
Pois a Vênus Platinada
Que faz tudo por dinheiro
Traz o voyerismo sádico
Desse Grande Irmão caseiro.
Como a choldra na arena
Imolam seu corpo em cena
Qual um folguedo nefasto.
Gladiatura romana
Oferecem carne humana
A cada novo repasto.
No jogo televisivo
Simulando a Roma antiga
Ratos de laboratório
São difusores de intriga.
Ali grassa a intolerância
Regada a ignorância
Incerteza e exclusão.
Lavoura metodológica
Até mesmo escatológica
Para a desinformação.
O Grande Irmão tudo vê
Onipresente controla
E a distopia renasce
Confinada na gaiola.
Esses lamaçais sombrios
Disseminam fake news
Precedendo o linchamento.
No caldo conceitual
A construção social
Para o desconhecimento.
O pão e circo de horrores
Ninho de alienação
Estimula o narcisismo
Promove a degradação.
Conflitos, toxicidade
Margeiam a insanidade
Do racismo que diverte.
É como expor no vitral
Darwinismo Social
Para uma plateia inerte.
Pra quem usa azul-marinho
O drama raso no peito
É tese sociológica
É diversão, é conceito.
Seria a crítica elitista
E o BBB a conquista
Para um debate de massa.
Que o programa, na verdade
Espelha a sociedade
Que é racista e devassa.
O certo é que a humanidade
Traz o desejo na veia
Desde os tempos mais remotos
De espiar a vida alheia.
Vem desde a revolução
De sua cognição
Isto a 70 mil anos.
Desde então somos assim
De mungangas e pantim
Esquisitos e insanos.
Martim Assueros, 25/01/2026
Bacharel em Ciências Sociais, ambientalista e poeta.
