Uma notícia ruim, outra boa…

Amigos avisam que o jornal Extra, das Organizações Globo, está demitindo. Pior: os repórteres agora têm sido obrigados a fotografar e filmar, além de escrever. É o conceito Globo de “multimídia”: multiescravo. Mas ainda piora: as pautas estão ficando cada vez mais superficiais e o que sobrava de Jornalismo vem sendo bombardeado; nada de ter mais que um dia para apurar, pesquisar e escrever.
É uma pena, porque apesar dos pesares, o Extra ainda destoava do resto do que se pretende imprensa das OG. De um lado, muitos jornalistas experientes no olho da rua, sem emprego, por não se encaixarem no novo “perfil” do jornal.
Perdem os trabalhadores da notícia, perdem os leitores, perde a sociedade como um todo. Ganham os donos da Globo, a lógica empresarial, o capitalismo selvagem.
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A boa notícia é que a Caros Amigos foi a grande vencedora deste ano na categoria REVISTA do prêmio Vladmir Herzog. Tatiana Merlino, editora adjunta, assina a reportagem “Por que a Justiça não pune os ricos”, escolhida por decisão unânime do júri. As revistas Época e Na Mão Certa receberam menção honrosa.
> Lista dos premiados: http://vladoherzog.blogspot.com
Ao escolher a reportagem da Tatiana, o júri não apenas homenageia uma pessoa e uma revista. A vitória da Caros Amigos é o reconhecimento do Jornalismo com J maiúsculo. É o reconhecimento da importância de levar até os leitores temas relevantes, dizendo o que é preciso ser dito, sem meias palavras, sem auto-censura ou censura político-econômica. É descobrir um assunto que merece ser publicado e publicá-lo, com profundidade, esmero e o foco sempre no interesse público.
E o mais importante de ser dito: quase todas as reportagens da Caros têm o mesmo nível Jornalístico desta, ao contrário de muitas publicações que desinformam 364 dias no ano e liberam os repórteres para trabalhar no outro (justamente desse dia saem as matérias inscritas em prêmios).
Outra prova de que estamos no caminho certo é o aumento sensível das vendas (só no Rio, este ano, crescemos cerca de 30%), enquanto os jornalões vem perdendo espaço. O IVC registrou queda de 20% de circulação do Globo na última década. Folha, Estadão e O Dia também perderam circulação. Segundo o Comunique-se, “em abril o setor faturou R$ 246,9 milhões, 17,1% menos que no mesmo mês do ano passado. Nos quatro primeiros meses deste ano, a queda acumulada é de 9,2%”.
Parabéns à Caros Amigos e obrigado a todos os leitores que fazem da revista um dos grandes veículos Jornalísticos do Brasil.

5 comentários sobre “Uma notícia ruim, outra boa…”

  1. Sou leitor assíduo da Caros e gostaria de parabenizá-los, além de dizer que sim, estão no caminho certo. E gostaria de propor uma correção: a notícia boa não é que a Caros ganhou prêmio (uma obviedade) mas sim que a Caros está crescendo em público.
    Torço pela revista!

  2. Pingback: Algumas da mídia gorda « A Lenda

  3. Por que o FM, como agora um ponto de mídia alternativo, não bola uma forma de colocar na praça, restrito inicialmente ao município do Rio de Janeiro, um jornal (revista) semanal, ao mesmo tempo informativo e crítico? Sinceramente, quem compra jornal se informa para se entreter. Há métodos criativos de utilizar o entretenimento como meio de informação. O Rio de Janeiro precisa de um impresso assim.

  4. A Caros Amigos realmente é show. Não encontrei nenhuma outra como esta. Todos vocês desta revista estão de parabens. Quando vou para comprá-la, e compro todo mês, sei que não estou jagando dinheiro fora.
    Continuem assim.

  5. Parabéns a Caros Amigos e parabéns ao leitor brasileiro que está tomando coragem para desbitolar sua cuca antiquada e reacionário. À internet, um brinde como agradecimento a seu potencial democratizador. Feliz Natal a todos e se lembrem, o aniversariante busca o amor, a paz, a não-idolatria e a divisão dos bens entre os seres humanos. “O primeiro comunista”, disse Chávez ao Roda Viva, “e o primeiro capitalista foi Judas IScariotes, que o vendeu por doze moedas”. Viva a Caros, viva a revolução na mídia, e abaixo (e estão indo) as Revistas Iscariotes (vixe-vixe!)

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