Trilogia para uma pedra na Serra do Teixeira

Pra quem olha da Pedra do Tendó
A imponente paisagem se derrama
Singular feito as obras do deus Brama
Mais bonita que as telas de Miró
Tão suave qual véu feito em filó
Que o chão da caatinga azuleja
Não há mesmo ninguém que um dia a veja
E não fique absorto, extasiado
Jamais ouse morrer sem ter mirado
Esta quase miragem sertaneja.

Esta rocha aflorou planície acima
Numa encosta da Serra do Teixeira
Pra quem olha do topo, da cimeira
O fulgor da mais nobre obra prima
Um espectro de luz vibrante e fina
Qual safira em um quadro rococó
Tão macia qual trilha de trenó
Calmaria em pleno alto-mar
Nunca morra sem antes contemplar
A paisagem da Pedra do Tendó

Do Tendó, o jardim do paraíso
Aos meus olhos, à frente da escarpa
Na minha alma o soar de uma harpa
Harpejando seu toque mais preciso
O azul da Espinharas sintetizo
Na mais linda visão que já tivera
Esse azul que de cima reverbera
Sensações de extrema alegria
Se morresse sem vê-la voltaria
Pra que a vida não fosse uma quimera

Martim Assueros

 

Imagem: Destino Paraíba/Imprensa/Calendário de Eventos, 26-9-2019
https://www.destinoparaiba.pb.gov.br/agenda/pedra-do-tendo-em-teixeira-recebe-a-quarta-etapa-da-rota-cultural-som-nas-pedras-neste-sabado-28/

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