Celebração do Dia da ONU no Brasil discute presente e futuro que queremos

A ONU Brasil realizou um debate online com o tema Recuperação da pandemia de COVID-19: solidariedade e união para um mundo melhor. O evento marcou os 76 anos de criação das Nações Unidas, conhecido como o Dia da ONU.

Com o mote “Vamos falar sobre o futuro?”, o evento debateu temas como a crise climática, o aumento da fome e a necessidade de se repensar os sistemas alimentares e os desafios trazidos pela retomada da educação presencial.

A solidariedade e os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) foram destacados como caminhos apontados pelas Nações Unidas para responder os desafios compartilhados da humanidade.

“A ONU foi criada há 76 anos como um farol de esperança para a humanidade em um período conturbado de nossa história. A paz, o desenvolvimento, os direitos humanos e oportunidades para todas as pessoas foram os valores destacados na Carta das Nações Unidas e são esses valores que nos guiam até hoje”, afirmou a coordenadora residente do Sistema ONU no Brasil, Silvia Rucks, na abertura do evento.

A ONU Brasil realizou, na segunda-feira (25), um debate online com o tema Recuperação da pandemia de COVID-19: solidariedade e união para um mundo melhor. O evento marcou os 76 anos de criação das Nações Unidas, conhecido como o Dia da ONU, e foi transmitido pelo YouTube da ONU Brasil.

Com o mote “Vamos falar sobre o futuro?”, o evento teve participação da presidente do Conselho Nacional de Educação, Maria Helena Guimarães de Castro; da nutricionista e membro da Rede de Mulheres Negras para Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Redessan), Beatriz Blackman; da advogada e co-fundadora da Rede Sul Americana para Migrações Ambientais, Erika Pires Ramos; e de Francine Lemos, diretora executiva do Sistema B. A mediação foi feita pela jornalista Aline Midlej.

Solidariedade – “Para falar do futuro, precisamos discutir o presente”, destacou a coordenadora residente do Sistema ONU no Brasil, Silvia Rucks, ao falar, na abertura do debate, sobre os desafios enfrentados pelo mundo e o roteiro traçado pelas Nações Unidas para solucioná-los.

A pandemia de COVID-19 e as múltiplas crises trazidas por ela, os conflitos, o aumento da pobreza e da fome e a emergência climática são apenas alguns dos desafios compartilhados pela humanidade. “Nenhum país, por maior que seja, é capaz de resolver esses problemas sozinho”, lembrou Rucks, ao destacar o papel desempenhado pela ONU no mundo.

A coordenadora da ONU no Brasil reforçou que a Agenda 2030 e os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) apontam as soluções para estes e outros problemas que requerem ações conjuntas e integradas, considerando as dimensões econômica, social e ambiental. “A solidariedade é o único caminho possível”, lembrou Rucks, ao citar a mensagem do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, para a data.

“A ONU foi criada há 76 anos como um farol de esperança para a humanidade em um período conturbado de nossa história. A paz, o desenvolvimento, os direitos humanos e oportunidades para todas as pessoas foram os valores destacados na Carta das Nações Unidas e são esses valores que nos guiam até hoje”, afirmou, ao homenagear todos os servidores do sistema ONU.

Ainda na abertura do evento, o secretário de Assuntos de Soberania Nacional e Cidadania do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Paulino Franco de Carvalho Neto, destacou o papel do país na criação da ONU. “O Brasil muito se orgulha de ser membro fundador desta instituição”, afirmou.

Carvalho Neto apontou o resgate dos princípios de solidariedade da ONU como o caminho para enfrentar os desafios atuais. “A crise sanitária evidenciou que é no diálogo, na articulação e na cooperação que residem as bases para a solução de problemas comuns”, disse.

Desafios da retomada da educação – A presidente do Conselho Nacional de Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, refletiu sobre a volta às aulas e as lições da pandemia para a educação pública. Ela defendeu uma agenda emergencial para lidar com o desafio de retomada presencial pelos mais de 40 milhões de alunos de educação básica no Brasil.

Maria Helena lembrou que o retorno às escolas ainda é muito desigual no Brasil e defendeu ênfase nas condições físicas – incluindo conectividade – e sanitárias do ambiente escolar e na valorização e formação de professores para gerar um “reencantamento com a escola” como estratégia prioritária para barrar os retrocessos para a educação neste momento.

Combater a fome – A nutricionista Beatriz Blackman tratou da importância de uma alimentação saudável para a soberania e segurança alimentar.

Atualmente, quase 20 milhões de brasileiros passam fome. Para a representante da Redessan, a solução passa pela quantidade de alimentos disponíveis e pela qualidade da alimentação a que se tem acesso.

Segundo a nutricionista, uma alimentação saudável precisa estar disponível localmente nos pontos de vendas e ser acessível economicamente às famílias. Além disso, é importante uma educação nutricional nas escolas para que as crianças aprendam desde cedo o que é uma alimentação saudável.

“A lógica dos sistemas alimentares hoje é a lógica do alimento-mercadoria”, afirmou Beatriz Blackman. “Precisamos mudar o paradigma, considerando a alimentação como direito humano”. ​​Ela defendeu ainda políticas de reforma agrária, feiras que ligam produtores e consumidores, circuitos curtos de distribuição para os alimentos e diálogo com movimentos sociais.

Deslocados pelo clima – Convidada para falar de meio ambiente, a advogada Erika Pires Ramos lembrou que a mudança climática já está afetando diretamente a segurança alimentar. “A questão ambiental está relacionada com outras questões. O clima tem relação direta com economia, política, cultura, território”, destacou.

Ela lembrou que a mudança climática não afeta a todos, mas não da mesma maneira: são os mais vulneráveis os que mais sofrem com seus efeitos, mesmo tendo sido os que menos contribuíram para afetar o funcionamento do clima.

“A mudança climática é o fator que mais provoca deslocamentos hoje, alterando o padrão e a escala da mobilidade”, relatou a advogada, ao falar sobre os refugiados do clima. Ela explicou que a mudança climática é também o fator que mais contribui para desastres, levando ao desaparecimento de territórios por elevação do nível do mar, salinização da água doce e eventos extremos, como secas e chuvas. Só no ano passado, o Brasil teve mais de 300 mil pessoas deslocadas por fatores ambientais, a maioria por inundações.

Erika Ramos considera que a migração deve ser encarada como uma estratégia de adaptação às mudanças climáticas e que, por isso, deve ter estratégias preventivas e soluções de longo prazo, que garantam a permanência e os modos de vida das pessoas em seu território.

Neutralidade de carbono – A diretora executiva do Sistema B encerrou o painel destacando o papel de líderes empresariais na construção de um sistema econômico mais inclusivo e sustentável. Francine Lemos lembrou que a Década da Ação da ONU convoca empresas a se movimentarem por soluções.

Ela destacou o papel essencial do setor privado para uma economia de baixo carbono. Para engajar líderes, o Sistema B busca fazer a ponte entre as evidências científicas e ações práticas que podem ser tomadas por empresas. Uma dessas iniciativas é antecipar a neutralidade de carbono para 2030 – 20 anos antes do marco de 2050.

“Acho que todos temos um papel. Não dá para falar do ponto de vista individual, porque é um problema sistêmico. Portanto, a solução só vai acontecer se conseguirmos mobilizar os diversos atores”, afirmou.

Ampliando a mensagem – Ao encerrar o debate, a mediadora convocou o público do evento a se mobilizar e reverberar as mensagens e temas discutidos em seus círculos pessoais e profissionais. “Vamos encontrando, cada um, dentro do que pode, instrumentos de transformação, que a gente seja a mudança que a gente quer pro mundo e que a gente tenha um olhar mais atento ao outro”, convidou Aline Midlej.

Assista ao evento na íntegra

 

Fonte: Nações Unidas – Brasil

(26-10-2021)

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