UPP aumenta problemas na Baixada Fluminense

Migração de cariocas atingidos pelo aumento do custo de vida eleva preços na região e prejudica serviços públicos como Saúde, Educação, Segurança e Transporte

Por Cris Pinheiro, Elaine Fernandes, Lu Brasil e Thiago Ribeiro

Em 2008 ocorreu a primeira instalação de uma Unidade de Policia Pacificadora (UPP) no Rio, na favela Santa Marta, na Zona Sul. Desde então, tem acontecido uma grande mudança geográfica e transformações sociais na cidade.

O projeto das UPPs tem como finalidade instituir policiais comunitários dentro das favelas para desarticular quadrilhas, tráfico de drogas e facções que controlam o território. Também declara que pretende estabelecer boas relações com os moradores, com o objetivo de levar paz para a favela. No entanto, as Unidades instaladas nas favelas exercem o controle social, prejudicando muitas vezes o direito de ir e vir nesses territórios.

Os moradores, em algumas ocasiões, correm risco de morte a cada ação da polícia e sofrem com abusos de autoridade. Outra consequência foi a entrada de serviços privados ou sua regularização como serviços de água e esgoto, luz, telefonia, gás e outros. Segundo o presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro, também presidente da Light, o furto de energia elétrica na favela Santa Marta foi reduzido de 70% para 1%. Ou seja, aumentou o custo de vida de quem já tem pouco para se manter vivo.

As UPPs na Baixada

Atualmente a instalação da UPP chegou até a favela Mangueirinha, em Duque de Caxias. Essa foi uma das poucas favelas que receberam a instalação do projeto Companhia Integrada de Segurança Pública (Cisp), em que são instaladas câmeras de segurança nas unidades pacificadas para melhor monitoramento.

Mas algumas mudanças na rotina dentro de favelas em Duque de Caxias aconteceram mesmo antes da chegada da UPP. Muitos dos traficantes das favelas pacificadas fugiram para a Baixada ou originaram novas favelas dominadas pelo tráfico, como relata Anara Teixeira, moradora de Belford Roxo.

Uma moradora do Parque Vila Nova, localizado no centro de Caxias, popularmente conhecido como Favela do Lixão, afirma: “A segurança que tínhamos dentro da favela não existe mais. Ocorre uma mudança constante de traficantes, muitos deles desconhecidos que vêm das comunidades com UPP. Isso influencia na ordem que antes a favela tinha e agora a comunidade não sabe como lidar. Existe ainda o medo de a qualquer momento acontecer conflito entre eles, mesmo que da mesma facção”. A moradora, que prefere não se identificar, conta que parentes de outras localidades, como Belford Roxo, também reconhecem o impacto da mudança, como o surgimento de novas favelas e a frequência de assalto.

Remoções superlotam áreas distantes

Além da falta de segurança, as remoções também têm impactado a Baixada Fluminense. Devido ao aumento do custo de vida no centro da cidade e com a valorização dos imóveis causada pelas UPPs, muitas famílias têm ido para bairros distantes, como Duque de Caxias, São João de Meriti e outros. A superlotação da região tem causado um péssimo funcionamento dos serviços públicos como: saúde, educação, transporte, outros.

Anos 50: Baixada recebe milhares de nordestinos

Na década de 1950, vieram para o Rio migrantes de diversas partes do país, especialmente do Nordeste. Eles buscavam trabalho e melhores condições de vida. Como viver no Centro estava caro, se instalaram na Baixada.

A falta de infra-estrutura fez com que muitos dos trabalhadores e trabalhadoras construíssem suas casas com as próprias mãos e através de mutirões.

O deslocamento entre a casa e o trabalho no Centro do Rio causava um desgaste físico e mental muito grande. Por isso, os moradores da Baixada foram criando suas formas de lazer, aumentando o vínculo com seus locais de moradia e reforçando o sentimento de pertencimento.

 

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Um comentário sobre “UPP aumenta problemas na Baixada Fluminense”

  1. Parabéns pelo excelente texto. Sou moradora de São João de Meriti e testemunha de que o surgimento das UPPs no Rio só fez aumentar a violência na Baixada Fluminense. A impressão que fica é de que os traficantes apenas são convidados a mudar de lugar, muitos deles tendo migrado para a Baixada. Se a violência já existia na região, agora ela aumentou consideravelmente.

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