Viva Cristina

Li, no Globo do dia 02 de novembro, ritual a que me obrigo diariamente na inevitável procura de informações, duas notícias que me chamaram a atenção por ser cada uma, em tese, a negação da outra, numa delas o regozijo do colunista pela parceria entre os órgãos de repressão da União e dos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo para combater e desarticular a ação do povo nas ruas daquelas cidades, o que vem acontecendo desde o mês de Junho deste ano de 2013, data, por isso mesmo, inscrita de vez na história do Brasil, sem esquecerem-se as demais cidades de gente nas ruas e praças em importante revivescência democrática da campanha pelas diretas já.
Com o objetivo de criminalizarem e punirem os black blocs, fundados numa lei cuja razão é a violência, o que pretendem, eles sim mascarados de fantasmas de épocas passadas, é impor ao povo, sob o pretexto de protegê-lo, regras coercitivas de nítida inspiração fascista.
O que são ou significam os black blocs se não uma tática de enfrentamento de quem apanhou a vida toda dos poderes institucionais. Assim se lhes negaram tudo a vida toda, se só lhes deram desprezo, abandono, polícia e porrada, se no revide histórico passa, nem sempre ressalve-se, uma que outra ação violenta, entendê-la como ato também histórico de legítima defesa não será demasia nem, tampouco, uma aberração política ou jurídica.
Quanto à outra notícia, valeu como um raio de luz, embora tênue, vindo lá do Ministério Público de São Paulo. Todos lembramos a violência praticada pela policia de São Paulo, no despejo de moradores do Pinheirinho.
Pois o Globo, sem dar o destaque que a notícia merecia, mostrou, na mesma edição, a denúncia que o digno promotor do MP de São Paulo fez contra o coronel da polícia militar que comandou aquela sórdida operação, da qual participaram “quase dois mil homens armados com metralhadoras, cassetetes, bomba de gás e equipamento de spray de pimenta. Foram usados dois helicópteros, 40 cães, 100 cavalos”, conta o Globo, e, sem tirar a máscara institucional que o poder lhe dá, registra, ainda, que advogados e defensores públicos, ao tentarem intervir a favor dos moradores, “foram recebidos com bombas de gás e tiros de borracha”.
Se é assim – e sempre foi – a prática oficial, então quem reage, protegido ou não com mascaras, contra a costumeira e brutal repressão, age, juridicamente, em legitima defesa deste humilhado povo pobre do país.
E o título? “Viva Cristina” nada tem a ver com o dito neste artigo, dirão vocês. Realmente não tem, mas é uma homenagem à presidenta Cristina Kichner pela coragem demonstrada ao acabar com o monopólio do jornal Clarin, comparável, na Argentina, ao Globo ou ao Estado de São Paulo ou a Folha de São Paulo, aqui no Brasil. E a presidenta do Brasil, dona Dilma Rousseff? Que inveja dos argentinos…

Um comentário sobre “Viva Cristina”

  1. Baldez, Baldez, meu professor na faculdade, tão vivido, mas tão…
    O tal movimento que ele legitimou como revide histórico daqueles que só apanharam, vejam só, mataram um jornalista.
    Uma nota do professor pedindo reconhecendo o erro e a canalhice de seu texto seria ato de grande fineza.
    Um pedido de perdão à Viúva daquele que, intelectualmente, teve a morte legitimada pelo professor também seria valida, não acha?

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