
Eudira se perdera dela mesma. Sonhava com tantas belezas na vida e encontrou muitos momentos desagradáveis que não via mais sentido continuar do jeito que estava. Seu amigo Leandro também se sentia insatisfeito e combinaram essa viagem juntos.
Certa noite arrumou o necessário numa mochila com a intenção de se reencontrar. Tinha umas economias das suas aulas de inglês no Banco e partira com Leandro, deixando um bilhete com a seguinte frase – estou bem, não me procurem, quando me reencontrar, retorno. Amo vocês. Eudira. Ela morava com a mãe viúva e dois irmãos.
Pegaram um ônibus com destino final de chegar a uma floresta a fim de se conectarem com a natureza, escutarem o som dos animais, prestar atenção no barulho da mata e ouvir a voz interior.
Na última cidade para o acesso à floresta, compraram comida e apetrechos para sobreviverem por uma semana. Avisaram a guarda-florestal que estavam entrando na mata e que se não voltassem dentro de 7 dias procurassem por eles.
Foram adentrando ao local com entusiasmo, o dia estava lindo e a mata prateada repleta de luz. Passavam por entre as árvores seguindo uma trilha antiga. O cheiro das árvores era forte, os pássaros e seus cantos diferenciados deixavam o ambiente em festa. Pararam para comer e descansar próximo a uma fonte de água que encheram suas garrafinhas. Agradeceram e foram seguindo até o anoitecer, quando encontraram um local aprazível para dormir. Acederam uma fogueira e dormiram com o cansaço. Na manhã seguinte levantaram e foram seguindo até que depararam com uma onça-pintada, o pânico tomou conta dos dois. Ficaram sem mexer, a onça olhou para eles, cheirou, deitou em cima das mochilas e ficou até que abriu a boca rosnando para eles e foi embora. Com as pernas tremendo e agradecendo pelo livramento, seguiram andando.
No dia seguinte encontraram uma pequena aldeia indígena abandonada ainda com duas cabanas em pé. Entraram e resolveram parar ali para passar a noite. Fizeram o fogo, comeram e ficaram a conversar imaginando o modo de vida deles, a simplicidade em que viviam. Acordaram com crianças indígenas ao redor falando algo que não entendiam. As crianças riram e saíram correndo. Retornaram com dois índios que falavam a mesma língua deles que perguntaram quem eram, o que queriam, eles se explicaram. Os índios os alertaram sobre os perigos e pediram que retornassem para a cidade.
Os dois levantaram acampamento e seguiram o caminho de forma inversa, acabaram se perdendo no meio das árvores. Veio a chuva, o frio, comida acabando e eles andando em círculos. O medo, o frio, a fome, os bichos, as cobras, nem sinal de outras pessoas. Desespero, rezavam, rezavam muito. Estavam cansados e sem sinal de nada, já estavam tendo miragens, começavam ver a morte chegando. Era o sexto dia, nada da cidade. Caminhavam sem forças, mas não podiam parar. Oravam e imploravam uma luz a Deus.
Na noite do sétimo dia viram um brilho bem fraquinho no meio da floresta, com esperança seguiram em direção daquela luzinha até encontrarem uma casinha de barro.
Abriram a porta bem devagarinho, não havia ninguém, somente uma mesa com uma Vela, uma Vela acesa.
Ana Amelia Guimarães

Ante o perigo, o medo ou a escuridão mantenha a calma, pois Deus lhe mostrará uma luz. Pode não ser uma lanterna a lhe guiar, mas seja luz de fósforo ou de vela, a luz sempre vence as trevas. Bom texto, Ana Amélia, parabéns!
Em toda a criação Divina se encontra o que estamos buscando. A fé, a gratidão, o acreditar em si e no poder de Deus, sem jamais perder a esperança, uma Luz virá, com certeza. Grata pela sua mensagem. Abraços.
Que história poderosa e emocionante!
A narrativa consegue prender a atenção do leitor do início ao fim, transformando uma simples viagem em uma jornada de profunda introspecção e sobrevivência. É uma história que nos lembra que, muitas vezes, é preciso se perder completamente para, de fato, se achar. Parabéns pela escrita instigante!Adorei.amiga!