Uma chacina, um palanque e o ano de eleições

Por Leonardo Sakamoto

O ministro do Desenvolvimento Social Patrus Ananias participou da inauguração de cozinhas comunitárias construídas com recursos dos governos federal e municipal em Unaí, no Noroeste mineiro. O evento, que juntou algumas centenas de pessoas, deve ter ajudado a somar pontos na sua disputa com o correligionário Fernando Pimentel pela cadeira de candidato do PT ao governo de Minas Gerais.

As cozinhas comunitárias produzem refeições para pessoas em situação de insegurança alimentar e também servem para gerar renda e trabalho. Por isso, não é o programa que está sendo criticado aqui neste post e sim o estranho mundo da política. Patrus foi recebido e dividiu palanque com o prefeito Antério Mânica, eleito e reeleito pelo PSDB. Até aí, tudo bem. O problema é que ele, junto com o irmão Norberto, são acusados de serem os mandantes da Chacina de Unaí, quando quatro funcionários do Ministério do Trabalho e Emprego foram assassinados durante fiscalização em fazendas da região. O caso ganhou repercussão na mídia nacional e internacional, mas ainda ninguém foi condenado pelo crime. Os Mânica figuram entre os maiores produtores de feijão do mundo.

“Estamos acabando com a fome no Brasil”, disse o ministro segundo o jornal o Estado de S. Paulo. “E isso é uma conquista histórica. Não é uma conquista só do nosso governo federal. Não é uma conquista apenas do presidente Lula. Não é uma conquista apenas do nosso Ministério do Desenvolvimento Social. É uma conquista da sociedade brasileira.”

Uma agricultura sólida é importante para acabar com a fome no país. Mas ela deve crescer em respeito aos trabalhadores e não a despeito deles. Enfim, sorriam! A campanha política não começou, mas já começou. Por isso, vale tudo, inclusive sorrir ao lado de réu de chacina. O importante é não olhar para trás nunca. E sempre deixar as coisas pra lá, ainda mais em ano de eleições gerais.

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