Qual é o critério editorial?

Crise humanitária na Somália continua matando diariamente e pelo menos 720 mil crianças podem morrer de fome, segundo alerta do UNICEF, na região conhecida como ‘Chifre da África’. Qual critério editorial permite omitir esta informação?

Morte de Tim Lopes foi “caso anunciado”, diz colega que fugiu do país após ameaça de traficantes

Depois de oito anos fora do Brasil, a jornalista Cristina Guimarães, 47, colega de Tim Lopes –que ganhou o Prêmio Esso em 2001 pela série “Feira das drogas” veiculada no Jornal Nacional, da TV Globo, mas foi morto por traficantes do Rio de Janeiro no ano seguinte– afirma que vive de luto e teve que reconstruir a sua vida após fugir do país sob ameaças de traficantes. Do UOL Notícias.

O caso de 89

Devemos ficar sempre atentos. “Foi há muito tempo”, minimizam alguns. No entanto, na sociedade do espetáculo, devemos lembrar que a percepção ainda é mais importante que a realidade (infelizmente). A comunicação – enquanto ferramenta e…

A carapuça de Odorico

Odorico & Zeca Diabo

“O Bem Amado” é a cara de Guel Arraes. Ritmo perfeito e atores em ótima forma. Mas, lançado em plena campanha eleitoral, o filme pode ser objeto de interpretações paranóicas.

Governistas podem achar que Odorico e seu populismo demagógico representariam Lula. Já os oposicionistas seriam representados pelo jornalista Vladimir. O personagem usa meios oportunistas e desonestos para se opor a Odorico.

O filme dá pouco espaço a esse tipo de interpretação. Sua pretensão parece ser a de servir como uma advertência contra corrupção política em geral.

Mas uma super-produção da Globo não chega ao grande público sem fortes intenções ideológicas. A maior delas é a banalização da política. A indiferença em relação à corrupção e negociatas de interesses. O sentimento de que todos são iguais em sua baixeza e desonestidade.

Algo que se reforça ainda mais num quadro em que as principais candidaturas mal conseguem explicar o que as diferencia. As eleições tornam-se uma dança das cadeiras. Um leilão para ver quem oferece o melhor lance pela estabilidade do sistema de dominação e exploração. Sendo assim, melhor deixar a política para os políticos.

Uma situação dessas é a mais confortável para os poderosos. É a política institucional como comédia, com resultados trágicos para os explorados. A estes caberia responder com sua própria política. Aquela construída em suas associações, sindicatos, partidos. Produto das lutas, manifestações, greves. Mas estes instrumentos foram esvaziados pela “esquerda” que ocupa o poder temporariamente.

Nestas eleições, a burguesia está de camarote, segurando a carapuça de Odorico. São muitos os que se estapeiam para vesti-la.

Sérgio Domingues
http://pilulas-diarias.blogspot.com