Uma flor laranja emerge majestosa. À sua volta, alguma escuridão, não sei se da folhagem circundante, ou da própria escuridão do mundo.
Ofício este do artista, o de ir transformando em beleza o que machuca e ofende, o que lastima e dói.
Sol brilha cedo já na manhã em João Pessoa. Brilham ainda os fulgores do reencontro da terça-feira.
E a passarada canta e encanta.
Este quadrinho que vêem, é a vista do que tenho conseguido vislumbrar e reconstruir até agora, da minha trajetória.
Branco, paz. Laranja, alegria. Estas cores representam o que fui sendo desde antes de nascer e já nascido.
Uma luz que o meu pai via nas chinitas que alegravam o jardim da casa da rua Clark 555 em Mendoza, Argentina.
As rosas que a minha mãe admirava, extasiada. Riso, rosas. Rojo. A força da vida. Prazer. Vaivém. O movimento da vida.
Só há um tempo. Tempo de vida. Tempo pra viver. É um curto tempo. A beleza do instante o eterniza.
Liberdade. A vida como obra de arte. A arte de viver.
O amor como centro. O amor é o centro. O amor nunca é abstrato, sempre é concreto e definido.
Se a sua vida tiver um centro, estará tudo bem. Você estará bem, pois que sabe o que realmente importa e orienta.
Sem um centro, no entanto, nos levam pra qualquer lugar. Nos vendem gato por lebre, como se diz na Argentina.
Por isso é que a clareza, claridade, luz, é preciosa e primordial.
Sentir é o que a mim me presentifica. Quando estou sentindo, está tudo bem. Sentir é o que me conecta.
Nos dias de hoje –e não sei se também em outros tempos—há uma tendência muito forte para a dispersão.
A pessoa está, mas não está. Está em qualquer lugar menos onde está. Não sabe o que quer. O tempo passa, e os instantes vazios cobram o seu preço.
Quando recupero a unidade da minha vida, quando sou capaz de ter nas minhas mãos a trajetória da minha vida, sou forte e claro.
Não significa rigidez. Ao contrário, o amor e a claridade me abrem caminhos. Sou capaz de agir com.
A comunidade começa em mim mesmo, com a minha história. Pé no chão. Velhice não é ter muitos anos. É ser sábio.
É ter aprendido a confiar nos mais jovens, sim. Mas também, e sobre tudo, é ter aprendido a confiar em si mesmo!
Transformar as culpas em autoaceitação. Em amor a si mesmo. Deus está aqui. É a mulher que te ama. É o amigo que te da uma mão. Essa pessoa na rua que te dá um sorriso.
A esperança não pode ser extinta. A vida não pode ser cancelada. Em toda circunstância, somos capazes de vencer.

Sociólogo, Terapeuta Comunitário, escritor. Vários dos meus livros estão disponíveis on line gratuitamente: https://consciencia.net/mis-libros-on-line-meus-livros/

Oi, Rolando, boa tarde. Seus textos possuem sempre gatilhos que são ativados a cada leitura ou releitura. Eu havia postado um comentário na primeira leitura que fiz (que agora não me lembro mais do que escrevi). E hoje, relendo o seu texto, outras memórias foram ativadas. E esse é o poder da leitura: nos levar a lugares já visitados, mas também nos estimular e visitar novos lugares.
Gratidão pela partilha