A Ministra falou, mas será que disse…

Foto: Agência Brasil/EBC.
Foto: Agência Brasil/EBC.

A Ministra Carmen Lúcia deu lúcida entrevista ao jornal O Globo afirmando que sem liberdade de imprensa não há democracia. Tem toda razão a ilustre magistrada, mas fazer tal afirmação ao dito jornal, data maxima venia, não caiu bem.
O Globo é a negação do que se pode imaginar como imprensa livre. É um jornal que, juntamente com o Estado de São Paulo e a Folha de São Paulo, atua, sem pudores, ou atuam todos, como partido político da classe dominante. A sua Exª não repudiará a referência à classe dominante, pois a lição de Marx hoje está consagrada, pelo menos como crítica ao capital universalmente reconhecida.
A Drª Carmen Lúcia certamente não desconhece o que dizem importantes articulistas de nossa melhor imprensa sobre os métodos do Globo para afirmar-se no contexto jornalístico do Brasil, e como desenvolve sua, data venia, daninha influência nos setores políticos, a quem serve, e como serve…
Excelentíssima Ministra, presidenta do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça, a primeira mulher, se bem me lembro, a exercer tão importantes cargos, seria muito bom que V. Exª meditasse um tanto e escolhesse melhor os veículos de suas ilustres e oportunas declarações. Ou será que somos nós do povo que não entendemos a fina ironia de V. Exª ao utilizar aquele jornal para falar de liberdade de imprensa…
Desculpe, Excelência, mas o povo, como nós, na sua sinceridade, muita vez não entende o tom irônico da fala da autoridade. Por favor, Excelência, fala mais diretamente…
(*) Miguel Baldez é procurador aposentado do Rio de Janeiro e assessor de movimentos populares.

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