Tempos estranhos

Tempos estranhos estes

Nem sei se tão estranhos quanto outros tempos

Tempo de não termos tempo para nada

Embora possamos ter todo o tempo do mundo

O instante parece que se nos escapa

Acuado por medos e hiperinformação

Sobredose de tudo ou falta de quase tudo

Menos a sensibilidade que nos lembra

Que somos águas

Chuvas que passam

Rios que seguem

Vento que vai e vem sobre o mar

E uma voz antiga sussurra

É agora, este minuto, esse rosto, essa voz, esse amor

Essa mão, essa luz que te guia desde dentro e ao redor

Acatando a nossa humanidade venceremos, talvez

Ou com certeza

A insânia de um sistema que vive da morte

A imperfeição que nos lembra que somos criaturas nas mãos de Deus

Um Deus que nos quis e nos quer irmãos, irmãs

Mutirão de afetos na direção da terra prometida

O próprio coração

Recuperar a inocência do tempo eterno que nos habita e rodeia

Tudo isto já passou e continuará a passar.

O que não passa é o amor que nos habita e contém.

Deixe uma resposta