Três contos

zz6c34f8d9Hoje li alguns contos de Machado de Assis.

“O escrivão Coimbra,” que tinha começado já, “O caso da vara” e “O dicionário.” O primeiro, em Relíquias de Casa Velha. Os outros dois, em Papéis Recolhidos. Tinha já estado lendo livros deste autor dias atrás, desfrutando do encaixe entre o que lia e o que vivia.

Essa simetria íntima que vai me incluindo nesses mundos que vou reconhecendo como meus na medida em que vou me internando neles. Marco com um lápis as frases mais originais, as figuras de linguagem mais criativas. Vou e deixando ir para esse lugar que me acolhe. Atravesso uma parede transparente, fina e translúcida, uma folha de livro que escrevo e na qual me leio.

Destas imersões vou vindo mais inteiro, mais integrado em um universo atemporal no qual tudo que vivo hoje já existiu antes, e ainda assim continua a existir e é novo. Diria de “O escrivão Coimbra,” que admirei a arte do autor, em mostrar os sentimentos mais íntimos, as imaginações e desejos da personagem, de tal modo que podia eu me reconhecer neles.

No “O caso da vara,” desfrutei de um tempo antigo no Brasil, em que uma mulher dirigia o trabalho de umas jovens tecelãs, e a personagem –um seminarista que fugia do seminário– vinha ali se inserir. Quando vi o título de “O dicionário,” não pude menos do que rir comigo mesmo. Essa palavra vem se apresentando à minha consciência, em um movimento de simplificação interna.

O conto vai em uma outra direção, mas o que me alegra e agrada, são estas convergências entre o interno e o externo. Tudo vai se compondo, se encaixando, compaginando. É um só mundo, e eu um nesse e com esse mundo. Como se estivesse plantado, integrado na realidade, e esta fosse ao mesmo tempo minha e interna, e externa e coletiva.

Deixe uma resposta