Três rapazes gays são espancados por seguranças da Banda de Ipanema, no Rio

Neste sábado, 19 de janeiro, começava debaixo de chuva mais uma edição da Banda de Ipanema, famoso bloco do Carnaval do Rio de Janeiro. Mas a noite não acabou nada bem, pelo menos para Alexandre Bortolini, 27 anos, Leandro Lopes, 31 anos e Gabriel Bortolini, 19 anos. Os três foram violentamente agredidos por seguranças da própria Banda de Ipanema.

Como em todos os eventos, ao redor da orquestra, um cordão de seguranças acompanha o desfile. “Os seguranças sempre empurram as pessoas para que o bloco ande, mas eles começaram a machucar mesmo as pessoas, imprensando todo mundo”, conta Alexandre. Nesse momento Gabriel Bortolini teria começado a reclamar com os seguranças, junto com outras pessoas. “Ele se exaltou um pouco mais – as pessoas estavam se machucando mesmo – e um segurança acabou dando um empurrão nele. Quando ele reagiu o segurança avançou pra cima dele”.

Daí para frente Alexandre descreve uma atitude incompreensível. “Veio um, dois, três, seis, oito, vários seguranças começaram a espancar o meu sobrinho. Quando tentei me jogar na frente dele para tirá-lo dali, os seguranças começaram a me agredir violentamente. Foram socos, pontapés, chutes, tudo o que você pode imaginar”. O companheiro de Alexandre, Leandro Lopes, 27 anos, conta que, quando foi tentar falar com um dos seguranças para que parassem de bater, a única resposta foi um soco violento no rosto, que o atirou à distância e deixou sua vista ensangüentada.

Segundo os três rapazes, a reação dos seguranças foi completamente despropositada e incompreensível. “Eles batiam na gente não como quem quer controlar um tumulto nem nada. Batiam de uma forma enlouquecida. Pareciam que queria nos matar ali”, conta Alexandre. “Quando a confusão acabou eu ainda passei uns cinco minutos gritando desesperadamente para tentar encontrar o meu namorado e o meu sobrinho. Tinha cada um ido parar num canto”. Uma das testemunhas contou que foliões revoltados com a covardia xingaram e discutiram ainda com os seguranças.

Os jovens procuraram os policiais presentes no evento, mas só conseguiram ser realmente atendidos pelo comandante no local, depois de passarem por vários PMs, já 40 minutos depois do ocorrido, quando a Banda já tinha encerrado o desfile. O chefe da segurança da Banda de Ipanema foi chamado e apresentou um suposto grupo de seguranças para reconhecimento. “É claro que naquela hora os seguranças que agrediram a gente já não estavam mais ali”.

Os três rapazes registraram a ocorrência na 14° DP, no Leblon e seguiram para atendimento médico e exame de corpo de delito. Os três estavam com escoriações por todo o corpo, feridas no rosto e sangramento na perna e no nariz. Leandro teve de ser levado com urgência para atendimento médico pelo machucado na vista.

Fernando Carvalho, 47 anos, que se apresentou como representante da Banda de Ipanema e responsável pela segurança, também foi arrolado no processo. Duas testemunhas que estavam no local se ofereceram e acompanharam os rapazes à delegacia.

O Superintendente Estadual de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos da Secretaria de Ação Social do Governo do Estado, Cláudio Nascimento, foi notificado do fato e apoiou os rapazes mesmo à distância.

Leandro é professor de Literatura, Gabriel é estudante e Alexandre coordena um projeto que realiza oficinas sobre diversidade sexual na escola com educadores. “O bloco é notoriamente freqüentado por homossexuais, mas a organização oficial nunca reconheceu esse fato. Parece mesmo que eles não gostam de ter gays e lésbicas na Banda”, afirma Alexandre. “Depois do que aconteceu nós falamos com várias pessoas da organização e ninguém fez absolutamente nada. Alguns reagiram ironicamente mesmo.”

Este não é o primeiro registro de situações de violência na Banda de Ipanema. E talvez não seja o último.

Um comentário sobre “Três rapazes gays são espancados por seguranças da Banda de Ipanema, no Rio”

  1. Deveria haver uma lista negra de seguranças ignorantes sem nenhum “dom” para esse trabalho, envolvidos em casos assim, e claro sempre consultada e alimentada pelos organizadores de eventos. Medida pequena, mais que os faria pensar antes do instinto animal!

Deixe uma resposta