Sobre mídia, política e copa do mundo

1) Ao contrário dos especialistas das corporações de mídia, gostei da primeira rodada da Copa. Jogos disputados, com lances bonitos, muitas chances reais de gols. Até Coréia do Sul x Grécia foi uma partida movimentada e agradável de ser ver.
2) A seleção brasileira, a meu ver, não decepcionou. Jogou o que podia jogar, de acordo com as escolhas da comissão técnica. O time é apenas regular. O potencial criativo, nossa principal característica, foi cortado desde a convocação. E continua sendo inibido pelo treinador, que tem uma visão conservadora do futebol.
3) Na contagem das marcas esportivas, ficamos assim: Adidas patrocina 12 seleções, Nike (9) e Puma (6). As outras quatro patrocinam uma equipe cada: Umbro (Inglaterra), Legea (Coréia do Norte), Joma (Honduras) e Brooks (Chile). Os juízes e a bola levam a marca Adidas, única esportiva patrocinadora oficial da Copa.
4) Após a primeira rodada, as seleções patrocinadas pela Nike somaram 15 pontos; Adidas (13), Puma (9), Brooks (3), Umbro (1), Joma e Legea (0). As empresas esportivas fazem investimentos milionários e esperam que eles se traduzam em retorno de marketing, o que conseguem todas as vezes que um jogador é filmado em close e o nome da marca fica estampada no vídeo. Há várias formas, como o fundo das coletivas de imprensa (após o jogo da seleção contei 29 marcas aparecendo total ou parcialmente atrás do entrevistado), as placas de publicidade, entre outras. Lembrando que 30 segundos na Globo custam, pelo preço de tabela em horário nobre, cerca de R$ 1 milhão.
5) Em seu livro “No Logo”, a jornalista e escritora Naomi Klein desenvolve dois temas importantes: o branding, espécie de valor agregado adquirido pelas marcas através de sua associação a esportes que influenciam a atitude dos jovens (consumidores em potencial). E a forma como muitos desses artigos esportivos são produzidos: utilizando mão de obra infantil, escrava e semi-escrava, geralmente em países asiáticos.
6) Da série “Teoria da Conspiração”: Umbro venceu em 1994 com o Brasil, Adidas venceu em 1998 (França), Nike venceu em 2002 (Brasil) e Puma venceu em 2006 (Itália). Pela lógica da rotatividade, deveria dar Inglaterra este ano. Mas Argentina e Alemanha estão, a meu ver, com os melhores times. E são Adidas, que é a próxima da fila…

5 comentários sobre “Sobre mídia, política e copa do mundo”

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  2. adoro a teoria da conspiração das marcas. para mim é a única certeza das copas. o certo mesmo seria umbro mas acho q inglaterra nao está para isso. voto ou na alemanha ou na argentina apesar de nao querer nem uma e nem outra. torço mesmo pelo inesperado…

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