário é o mesmo: final da Taça Guanabara.

Os times eram o meu América e o time dos esquecidos, os memória-fraca, o Botafogo. O jogo começou com o América dominando e, numa falha do goleiro do Botafogo, Robert fez 1 a 0. Como é possível ver no vídeo que disponibilizo no final deste breve artigo/reforço-de-memória, o América passa a dominar ainda mais a partida e o Botafogo – como eu mesmo vi no estádio, ao vivo – começa a dar pontapés e chutes por trás. O time alvinegro se desespera e fica perdido em campo. Segundo o jornal O Dia, mais uma memória artificial para nos auxiliar: “O América passou a tomar conta do jogo e o Botafogo dava claros sinais que sentiu o gol. (…) A essa altura, o América controlava a partida para delírio da torcida rubra. Aos 25 minutos, Guerra foi derrubado na entrada da área. Ótima oportunidade para Robert, mas Ruy cortou o cruzamento” (Jornal O Dia)

Depois, começa a pancadaria efetivamente: “Por volta dos 30 minutos, a chuva começou a cair com mais intensidade no Maracanã. Mas nem a água foi suficiente para esfriar a cabeça de Ruy. O lateral fez falta dura em Julinho e ainda chutou a bola em cima do jogador americano. Pela atitude, Ruy tomou o primeiro cartão amarelo do jogo. Um minuto depois, Lúcio Flávio chegou atrasado em jogada com Santiago e acabou acertando o peito do adversário, mas o árbitro não puniu o meia alvinegro. Aos 35 foi a vez de Marcelinho transbordar nervosismo ao dar uma rasteira em Bruno Lazaroni. O atacante botafoguense foi advertido com cartão amarelo.” (Idem)

Mesmo assim, o América continuava a liderar o jogo. Para se ter uma idéia, o primeiro chute alvinegro só veio aos 33 minutos. E “no outro lado, o América começava a jogar bonito. Aos 42, Julinho tabelou com Robert e deu um belo voleio que quase surpreendeu o inseguro goleiro Max.” O América, lembremos, havia vencido o Vasco (2 a 1 em 28 de janeiro) e o próprio Botafogo (2 a 0 no dia 1 de fevereiro). Tudo isso em pleno Maracanã.

Aos 21 minutos, no entanto, o lance mais importante. Você pode ver o vídeo e acompanhar a seguinte legenda: “Reparem no pé direito do goleiro na canela do atacante”. O atacante americano estava sozinho na área e a bola estava ao alcance dele para consolidar o gol. Mas o juiz “não viu”. Deu também no UOL: “A equipe rubra só não teve uma chance incisiva para ampliar por causa de um erro grosseiro do árbitro William de Souza Nery. Max saiu equivocadamente e deu um carrinho em cima de Chris, dentro da área. Mas Nery ignorou a entrada e não marcou o pênalti.”

“Começamos a perder o título quando o juiz não marcou aquele pênalti. Se tivéssemos feito o gol, o Botafogo perderia ali”, disse o técnico Jorginho, do América. O fato é que diversos jogadores e torcedores do América ficaram completamente alterados. Um torcedor de 46 anos sofreu um enfarto e a torcedora-símbolo do clube, Tia Ruth, de 81 anos, passou mal e tivemos que levá-la carregada para que se acalmasse. Imaginem como não ficaram os jogadores, que estavam próximos do lance.

O vídeo está aqui.

Aqui, além disso – ao contrário dos chorões botafoguenses -, temos apenas fatos: um diretor de futebol do Botafogo, questionado na mesa redonda da TVE sobre o lance e confrontado com a cena patética de um pênalti claro não marcado, declarou envergonhado: “Pois é, futebol é assim mesmo, o juiz está apto a errar”. E os botafoguenses se “consagraram” campeões…

José Roberto Wright, comentarista da TV Globo, teve a cara de pau de negar o que nem o dirigente do Botafogo negara: que foi pênalti. E os torcedores botafoguenses, um bando de chorões, ocultaram nos diversos vídeos no YouTube com lances desta final, o pênalti na edição dos melhores momentos. Não acharam interessante comentar este momento, e nem sequer mostrá-lo.

Outra lembrança interessante é em relação à brincadeira iniciada por Marcelo Salles no Fazendo Media: “(…) se nesse dia toda a cidade fala sobre a final, por que não o Cristo, que é tão flamenguista quanto Deus é brasileiro?” O repórter alvinegro Leon Corrêa rebateu: “Para começar, ressalto que não me incluo entre aqueles que acreditam em Deus, ou algo parecido, muito menos que ele seja Rubro-Negro, e menos ainda que a estátua que adorna o Morro do Corcovado o seja.”(lê aqui)

Apenas como curiosidade mesmo, lembro que nem todos pensam assim – caso do grande alvinegro Lúcio Flávio. O jogador disse à época que, ao tomar conhecimento de que o mascote do América é um Diabo, “soube de antemão que a partida estava para o Botafogo”. Repercutindo as declarações do então técnico do América Jorginho – que, no entanto, não utilizou a religião para ridicularizar o adversário -, Lúcio Flávio disse: “O Diabo é derrotado. O Jorginho deu um alerta e acho que as pessoas que gostam do América devem levar a sério. Enquanto eles tiverem o Diabo não vão conseguir nada”.

Foi Deus no céu e o juiz em campo.

Por isso, caros e nobres amigos botafoguenses, podem chorar – e alto -, mas sugiro também que passem a reter, recuperar, armazenar e evocar melhor as informações disponíveis sobre os supostos “erros” de juízes antes de se fazerem de pobres vítimas perseguidas e campeões morais do que seja.

Um comentário sobre “Botafoguenses chorões sofrem de memória fraca”

  1. olha aqui queridinhu o botafogo não é chorão nada ta bom voce so pode ser flamenguista pra ta falando isso porque todo flamenguista morre de inveja do botafogo mas eu vo te dizer uma seja la quem for o autor desse texto e titulo idiota não importa o que voce diga sobre o botafogo voce simplismente so vai consegui que esse time cresça mas sabe porque…porque a inveja de vcs faz a fama do botafogo mas de que eles ja tem por jogarem tão bem nos alvinegros somos a estrela solitaria que mas brilha entendeu…BOTAFOGO SEMPREE

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