Terapia Comunitária Intensiva

Neste já mais de ano e meio de confinamento

Proximidade da morte

Ficar em casa

Menos movimentos

O movimento foi o de ir para dentro.

Rodas de TCI de manhã, tarde e noite

Literalmente

Mergulho em profundidade

Intensidade.

Isto fiz porque senti com toda clareza

Que ou era isto, ou eu ia de encontro àquilo

Ou aquilo eternamente iria me atormentar

Deu certo.

Lembrarei para sempre destas jornadas

Rostos e palavras e gestos

Uma amorosidade irrestrita me acolheu

Voltei

Vocês salvaram uma vida

E se isto possa parecer algo dramático

Talvez seja, de fato.

Não sabemos nunca exatamente o que as coisas são

O que não posso deixar de dizer e digo já

Sem rodeios

É que agora necessito parar

Descer do carrossel

E voltar a andar a pé

Ou pelas nuvens

Por onde for.

Parar, parar, parar e parar.

A causa exige uma pausa.

Agora é apenas o viver

Chega de remexer

Voltar a olhar o que já vi até o cansaço

O avesso do avesso do avesso

Não é isto?

Ou será aquilo outro?

Afora refletir, é preciso ir

Seguir em frente

Ir e voltar, é certo

Mas ficar de preferência onde todo o tempo se reúne

Aqui e agora

Um aqui e agora robusto, crescido, sadio.

Preciso parar e paro.

Uma pausa

Isto para um artista

E toda pessoa é, se de fato está à procura de si mesma

Se não lhe basta a vida pré-fabricada e imposta

É um desafio

Uma vez que vivemos na intensidade

Mas a intensidade

Essa cidade que nos habita e habitamos

Também se recolhe.

Estes tempos de parar o tempo

Obrigatoriamente

Me fizeram olhar o tempo que passa como algo que não passa

A lua sobe pelo céu e não sei quando a irei ver outra vez

Ou se esta será a última vez

Espero que não

Mas o que eu sei da lua e das estrelas?

Muito pouco, a não ser que estão distantes e são belas.

 

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