«Testemunhas de uma Igreja renovada para os tempos vindouros”

Movimento Internacional Somos Igreja (IMWAC) – International Movement ‘We Are Church’ (IMWAC) – Movimento Internazionale ‘Noi siamo Chiesa’ (IMWAC) – Movimiento Internacional Somos Iglesia (IMWAC)

Red Europea “Por la Reforma en la Iglesia”
Rede Européia “Pela reforma na Igreja” (EN/RE)
European Network Church ‘On The Move’ (EN/RE)
Rete Europea ‘Chiesa per la Riforma’ (EN/RE)

Roma, 9 de Outubro

Por ocasião do 50º aniversario da abertura do Concílio Vaticano II, o Movimento Internacional Nós Somos Igreja (IWAC) e a Rede Européia “Igreja pela Liberdade” são testemunhas e, ao mesmo tempo, esperam uma Igreja mais libre humana, construída sobre comunidades de cristãos profundamente comprometidos com os ministérios na Igreja e com a Justiça no mundo.

1. O Concílio Vaticano II touxe consigo uma profunda renovação da Igreja Católica, tanto em sua própria estrutura como na relação da Igreja com o mundo. A transformação da liturgia foi um dos frutos centrais e mais visíveis do Concílio, especialmente pelo uso das línguas vernáculas e por colocar na base da celebração a comunidade local. As constituições “Lumen Gentium” e “Gaudium et Spes” contêm definições da Igreja (agora vista como o Povo de Deus) e do valor do mundo secular e de como podemos ser cristãos nele.

2. A encíclica “Pacem in Terris”, escrita por João XXIII durante o Concílio e, de fato, quando já estava perto de morrer, debe ser considerada parte do conjunto da experiencia conciliar. Outras questões muito importantes foram propostas com novas perspectivas: o ecumenismo, o diálogo interreligioso, a liberdade de crenças e de consciencia. Esses dois documentos geraram especialmente o movimiento progresista que existe na Igreja hoje, e abriram as portas ao diálogo com o Magistério sobre todos os aspectos que fazem parte da vida dos católicos.

3. Durante os últimos cinquenta anos, desenvolveu-se uma tensão sobre a interpretação adequada do Concílio e sua aplicação às questões de cada momento. Tal tensão já se acha presente nos mesmos documentos conciliares: para uns, o Concílio pedia mudança significativa; para outros, a continuidade era importante.

4. Na realidade, mudança e continuidade não se excluem mutuamente. Durante o Concílio, foi firmado o chamado Pacto das Catacumbas por quarenta bispos, sob a liderança do Bispo Helder Camara (Brasil) e do Cardeal Lercaro (Bolônia) na Catacumba de Santa Domitila, em Roma, no qual se pedia uma Igreja centrada no serviço e nos pobres. Essas idéias se desenvolveram mais tarde sobretudo na América Latina como opção pelos pobres.

5. Como la Igreja oficial se tornasse mais resistente ao espírito do Vaticano II, muitos católicos encontraram uma maneira de trabalhar dentro da Igreja, sendo fiéis à mudança que eles julgavam ser o que o Vaticano II pretendía: uma Igreja colegiada e democrática; pluralismo e diálogo ao interno da Igreja; igualdade de gênero e aceitação da diversidade de orientação sexual; a ordenação de mulheres e de pessoas casadas para o serviço do Povo de Deus e não para reforçar um novo clericalismo; a separação Estado/religião, de modo a permitir uma recíproca autonomía e, ao mesmo tempo, um forte compromisso dos fiéis em favor da justiça e da paz. As mudanças. As mudanças promovidas por esse movimiento progresista tinham fincadas suas raízes no próprio Concílio, na realidade no Evanelho e na melhor tradição da Igreja, bem como nas necesidades pastorais do Povo de Deus.

6. Daí brota uma multiplicidade de iniciativas pastorais: as Comunidades de base; a celebração eucarística na ausência de padre; decisões tomadas em consciência sobre o controle da natalidade e a moral sexual; o apoio e também a crítica ao Vaticano e ao episcopado; a reclamação de justiça para as vítimas de abusos sexuais por parte de sacerdotes, punição para os pedófilos e para os que os acobertam.

7. Tanto no mundo laical em geral como na Igreja do Vaticano II, as pessoas têm direito à liberdade de expressão. Eis por que grupos de padres e de leigos têm-se organizado para expressar sua experiência do que significa ser católico, atualmente. A liberdade de expressão apóia-se na crença de que, se todos são escutados, maior é a possiblidade de se atender à voz do Espírito e escutar o eco do Evangelho. Silenciar peremptoriamente e, ao que parece, de forma arbitrária, as vozes de teólogos, teólogas, de religiosas e de pessoas responsáveis em geral corresponde a extinguir o sopro de vida na própria Igreja.

8. É assim que, quando na Áustria se proclama a Pfarrer Initiative ou na América Latina se desenvolve a Teologia da Libertação ou quando vemos as religiosas dos Estados Unidos que falam com liberdade, a partir de sua experiencia, e não apenas seguindo o que diz a doutrina oficial, ou vemos que o Concílio Católico Americano que escreve uma Carta de Direitos e Responsabilidades, e na Ásia e na África falam da necessidade de se definir a Deus e a Jesus, de um outro modo, a primeira reação deve ser a de escutar e a segunda, a de dialogar. Somente católicos interessados e comprometidos serão capazes de desenvolver tais iniciativas. Nossa resposta deve ser, antes, de gratidão do que de recusa; de esclarecimento antes que de censura; de discernimento, em todos os casos, não de ensurdecimento.

9. O Movimento Internacional Somo Igreja (IMWAC), formado por grupos progresistas de diversos países em todo o mundo, e a Rede Européia Igreja pela Liberdade, denunciam a perseguição contra nossos amigos e amigas, por respeitosamente levantarem questões partilhadas por milhões de católicos. Damos as boas-vindas a esta primavera emergente, um amanhecer que nos desperta, a partir do interior da Igreja, e esperamos a vida e a luz que trazem consigo. Quando ousamos o dissenso e a “desobediencia civil”, não o fazemos por autocomplacencia, mas por estarmos profundamente inquietos.

10. Eatamos em 2012, e ainda clérigos e laicos se acham definidos em termos de prevalência hierárquicas mais do que enquanto companheiros, membros, irmãos e irmãs. No Evangelho, não há qualquer justificativa para isto. Na verdade, São Paulo nos lembra que só pode haver Corpo de Cristo, na diversidade de membros, todos sendo necessários.

11. A Igreja institucional desenvolveu uma estrutura não democrática que mais se parece com o Império Romano do que com o Reino de Deus. É triste observar que o mundo em geral viu com mais clareza a necessidade da democracia e a igualdade que a Igreja se constrói a partir da mensagem de Jesus. No mundo laico, as decisões não democráticas não têm credibilidade, e são, na realiade, muito mais instáveis. A democracia não é contrária à natureza da Igreja, pois o Espírito foi dado a todos, e posto que a democracia não é uma voz majoritária sem restrições, sem diálogo respeitoso.

12. Em todas as democracias há distintos níveis de responsabilidade e o respeito aos direitos humanos e a todas as minorías constitui um DNA de uma verdadeira democracia e em particular assim debe ser para todo cristianismo.

13. Tudo isto é bem diferente do absolutismo monárquico. Numa verdadeira Igreja colegiada, a consciencia não é menos sagrada do que o Magistério. A monarquia entra em conflito tanto com a tradição do Evangelho da Igreja quanto com as exigencias pastorais do tempo presente. João XXIII lembrou-nos que nada há a temer do mundo laico e que não temos o direito de converter-nos em profetas de calamidades. A monarquia não tem direito por principio ou intrínseco dentro da Igreja. A colegialidade tem autoridade bíblica, conciliar e pastoral na Igreja. IMWAC e a Rede Européia Igreja pela Liberdade insistem em que a Igreja deve ser plural e inclusiva em suas estruturas e em suas políticas internas, e também em suas relações com o mundo.

14. Dirigimos algunas palabras aos nossos irmãos bispos que vão participar do Sínodo em Roma (7 a 28 de Outubro), para que considerem o diálogo com católicos que realmente desejam sentir-se parte da Igreja, ainda quando diferem em algunas questões. Isto é conforme, não apenas o Vaticano II e o Direito Canônico, mas ao Espírito e ao Evangelho. IMWAC e a Rede Européia “Igreja pela Liberdade” reunir-se-ão em Roma, em Dezembro de 2015, para celebrar o quinquagésimo aniversário do Vaticano II e para dar testemunho da vida que deu à Igreja, e de que a luz que nos ofrece nos guía rumo ao futuro. Nossa intenção não é a divisão ou o desacordo, mas a paz na Igreja. “Vejam como se amam un saos outros” foi sempre visto como o maior sinal de que somos uma comunidade de Cristo. Se perdermos isto, todos os demais sinais que imaginemos serão equivocados. Sem amor, perecemos; perdemos a Jesus Cristo; e nos distanciamos de Deus. Nenhum de nós quer que isto aconteça.

Trad.: Alder Júlio Ferreira Calado

Um comentário sobre “«Testemunhas de uma Igreja renovada para os tempos vindouros””

  1. SALVE-SE QUEM PUDER

    O islamismo aconselha ESPANCAR as mulheres e MATAR todo ser humano que não quiser se submeter ao islamismo. E adora a deusa Lua; o maior líder da maçonaria mundial ensinou que a maçonaria é uma religião que adora Lúcifer; no evento do Pentecostes não houve línguas estranhas e o batismo com o Espírito Santo não depende de língua estranha; basta ser cúmplice da Babilônia para sofrer as suas pragas. Retransmita aos seus contatos de Internet (e-mail, Twitter, Facebook) e/ou tire cópias e distribua. Se tiver constrangimento de retransmiti-lo me informe a sua lista de contatos de e-mails (seu e-mail ficará em oculto) que eu farei a sua vez. Pesquise na Internet digitando: oitavo rei apocalíptico lendo a primeira opção. Ten. Lauro Henchen.

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