0.5) No Twitter: @MarceloSallesJ.
1) O professor João Sicsú chamou a atenção para a despolitização do debate eleitoral, levado a cabo sobretudo pelas corporações de mídia. Como exemplo ele cita a construção do termo “Pós-Lula”, obra da marketagem tucana imediatamente incorporada pelo léxico neomidiático. Assim, o eleitor imediatamente esquece o “pré-Lula” e deverá limitar a sua escolha ao melhor “gerente” para administrar o país. Só que ao esquecer o “pré-Lula”, assinala Sicsú, o brasileiro também esquece de comparar o governo FHC com o governo Lula. A marketagem tucana quer nivelar por baixo, pois sabe que a comparação dos governos favorece Lula e sua candidata.
2) O artigo do professor João Sicsú pode ser lido aqui.
3) A despolitização do debate eleitoral está no centro da estratégia das corporações de mídia. Assim, o termo “Pós-Lula” caminha ao lado de “twittaço”, “dossiê” e “desilusão dos jovens com a política”.
4) Twittaço: levado a cabo pela candidata do Partido Verde, o fato chegou às primeiras páginas dos jornais como uma das grandes novidades dessa campanha, e foi equiparado ao panelaço. Bastam dez segundos de raciocínio para sacar a quem interessa transferir a pressão das ruas para a pressão eletrônica.
5) Dossiê: o tão falado dossiê contra tucanos (sempre as vítimas pelo olhar da mídia, não?) teve seu conteúdo gradativamente esvaziado. O objetivo era construir uma imagem negativa do termo “dossiê” e associá-lo à candidata do PT. Em nenhum momento as corporações de mídia mostraram interesse em debater seu conteúdo – as privatizações obscuras durante o governo FHC – e levar algum esclarecimento ao público.
6) Agora a notícia despolitizadora da vez é a “desilusão dos jovens com a política”, conclusão a que a neomídia chegou após saber que houve redução da solicitação de títulos de eleitor entre adolescentes de 16 a 18 anos. Aqui cabe a pergunta: desde quando alguém pode se desiludir diante de alguma coisa com a qual nunca se iludiu? Qual o engajamento político que se esperava dos jovens, hoje? Qual o nível de participação que lhes é conferido? Será que eles não seriam mais politizados se, por exemplo, tivessem acesso a todos os canais e serviços que a tecnologia da televisão digital permite? Ou alguém espera que se extraia consciência crítica de seis horas de novelas por dia, sobretudo com a carga de individualismo, egoísmo e violência que elas trazem. Quem foi que disse que o status quo tem algum interesse em formar jovens questionadores? As próprias empresas de comunicação pressionam para que os currículos das faculdades sejam mais técnicos do que reflexivos. Que história é essa de agora essa mídia reclamar da “desilusão dos jovens com a política”? É como se ela não tivesse nenhum papel relevante nessa despolitização.
7) No caso específico do Rio de Janeiro, também há casos explícitos de despolitização promovida pelas corporações de mídia. É o caso da política de extermínio levada a cabo contra jovens e negros, moradores das periferias. Mortos às centenas todos os meses, as corporações de mídia preferem acreditar que a grande culpada é uma instituição chamada “bala perdida”, que não tem assessoria de imprensa e nem verbas milionárias.
7.1) Na verdade, não estamos diante da despolitização apenas do debate eleitoral ou da política, estritamente falando. O que as corporações de mídia querem é a despolitização das relações sociais, da própria vida. Assim, o lucro acima do ser humano passa a ser considerado um fato normal, aceitável e até desejável.

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Bela dissertação acerca desse tema tratado com o mais descarado cinismo pela imprensa hegemônica!!
Marcelo, que tal na TV Brasil uma inserção publicitária falando da importância do voto, escolher em quem vai vota, aí pergunta “você já conversou sobre isso com sua família, seus amigos”?
Por que não “você já debateu sobre isso com a comunidade, em sua associação, em seu sindicato, em praça pública”, ou seja, num ambiente coletivo?
Realmente, despolitizar, desmobilizar, parece ser a palavra de ordem prioritária neste país chamado Brasil.
É meu
Os órgãos que representam as grandes empresas de comunicação, como Abert e ANJ, defendem plataformas contraditórias. Acham que o governo deve limitar a participação do capital estrangeiro, mas rechaçam qualquer possibilidade de fiscalização pública sobre o conteúdo da mídia.
Para garantir a reserva de mercado, invocam a lei. Mas a possibilidade de acompanhar, discutir e rever concessões de rádio e televisão, igualmente legal, parece coisa do capeta. Curiosa maneira de defender a liberdade de expressão.
pena que são tão poucos os meios de comunicação que comunica de verdade e ainda são tão pouco acessados vive dando a opinião deles nos noticiarios opiniãoessa que é tão pequena insignificante e errada distorcida dos fatos mostran focalisam comentam usam o tom de voz a ironia do angulo que mais interessa ao emburrecimento a manipulação despresam a inteligencia do receptor da receptora o dia qu tivermos educação de qualidadeque ensine e deixe pensar.saber que são 500 anos de corrupção roubo escravdão manipulaçãoconcentração do te do saber uso das religiões para manipular alienar, educadores analfabetos politicos fomam e colocam na mesma fôrma que eles estão seus educandos