
Tenho pena de morrer
Disse-me um dia Saramago
E não poder mais sentir
O sol me fazendo afago.
A areia branca da praia
O beijo quente de Gaia…
Nada mais poderei ver.
E lá na “eternidade”
Talvez nem mesmo a saudade
Morrendo eu pudesse ter.
O cantar de um passarinho
Um roçado de algodão
Uma colmeia dourada
E um pôr do sol no sertão.
Tudo isto me inebria
Mas até a alma vadia
Comigo irá perecer.
E lá na “eternidade”
Talvez nem mesmo a saudade
Morrendo eu pudesse ter.
Martim Assueros
25/10/2024
Imagem: Internet
Bacharel em Ciências Sociais, ambientalista e poeta.

Tocantes seus poemas, amigo Martim! Mexem com a fibra do meu ser. A simplicidade e inocência espontânea atiçam o mais puro do meu sentir. A compreensão de que a vida é agora, o Reino de Deus é aqui. E que a vida vale se vivida dessa forma singela e profunda, e ao mesmo tempo partilhada!