Amor e ódio, anjo e diabo, duas pulsões inseparáveis e estruturais do ser humano. Duas polaridades necessárias para a busca de uma síntese que nos humaniza. Toda tentativa de eliminar uma delas aleija e aborta a dinâmica do desenvolvimento humano.
São estas contradições que nos propulsionam a refletir sobre nosso “vir-a-ser. É do atrito entre elas que aparece a luz necessária para clarear mentes e projetos. Só assim, humanizamos o que temos de divino e de diabólico.
Nem anjo e nem diabo, mas ser humano inacabado. O dramático é quando identificamos fora de si mesmo, no diferente o nosso lado diabólico. Atribuímos parte do que somos ao outro, visto como a personalização do mal.
Nas eleições esta dialética interna, tende a se externalizar. São momentos propícios para desqualificarmos o nosso concorrente, projetando sobre ele nossos piores defeitos. Nestes últimos dias a polarização entre politica símbolo do poder e religião símbolo do amor chegou ao seu ápice.
Só o exercício do amor é capaz de transformar vidas de uma nação. O exercício do poder tira do outro seu poder de decisão e escolha. Ele não pode ser o que é. Não ha espaço para a contestação, para o juízo critico. São instruídos para respeitar o poder, obedecer.
Aquele que aprende a obedecer a quem tem o chicote na mão, quando o chicote muda de mão, o individuo apenas reproduz o que aprendeu, ele obedece. É tempo de humanizar a politica que é a arte de cuidar das pessoas e de espiritualizar a religião que é a arte de cuidar de pessoas fragilizadas alimentando a esperança.
Ou será que após a eleição a politica nos levara a governança do cáos? Teremos anjos obedecendo e diabos infernizando? Antes de votar reflita sobre isso. Analise os valores de cada candidato.
Não são nem anjos nem diabos e sim pessoas humanas. Eles representam ideologias distintas, forças poderosas que a humanidade já conheceu e já padeceu. O homem que não tem sua história presente em sua memoria, está condenado a repeti-la. Boa votação.

Doutor em Psiquiatria e Antropologia. Presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria Social. Criador da Terapia Comunitária Integrativa. Autor de vários livros. CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/8155674496013599.

Muito bom, coerência e bom senso!Que não esqueçamos do passado para assim construirmos um futuro melhor para todos!
Que o o símbolo da impunidade não faça parte de nossa escolha!