Campanha do Fundo de População da ONU ajuda a identificar relações abusivas

A violência de gênero ainda é um dos maiores desafios de garantia de direitos humanos na nossa sociedade. Isto porque mesmo sem violência física, alguns comportamentos são considerados agressões de baixo risco. Então como identificar se você está em uma relação abusiva? 

Para apoiar as mulheres e reforçar a importância de falar sobre a violência doméstica, o Sesc e o Fundo de População da ONU (UNFPA) estão promovendo a campanha “Você não está sozinha”. Com base em estudos e pesquisas, as instituições apresentam o “Violentômetro”, com as fases da violência e o risco de cada etapa: baixo, médio e alto.

O UNFPA lembra, porém, que o feminicídio pode ocorrer em qualquer momento das escalas de avaliação. O comportamento violento não segue necessariamente uma lógica – o agressor pode sair do baixo risco para o alto risco em um intervalo de tempo muito curto. Mesmo sem histórico de um comportamento violento durante a relação afetiva, a mulher pode ser vítima de feminicídio por um conjunto de fatores sócio-históricos.

Confira abaixo as etapas:

Baixo risco: quando não há indícios de risco iminente de graves lesões físicas e/ou feminicídio. É neste momento que as mulheres conseguem observar comportamentos indicativos de que seu o companheiro ou companheira tem expressado uma relação de posse e pertencimento dentro do relacionamento. Isto representa um sinal de alerta importante para que as mulheres se observem no contexto de violência, e consigam – em tempo hábil e com apoio dos poderes estatais – interromper o ciclo da violência. Este momento deve ser considerado essencial para a prevenção de formas mais agravadas do comportamento violento.

Exemplos: piadas ofensivas, culpar, desqualificar em público, chantagear, mentir, enganar, ignorar, ciúme excessivo, ofender e humilhar, intimidar e ameaçar, proibir e controlar.

Médio risco: é quando a violência física já está instaurada, podendo resultar em lesões graves para as mulheres. Este estágio tem um papel fundamental de apresentar, de forma nítida, elementos que mostrem a urgência de romper com o ciclo da violência; e ainda de convocar os poderes públicos para a necessidade imediata de medidas para proteção das vítimas.

Exemplos: destruição de bens pessoais, “brincar” de bater, machucar, agredir, beliscar, empurrar, chutar e golpear.

Alto risco: alerta para vida em perigo. Risco iminente de lesões graves e/ou feminicídio. É o momento em que ações deixam de ser indícios de violência iminente, tornando-se imperioso a ação estatal imediata. Este é um dos momentos mais delicados, tanto para as mulheres, quanto para os profissionais responsáveis pelas respostas às vítimas. É difícil mensurar o grau de vulnerabilidade psicológica e física das mulheres para que possam, autonomamente, sair do contexto de violência. Para os profissionais, é necessário apoiar deliberações sobre medidas protetivas de urgência, buscar a rede de proteção e encaminhar para autoridades de segurança pública.

Exemplos: ameaçar de morte, forçar relações sexuais, ameaçar com objetos ou armas, mutilar, confinar, prender, matar.

Fonte: Nações Unidas – Brasil

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