A participação das mulheres no pós-pandemia é indispensável para uma recuperação igualitária e sustentável

Nesta terça-feira (23), durante a inauguração da Sexagésima Reunião da Mesa Diretiva da Conferência Regional sobre a Mulher da América Latina e do Caribe, autoridades e funcionários internacionais concordaram que a plena participação das mulheres nas estratégias de saída da crise derivada da pandemia da COVID-19, com ênfase na sua inclusão digital e na construção de uma sociedade do cuidado, é indispensável para uma recuperação igualitária e sustentável na América Latina e no Caribe.

A reunião, que ocorreu entre os dias 23 e 25 de fevereiro, contou com a participação das vice-presidentes da Colômbia, Costa Rica, Equador e Uruguai, além de Chanceleres, Ministras da Mulher e autoridades dos mecanismos para o avanço das mulheres, entre outros representantes, é organizada pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), que atua como Secretaria da Conferência, em coordenação a ONU Mulheres.

Na sessão de abertura discursaram a secretária-executiva da CEPAL, Alicia Bárcena; a diretora regional da ONU Mulheres para as Américas e o Caribe, María-Noel Vaeza; e a Ministra da Mulher e da Equidade de Gênero do Chile, Mónica Zalaquett; na qualidade de presidenta da mesa diretiva da Conferência Regional sobre a Mulher da América Latina e do Caribe. Participou também, de forma especial, o Ministro de Relações Exteriores do Chile, Andrés Allamand.

A secretária-executiva da CEPAL recordou que a pandemia da COVID-19 revelou o caráter estrutural das desigualdades de gênero na América Latina e no Caribe e a forte exposição das mulheres aos impactos da crise. Somente no setor da saúde, fortemente pressionado pela pandemia, as mulheres representam 73,2% do total de pessoas ocupadas, com uma diferença salarial de 23,7% em relação aos homens. “Devemos impulsionar ações, políticas e alianças para proteger os avanços alcançados em termos dos direitos das mulheres, evitar retrocessos e promover uma recuperação transformadora com igualdade de gênero”.

“Para isso, é urgente avançar em três frentes de forma simultânea: fortalecer a institucionalidade de gênero na resposta à pandemia, consolidar os sistemas de informação de gênero e assegurar recursos suficientes para as políticas de igualdade”, acrescentou. Essa estratégia deve considerar a inclusão digital e a construção de uma sociedade do cuidado como bases indispensáveis, afirmou a secretária-executiva da CEPAL.

A diretora regional da ONU Mulheres para as Américas e o Caribe disse que “somente com a participação efetiva das mulheres, tanto na política, como na economia e no social, nossa região sairá exitosa dessa crise”, e destacou a Consulta Regional Intergovernamental anterior ao 65º Período de Sessões da Comissão da Condição Jurídica e Social da Mulher (CSW65) que será realizado durante a reunião. “Nossa região terá uma voz conjunta, moderna, uma voz que sai de Santiago para dizer onde a mulher deveria estar para alcançar uma democracia paritária”, enfatizou.

Na mesma linha, a Ministra Mónica Zalaquett afirmou que “é indispensável que todas as iniciativas e estratégias de resposta, recuperação e reativação assegurem a participação das mulheres em todos os âmbitos e níveis e que tenham uma clara perspectiva de gênero”. “Temos visto como a cada dia mais países da região tomam essa direção, usando sua criatividade, flexibilidade e resiliência para impulsionar a Agenda Regional de Gênero, apesar do atual contexto adverso: esforços fiscais direcionados às mulheres, modificações legislativas para impulsionar sistemas de cuidados integrais, campanhas de corresponsabilidade, estratégias para reduzir a brecha digital e o uso de ferramentas tecnológicas para aproximar os serviços de atendimento à violência contra as mulheres são apenas alguns dos exemplos”.

O Ministro de Relações Exteriores do Chile, Andrés Allamand lembrou que há cerca de um ano, a XIV Conferência Regional sobre a Mulher da América Latina e do Caribe foi realizada na sede da CEPAL em Santiago, Chile, e naquela época ninguém dimensionava os desafios que teriam de ser enfrentados na região e no país. “Já nesse contexto, avançar no conceito de ‘autonomia das mulheres em cenários econômicos em mudança’ e adotar o Compromisso de Santiago foi muito significativo, e talvez pioneiro, uma vez que suas conclusões são mais atuais do que nunca. A Conferência Regional e sua Mesa Diretiva são plataformas que permitem impulsionar a coordenação, a cooperação regional e a implementação dos acordos alcançados com novos ímpetos e vigor”, afirmou.

Durante seu discurso, a secretária-executiva da CEPAL alertou sobre o aumento da pobreza e a sobrecarga de trabalho não remunerado entre as mulheres. Segundo ela, a crise gerou um retrocesso de mais de uma década nos avanços alcançados em termos de participação no mercado de trabalho das mulheres. “É urgente avançar para uma redistribuição social do cuidado e impulsionar a economia do cuidado como um setor dinamizador para a recuperação com igualdade”, afirmou.

“Para enfrentar a crise com um horizonte de igualdade e sustentabilidade, são necessários pactos sociais, políticos e econômicos que garantam o cuidado como um direito, incluam uma fiscalidade redistributiva, uma provisão de bens e serviços públicos de qualidade e um aumento do investimento com diversificação produtiva de um enfoque de gênero e interseccionalidade. E isso só é possível por meio de amplos diálogos e alianças, com plena participação das mulheres, que nos permitam avançar para a implementação efetiva da Agenda Regional de Gênero e da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”, concluiu.

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Fonte: Nações Unidas – Brasil

(25-02-2021)

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