Existe no Brasil uma enorme dificuldade em se debater temas que vão na contramão dos interesses dos grandes. Seja ela reforma política, democratização da mídia, taxação de grandes fortunas ou qualquer outra medida que vá de encontro às bases do sistema, comandado pelos poderosos.
Para que se avance algum passo, é preciso ser estratégico, pragmático e na maioria das vezes fazer um gancho nas contradições dos governos liberais do passado. Enquanto o debate não for claro, nem passado pela grande mídia com todos os fatos reais, vamos remando em meio a tsunamis, sem conseguir escapar de negociatas e medidas pragmáticas que dificultam a decolagem do governo e consequentemente do país.
A Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) é um desses casos. Voltando um pouquinho na história, a gente pega mais uma contradição dos que não têm interesse nenhum em colaborar com o país e sim torcer contra para, quem sabe um dia, voltar ao poder.
A CPMF entrou em vigor 1997, no governo FHC, em substituição ao Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF), que havia sido criado no governo Itamar quando Fernando Henrique então era Ministro da Fazenda. O imposto tinha como objetivo substituir o imposto de renda, pois apresentava alto poder de taxar as grandes fortunas. Em 1999, o imposto era destinado à Previdência Social e ao fundo de Combate e Erradicação da Pobreza (é até engraçado ler Erradicação da Pobreza relacionada à FHC).
Em 2007, com Lula na presidência, o Senado rejeitou a proposta de continuidade da CPMF até 2011. Os Senadores do PSDB e DEM foram unânimes na votação contra, somados a uma parte do PMDB.
Apesar de soar, principalmente, como mais uma forma de taxar o povo, o que muitos não sabem é que a CPMF é um imposto eficaz de combate à sonegação. O imposto permite que a Receita Federal cruze informações de pagamentos da CPMF, realizados por meios bancários, declarados por empresas e indivíduos. Além disso, o valor taxado é proporcional ao valor da transação, o que derruba a teoria de que seria altamente prejudicial aos assalariados.
Mas o engraçado disso tudo é a molecagem e a contradição da oposição. Ontem, no discurso da Presidenta Dilma no Congresso, quando ela falou da importância da volta da CPMF e do esforço necessário que cada parlamentar deve fazer para alavancar a saída da crise, o que se ouviu foram vaias, risos e uma porção de plaquinhas sendo levantadas contra o imposto. Eram eles, os mesmos que apoiaram o imposto nos governos do PSDB. Ou seja, não existe compromisso com o país, muito menos com o povo. Não existe debate sobre novas fórmulas e projetos para o crescimento e desenvolvimento.
Concluindo, se são eles no poder, aprovam. Se não for, derrubam. Mas, independente disso, o deboche, além de ser uma atitude machista, tem clara intenção de minar o debate. E com essa conduta, que mistura falta de educação com falta de compromisso, os representantes da república fizeram do Congresso um Maracanã: com direito a torcida organizada pronta para fazer qualquer coisa que seja contra o governo, independente de ser importante ou não ao Brasil. O que prova mais uma vez que aqueles rapazes não estão ali pelo Brasil e sim para tocarem seus negócios.
