Por Eduardo Maretti
Para o jurista, agressões ao STF e ameaças do clã Bolsonaro mostram que “estamos numa situação terrível, mas que é uma amostra do nosso estágio civilizatório”
A crise (sanitária, econômica e política) e as ameaças quase diárias às instituições e à democracia, por parte de Jair Bolsonaro e seu clã, quando confrontados por decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), por exemplo, revelam “a dissolução das instituições” do Brasil. “A partir do momento em que foi escolhido esse Bolsonaro, o Brasil escolheu esse caminho”, diz o jurista Celso Antônio Bandeira de Mello, um dos mais respeitados do país. “É um caminho lamentável, a decadência ostensiva, a falta de qualidade dos homens que aí estão, pessoas que nem sabem a língua portuguesa.”
A crise (sanitária, econômica e política) e as ameaças quase diárias às instituições e à democracia, por parte de Jair Bolsonaro e seu clã, quando confrontados por decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), por exemplo, revelam “a dissolução das instituições” do Brasil. “A partir do momento em que foi escolhido esse Bolsonaro, o Brasil escolheu esse caminho”, diz o jurista Celso Antônio Bandeira de Mello, um dos mais respeitados do país. “É um caminho lamentável, a decadência ostensiva, a falta de qualidade dos homens que aí estão, pessoas que nem sabem a língua portuguesa.”
Para o jurista, “estamos numa situação terrível, mas que é uma amostra do nosso estágio civilizatório”. “A gente vê na internet pessoas insultando, ameaçando o Supremo e os ministros do Supremo. Tudo isso é ridículo, mas é a nossa situação. Estamos muito longe de viver num Estado civilizado.”
Nesta quinta-feira (28), o ministro Edson Fachin, do STF, resolveu enviar ao plenário a análise que vai decidir pela suspensão ou não do inquérito das fake news, cujo relator é o ministro Alexandre de Moraes. O pedido foi feito pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, depois da operação da Polícia Federal (PF), com mandados de busca e apreensão, desencadeada na quarta-feira (27). Caberá ao presidente da Corte, Dias Toffoli, pautar o julgamento.
Na manhã de hoje, o presidente Jair Bolsonaro voltou a desafiar o STF e a própria operação da PF com palavras ofensivas e ameaças. “Obviamente ordens absurdas não se cumprem. E nós temos que botar um limite nessas questões”, afirmou. “Acabou, porra!”, exclamou. Disse ainda que tem as “armas da democracia”.
Já o filho Eduardo Bolsonaro disse que a ruptura “não é mais uma opinião de se, mas de quando”. Por outro lado, em entrevista ao blog de Andréia Sadi, do G1, o vice-presidente, Hamilton Mourão, desmentiu tanto a possibilidade de golpe como a ameaça do filho do presidente.
“Quem é que vai dar golpe? A turma não entendeu, não existe espaço no mundo para ações dessa natureza”, disse Mourão. Perguntado sobre a fala de Eduardo, o vice respondeu: “Me poupe. Ele é deputado, ele fala o que quiser”. E acrescentou: “Quem vai fechar Congresso? Fora de cogitação, não existe situação para isso”.
Para Bandeira de Mello, a “dolorosa” constatação de que o país vai demorar muito a ser um Estado civilizado é difícil de aceitar, mas é a realidade. “O que vou dizer diante disso tudo? Dizer que talvez eu tenha vivido além do meu tempo”, afirma.
A realidade do país, continua o jurista, é “horrível, dolorosa, é quase que insuportável”. O futuro não é previsível, nesse contexto. “O fundo do poço nunca chega. Para onde vamos nós?”
Fonte: Rede Brasil Atual
(28-05-2020)
Nesta quinta-feira (28), o ministro Edson Fachin, do STF, resolveu enviar ao plenário a análise que vai decidir pela suspensão ou não do inquérito das fake news, cujo relator é o ministro Alexandre de Moraes. O pedido foi feito pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, depois da operação da Polícia Federal (PF), com mandados de busca e apreensão, desencadeada na quarta-feira (27). Caberá ao presidente da Corte, Dias Toffoli, pautar o julgamento.
Na manhã de hoje, o presidente Jair Bolsonaro voltou a desafiar o STF e a própria operação da PF com palavras ofensivas e ameaças. “Obviamente ordens absurdas não se cumprem. E nós temos que botar um limite nessas questões”, afirmou. “Acabou, porra!”, exclamou. Disse ainda que tem as “armas da democracia”.
Já o filho Eduardo Bolsonaro disse que a ruptura “não é mais uma opinião de se, mas de quando”. Por outro lado, em entrevista ao blog de Andréia Sadi, do G1, o vice-presidente, Hamilton Mourão, desmentiu tanto a possibilidade de golpe como a ameaça do filho do presidente.
“Quem é que vai dar golpe? A turma não entendeu, não existe espaço no mundo para ações dessa natureza”, disse Mourão. Perguntado sobre a fala de Eduardo, o vice respondeu: “Me poupe. Ele é deputado, ele fala o que quiser”. E acrescentou: “Quem vai fechar Congresso? Fora de cogitação, não existe situação para isso”.
Para Bandeira de Mello, a “dolorosa” constatação de que o país vai demorar muito a ser um Estado civilizado é difícil de aceitar, mas é a realidade. “O que vou dizer diante disso tudo? Dizer que talvez eu tenha vivido além do meu tempo”, afirma.
A realidade do país, continua o jurista, é “horrível, dolorosa, é quase que insuportável”. O futuro não é previsível, nesse contexto. “O fundo do poço nunca chega. Para onde vamos nós?”
Fonte: Rede Brasil Atual
(28-05-2020)
