Verissimo,
Luis Fernando
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ANÁLISE
# 01/02/2007
O
suicídio do planeta
Agora
está todo o mundo preocupado com o suicídio do planeta. Repete-se,
um pouco, o que acontece na arte há anos: uma vanguarda visionária
primeiro é combatida e ridicularizada como coisa de loucos e depois
incorporada ao pensamento dominante. Por Luís Fernando Verissimo,
n'O Globo e n'O Estado de S. Paulo
Escândalo
seletivo
(...)
só o que diferencia a violência de uma invasão de terras
da violência constante, rotineira, banalizada que a situação
fundiária do país impõe aos sem-terras é o
tempo. Uma é uma quebra de normalidade, a outra é a normalidade.
As duas são reprováveis, mas a segunda é absolvida
pela indiferença. Não tem o mesmo efeito espetacular, o mesmo
horror concentrado. Por Luis Fernando Verissimo, 20/4/2006
No
Longo Prazo
Pensei
num bom nome, não sei se para uma clínica geriátrica
ou um idílico condomínio residencial: Longo Prazo. O nome
transmitiria uma idéia de calma e despreocupação em
contraste com as premências do cotidiano. De tempo para a contemplação
e, no fim, a compreensão de tudo — além, claro, de pagamentos
módicos e vida comprida. (...) Por Luis Fernando Verissimo,
2/4/2006
Na
cara
Gosto
muito (tanto que a cito muito) daquela cena de um filme dos irmãos
Marx em que o Groucho, um general, postando-se à frente de um mapa
para explicá-lo aos seus comandados, diz: “Uma criança de
três anos entenderia isto”. E depois de algum tempo examinando o
mapa: “Tragam uma criança de três anos!” (...) Por Luis Fernando
Verissimo, 12/3/2006
Estamos
prontos
Sonhemos.
O petróleo acaba e o mundo passa a depender, para toda a sua energia,
do combustível vegetal. Biodiesel e álcool. Ninguém
tem tanto biocombustível para vender, ou terra para produzi-lo,
do que o Brasil. Enquanto o Oriente Médio afunda no seu subsolo
vazio e a areia cobre suas refinarias e seus palácios, o Brasil
se transforma no principal fornecedor do sangue do mundo industrial. Brasil,
a Nova Arábia (...) Por Luis Fernando Verissimo, 10/3/2006
Obrigado,
Fernando Henrique
Recebi
um cartão de crédito novo para substituir um vencido. Junto,
a instrução: ligar para 4001-4828 para desbloquear o cartão.
Como sabe quem liga para um número destes, é preciso passar
por um teste de atenção e reflexos, comandado por um robô
com voz feminina, antes de merecer o direito de falar com um ser humano.
(...) Por Luis Fernando Verissimo, 12/2/2006
Pense
na China
Sugestão
para um dia em que você não tiver nada com o que se preocupar
e estiver até convencido que o mundo pode melhorar, deve melhorar,
tem que melhorar. Finja que é agora. Simule otimismo. Imite alguém
acreditando no futuro com toda a força. Faça cara de quem
não tem dúvidas de que tudo vai dar certo. Convença-se
de que tudo vai dar certo. Pronto? Agora pense na China. Por Luis Fernando
Verissimo, no jornal O Globo, 29/1/2006.
A
Michelle
Não
se deve ver coisas demais na Michelle. Já ouvi alguém chamá-la
de "Linda!", mas devia ser um esquerdista brasileiro, sem muito com o que
se entusiasmar ultimamente, num momento de descontrole. Para começar,
quem ganhou as eleições no Chile foi a situação.
(...) Por Luis Fernando Verissimo, 19/1/2006.
Fora
isso...
A distância
real e simbólica entre Paris e seus banlieus também é
uma metáfora para uma divisão mais antiga, a de metrópole
e colônia. Por Luis Fernando Verissimo, de PARIS, 13/11/2005.
Os
pássaros
Você
está bem, apesar de tudo. É primavera e você está
aí, nessa praia, sob esse sol, sob esse céu, com esse ventinho
correndo vez que outra pelo seu corpo, como caldo sendo passado num assado
para ele não secar; a vida é outra coisa e a coisa é
outra vida. Por Luis Fernando Verissimo, n'O GLOBO, 6/11/2005.
Por
que sim
O debate
sobre a proibição ou não de armas é uma guerra
de hipóteses. Discutem-se teses que pouco têm a ver com a
realidade pessoal de cada um, já que a grande maioria dos que são
a favor ou contra nunca pegou ou pegará numa arma. O embate é
sobre o direito dos outros, entre pressupostos e previsões — portanto
abstrações — diferentes. Por Luis Fernando Verissimo,
16/10/2005
Às
brinca ou às ganha
Muita
gente dava a impressão de ter consciência, pela primeira vez,
do perigoso tipo de jogo inaugurado com o entusiasmo inquisitório
e do que a predação indiscriminada era capaz. (...) O ideal
a ser combinado seria jogar “às ganha” ou “às brinca” conforme
a conveniência, para poupar bolinhas favoritas como o Palocci e os
envolvidos em escândalos de outras siglas e outros governos. Por
Luis
Fernando Verissimo, 28/8/2005, n'O Globo
Parcialidades
Critico
o governo Lula desde que ficou claro que sua política econômica
seria a do PSDB e que iria de Malan a pior e não tenho nenhuma ligação
com o PT fora a simpatia declarada e alguns amigos. Mas não devo
nenhum tipo de contrição pelo que acreditava e não
vou contribuir nem com silêncio constrangido para a tese propagada
com furiosa euforia pela direita, de que a ruína do PT é
a ruína definitiva da esquerda no Brasil (...)
Por L. F. Verissimo, 21/8/2005, n'O Globo
O
Og
Meu amigo
Og, o Extraterrestre Hipotético, esteve na Terra pela primeira vez
com uma missão científica para estudar a possibilidade de
usar miolos humanos como fertilizante no seu planeta. O projeto não
deu certo mas Og se encantou com uma carioca chamada Dedé, a única
que não se horrorizou quando ele contou como fazia sexo (...) Por.Luis
Fernando Verissimo, 18/8/2005, n'O Globo
Salvos!
Agora
que já estão todos (eu espero) seguros no chão, cabe
a especulação que, imagino, ocorreu a muita gente: e se tivesse
acontecido alguma coisa com o avião que levou a comitiva presidencial
a Roma para o enterro do Papa? Uma pane em pleno vôo? Por Luis
Fernando Verissimo, 10/4/2005
Segunda
opinião
Depois
de passar oito anos criticando a política econômica do governo
anterior o governo Lula não só abraçou a mesma política
como apalpou-lhe a bunda, com uma familiaridade que ninguém imaginava.
Uma das primeiras coisas que o Palocci disse depois de ser empossado como
o novo Malan foi que dobraria o superávit primário, justamente
aquele ralo pelo qual, segundo o discurso antigo, sumia o dinheiro do “social”.
O resto da política econômica também foi mantido, em
alguns casos com maior rigor. Por Luis Fernando Verissimo, 6/3/2005
Os
venenosos
O veneno é um furo na
teoria da evolução. De acordo com o darwinismo clássico
os bichos desenvolvem, por seleção natural, as características
que garantem a sua sobrevivência. (...) Por Luis Fernando Verissimo,
fevereiro de 2005
Mal-entendidos
Dividimos a História
em eras, com começo e fim bem definidos, e mesmo que a ordem seja
imposta depois dos fatos — a gente vive para a frente mas compreende para
trás, ninguém na época disse “Oba, começou
a Renascença!” — é bom acreditar que os fatos têm coerência
e sentido, e nos dêem lições. Só que podemos
apreender a lição errada. Por Luis Fernando Verissimo,
fevereiro de 2005
Novo
clima
O Lula na Presidência
assustou muita gente, a cooptação do Lula pela moral peculiar
dos credores e dos monetaristas transformou muitos em cínicos, a
frustração da esquerda com a política econômica
do PT desmoralizou, por muito tempo, entre nós, as boas intenções
— ou as intenções da boca para fora. Poucos discursos sobreviveram
à sacudida. Por Luis Fernando Verissimo, 13 de janeiro, 2005.
O
que nunca aconteceu antes
Deve haver poucas coisas mais
aterrorizantes do que uma tsunami, a onda gigante causada por um maremoto.
A visão de uma parede de água vindo na direção
da praia é um pesadelo comum da Humanidade, mesmo de quem nunca
esteve perto do mar. Li que ter que fugir de ondas gigantescas e estar
nu no meio de uma multidão são as angústias mais recorrentes
nos maus sonhos de todo mundo, interpretações à vontade.
O terror da grande onda talvez tenha a ver com a nossa origem oceânica.
Por
Luis
Fernando Verissimo. Do jornal O Globo, 2 de janeiro, 2004.
Outras
histórias
Não são só
os índices de leitura de horóscopos que atestam o fracasso
do Copérnico em convencer a Humanidade que a Terra não é
o centro do Universo. A ciência em geral tem tido um péssimo
desempenho na tarefa de vencer a crendice e o obscurantismo, embora a versão
“oficial” da História humana desde, pelo menos, o século
XVIII tenha sido a de conquistas irreversíveis da razão secularista,
com alguns soluços de irracionalidade. Em 26 de dezembro, 2004
Definições
O espírito de Natal traz
sentimentos de solidariedade e congraçamento universal. Mas o espirito
de Natal, como se sabe, dura uma semana. Como seria se, em vez do exemplo
de Cristo, nos defrontássemos com uma emergência definidora
de caráter? Como o anúncio de que um asteróide iria
se chocar com a Terra, e não houvesse nada a fazer para evitar o
nosso fim? Em 23 de dezembro, 2004
Baixas
Ninguém é insensível
ao custo social da opção pela austeridade, mas aceitar a
sua inevitabilidade é aderir à ética peculiar do mercado
financeiro, que exclui todas as outras. Como os objetivos do modelo, em
tese, são claros, a retórica com que o defendem é
convincente e não há alternativa viável, ainda mais
depois que a própria esquerda brasileira ao chegar ao poder declarou
que não era de esquerda, a aritmética é — como decidiu
a maioria do PT na sua última reunião — tolerável.
Em 25/11/2004
Valores
morais
O mais grave da reeleição
do Bush é que ela acontece num momento em que são ainda remotas
as possibilidades de se estabelecer colônias humanas em outros planetas,
deixando sem resposta a pergunta “Fugir para onde?” Em 7/11/2004
O
fim de um certo sorriso
Não faz muito, dizer que
você simpatizava com o PT provocava um certo sorriso. Dependendo
de quem, ou do quê, você era, o sorriso poderia significar
surpresa (“E o PT existe?!”), irritação polida (“Ih, outro
burguês com culpa...”), condescendência (“Eu também
me preocupo com os humildes”) ou pena (“Quanta ingenuidade”). Em 4 de outubro,
2004
A
caderneta da Dona Loló
Essa história da CPI do Banestado,
que se transformou em copiosa fonte de denúncias e de sobressaltos
para a nação, me lembrou a história da caderneta da
Dona Loló. Em 11/8/2004
Nosso
café com leite
Aparentemente as leis da física
são mais flexíveis do que a ortodoxia do bordel. Em 5/8/2004
Alvos
e erros
Segundo o Tutty Vasques, a diferença
entre o Clinton e o Bush é que quando o Clinton errava o alvo só
acertava o vestido da moça. Historicamente, não foi bem assim:
o Clinton também acertou outras coisas que não devia, como
um laboratório no Sudão que não era o que se pensava
e (ups!) uma embaixada chinesa em Belgrado. Em 4/7/2004
Sem
aspas, desta vez
Depois daquela eleição
presidencial em que ele chegou atrás do Enéas, fiz uma charge
para o “Jornal do Brasil” que era assim: uma multidão em torno da
sepultura do Brizola recém-enterrado, e no meio da multidão,
sorrindo, o próprio Brizola. Em 24/6/2004
‘Le
pescocê’
O economismo neoclássico
sofreu alguns abalos nos últimos anos, com a deserção
ou a autocrítica de alguns dos seus luminares, mas nem toda a evidência
acumulada de que o domínio do seu pensamento único só
aumentou a desigualdade e a miséria no mundo impede que ele continue
a ser chamado de “pescocê”. Em 20/6/2004
Senso
de proporção
Na semana em que 40 senadores aprovaram
a nomeação para o Tribunal de Contas da União de um
homem que deve explicações em juízo das suas próprias
contas, a notícia mais destacada do Senado da República foi
o beijo que a Heloísa Helena deu no Suplicy. Em 17/6/2004
Burrice
Quem começa a fumar sabendo
tudo o que sabe, desculpe: é burro. Em 10/6/2004
Jornalistas
americanos
O que é desprezível
deve ser desprezado, não transformado em caso internacional de previsível
péssima repercussão. Em 20/5/2004
Velhos
e novos bárbaros
Napoleão Bonaparte e Adolf
Hitler, entre outros, sonharam com a pan-Europa que, com a inclusão
de mais 10 países no último 1 de maio, se tornou uma realidade
irreversível. Os antecedentes da União Européia são
assim, alguns mais respeitáveis do que outros. Em 9/5/2004
Terror
na Espanha
Março de 2004. Verissimo
e outros comentam os atentados do 11 de março em Madri, Espanha.
Fogos
de artifício
26 de feverero, 2004
Lei
de ferro
15 de fevereiro, 2004
EUA:
O candidato do ketchup
8 de janeiro, 2004
Direitos
do leitor
5 de fevereiro, 2004
Estrumufar
1 de fevereiro, 2004
Déficits
não importam
25 de janeiro, 2004. Toda a
expansão americana no século dezenove, quando as ferrovias
abriram o vasto território do Oeste para os “robber barons”, a nobreza
da falcatrua, construírem suas fortunas e aquela sociedade tão
invejada, foi feita de falência fraudulenta em falência fraudulenta.
Heranças
malditas
25 de dezembro, 2003. O país
ser ocupado por tropas americanas não seria tão traumático
assim. Já está quase tudo em inglês mesmo, e poderíamos
pensar na rendição como uma espécie de delivery.
Não
vai pegar bem
14 de
dezembro, 2003
Com
o tempo
9 de novembro, 2003
Marx
tinha razão
26 de
outubro, 2003
Gente
fina
18 de
setembro, 2003
Procure
a sua turma
7 de
setembro, 2003
Na
República da Desconversa
31 de
julho, 2003
Provocações
A primeira provocação
ele agüentou calado. Na verdade, gritou e esperneou. Mas todos os
bebês fazem assim, mesmo os que nascem em maternidade, ajudados por
especialistas.
Balada
Poema
O
Que Fazem os Vagalumes de Dia
In: 'Comédias da Vida Privada'
Na
média, ou Bill Gates no restaurante
17 de julho,
2003
Culpa
maior
10 de julho, 2003
Lugar
na História
9 julho 2003
Interpretando
a barba
15 de maio, 2003
"Esse
não! Esse não!"
11 de maio, 2003
O
triunfo de Osama bin Laden
Abril de 2003
Estava
escrito
13 de abril, 2003
A
cidadezinha natal
Março
de
2003
Nomes
de respeito
22 de março,
2003
As
frases que nos perseguem
11 de
março,
2003
Nosso
pânico
3 de
março,
2003
Satisfações
Março de 2003: "Da recepção
avisaram que tinha um Carmano para falar com ele. Carmano, Carmano... O
nome não lhe era estranho."
O
Mal e o eixo
15 de fevereiro, 2003
Meu
adorável vagabundo
20 de
dezembro, 2002
Do
ar
16 de novembro, 2002
Preocupações
14 de novembro, 2002
A
audácia!
14 de
outubro, 2002
A
sabedoria do monstro
8 de
outubro, 2002
Professor
Pelé
2 de
outubro, 2002
A
normalidade e o caos
9 de julho, 2002
Juramentos
24 de
março,
2002
Segunda
opinião
21 de
março,
2002
A
nossa cara
15 de
março,
2002
Eu
fora
25 de fevereiro, 2002
Produtos
do meio
14 de fevereiro, 2002
O
Golpe!
13 de
agosto, 2001
Trágico
e Cômico
25 de junho, 2001
Mais
Palavreado
7 de junho, 2001
Ideologias
(I)
1 de maio, 2001
O
Analista de Bagé
20 de abril, 2001
Melhor
do que a encomenda
4 de abril, 2001
O
MH
23 de
março,
2001
Últimas
do verão
7 de
março,
2001
Ladrão
de Galinhas
25 de fevereiro, 2001
Contra
o Canadá
22 de fevereiro, 2001
Verissimo
x FHC
16 de
dezembro, 2000
Maldita
atualidade
3 de
dezembro, 2000
Criação
do Mundo
14 de agosto, 2000
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Quem é:
A completar.
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