A Terapia Comunitária Integrativa e o lugar da pessoa humana

fotoDesde ontem, venho pensando em uma frase de Adalberto Barreto, que afirma que “geralmente atribuímos as nossas competências a um curso que fizemos, ou a um livro que lemos, mas não à nossa própria vivência.” Esta frase me toca de maneira muito forte.

Creio que, de alguma forma, ela pode ser vista como um eixo fundamental da Terapia Comunitária Integrativa. Esta frase nos repõe como sujeitos ativos da nossa história. Gosto de pensar que a TCI é um sistema integrado, cuja finalidade é trazer a pessoa de volta para ela mesma.

Isto tenho visto na minha própria experiência, isto é: sinto que na TCI, desde o começo do meu contato com ela, e até o dia de hoje, encontrei o meu lugar. Esse lugar é um lugar dentro de mim mesmo, e se refere à minha identidade, o saber quem sou, o amar a mim mesmo, e ao mesmo tempo, é um lugar no mundo, um lugar em um espaço de relações e afetos, constituído por minha família, a rede de TCs de que faço parte, o mundo em volta.

Há algumas perguntas que nos fazemos nos cursos de formação em TCI, que sinto estreitamente ligadas a esta finalidade, de me trazer de volta ao ser que eu são. São elas: “Quem é você?”, “De onde vem a sua força?”, e “Como o que faço se insere na minha história de vida?”.

Estas perguntas abrem um espaço. Elas me tem como autor. Sou eu quem define o que eu sou, ou quem eu sou. Também sou eu quem vai definindo de onde vem a minha força. E também sou eu mesmo quem vai decidindo de que forma o que faço está inserido na minha história de vida.

Nestes dias, venho refletindo insistentemente e em profundidade, sobre a TCI como um espaço para ser. Um lugar para ser o ser que sou, o ser que cada um, cada uma de nós, é. Sei que vim me encontrar mais comigo mesmo, a partir do momento em que fui me incluindo nas rodas da TCI, e nos encontros de formadores, nos cursos de formação em TCI, nos congressos da TCI.

Isto foi compondo um espaço de auto-reconhecimento. Sei que há espaços em que posso ser eu mesmo. Nesses espaços, não sou julgado. Nessas reuniões e encontros, nessas já tantas rodas, o que vai vindo a tona, é o meu pertencimento.

Eu faço parte de uma rede que se estende pelo Brasil, lugares determinados que guardam memórias de pessoas queridas e descobertas que fui fazendo. Foi se compondo um rosário que me contém. Cada um desses lugares e encontros, me traz lembranças de outras pessoas e de mim mesmo.

Também esta rede tem ido se estendendo ao ponto de hoje incluir Uruguay, Argentina, Venezuela, Bolívia, Chile, Equador. Há pessoas que conheço, em cada um destes lugares. Estas pessoas tem um significado especial para mim, cada uma delas.

Muitas vezes, nestes dias, e em outros dias também, lembro destas pessoas e lugares. E vejo como eu, que sentia que era uma espécie de exilado perpétuo, hoje tenho raízes e afetos em tantos lugares. Sei que a TCI tem um papel especial nisto.

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