As mãos que criam, criam o que?

Os bordados produzidos na região do Seridó carregam a história da colonização portuguesa que instala-se a partir do século XVIII. As raízes estilísticas remetem aos bordados tradicionais produzidos até hoje na Ilha da Madeira em Portugal. São flores e arabescos desenhados em tons claros sobre tecidos de algodão, e linho.

O trabalho inicia na passagem do risco do papel para o tecido. Após formar a composição sobre papel manteiga ou acetato, passa-se uma espécie de carretilha percorrendo todo o risco, fazendo pequenos furos por onde o azul do tinta imprimirá o desenho sobre o tecido.

Os contornos servem de guias para o caminho feito pela agulha e linha. Os pontos mais utilizados são cheio, haste, matiz, rústico, ponto doido e arrendados, como o richelieu e pode-se cobrir o risco de duas maneiras: à mão ou à máquina. O mais comum em Timbaúba dos Batistas é que se utilize a máquina de pedal, geralmente modelos antigos de 40 anos ou mais,  que com destreza e coordenação é manejada pela bordadeira. Para tanto, o uso do bastidor é indispensável, pois é ele que garante a firmeza e segurança do tecido no processo.

Quem cria?

Na região do Seridó há milhares de bordadeiras que encontram no trabalho manual uma fonte de renda substantiva. O ofício feminino e doméstico é passado de mãe para filha e garante que, muitas vezes, seja a mulher responsável pelo sustento da casa. Tal fato gera uma significativa autonomia feminina, transpondo  barreiras e limites impostos em situações opostas.

O grupo de mulheres em Timbaúba dos Batistas uniu-se para concluir encomendas realizadas por uma estilista de São Paulo e acabaram organizando-se a partir daí. Hoje produzem para outros clientes de outras capitais, além de participarem de feiras especializadas. Por uma questão de estrutura e praticidade, as bordadeiras encontram-se para divisão dos pedidos e pagamentos, mas realizam o trabalho em suas casas.

Onde criam?

A cidade sertaneja de Timbaúba dos Batistas localiza-se a 282 km da capital Natal e é uma das menos populosas do Estado. A região é de ocupação antiga e os primeiros colonizadores chegaram ainda no século XVII. Os principais ciclos econômicos foram a agropecuária e o plantio de cana de açúcar, sendo o segundo responsável pela consolidação do núcleo habitacional.

Da secura da caatinga brotam lindas flores coloridas, que ultrapassam o limite da imaginação e trazem vida fértil ao local. É a delicadeza dos bordados que desafia a crueza da realidade dos longos períodos de estiagem e apresentam novos mundos possíveis.

Fonte: Artesol – Artesanato Solidário

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