Sobre mídia e política

1) O Globo desta sexta-feira (19) traz matéria de página inteira sobre a prisão de um policial integrante de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), por tentativa de roubo a banco. O título merece uma análise à parte. “Uma maçã podre na UPP”. Imediatamente lembrei do documentário “A Corporação”, que exibe as cenas de Bush dizendo que empresas privadas fraudulentas eram apenas algumas maçãs podres no cesto, e que o cidadão estadunidense poderia continuar confiando no capitalismo. Estávamos em 2002 e o momento era da falsificação de balanços contábeis por parte de gigantes como Xerox, Enron e WorldCom. As corporações inflavam números para que suas ações fossem valorizadas na bolsa e assim atraíssem mais sócios. Só que um dia, como sempre, a bolha estoura. E estourou, assim como no ano passado estouraria outra crise no sistema capitalista, com perdas milionárias para os mais pobres. No caso da “maçã podre” do Globo, a lógica se repete. Criminaliza-se um integrante do sistema para salvar o seu funcionamento. E com uma sutileza, bem ao gosto das elites brasileiras: a criminalização recai sobre o policial porque ele tentou roubar um banco, sustentáculo maior do capitalismo selvagem. Não se imagina, nessas praias, que jornalões saiam atrás das maracutaias das corporações brasileiras. Se não publicam nem os nomes de quem se utiliza de mão de obra escrava, que dirá das que manipulam dados ou cifras para roubar o povo. Veja que o Globo nunca dedicou tanto espaço para criticar um policial que tenha agredido ou ameaçado um jovem favelado – revelando assim seu caráter de classe. Na lógica capital-midiática: agredir pobre pode, roubar banco não.
2) “Petróleo une o Rio”, mancheteia um jornalão, nesta quinta-feira (18). Engraçado. Passei anos acompanhando o movimento “O petróleo tem que ser nosso”, fosse em reuniões na Associação dos Engenheiros da Petrobrás, debates no Sindipetro, articulações nas universidades, passeatas e manifestações nas ruas e avenidas do Rio. Foi – e é – um movimento autêntico de luta para que os recursos gerados a partir do petróleo sirvam para melhorar a vida do povo brasileiro. Nunca teve apoio oficial, mas também nunca teve liderança mimada chorando em falso. E, mais importante: a gente discutia e queria saber onde e como o dinheiro do petróleo tem sido aplicado. Essa pergunta o governador Sérgio Cabral ainda não respondeu. E as corporações de mídia nunca fizeram.
3) Certos analistas políticos da direita confundem seus desejos pessoais com a realidade. Talvez seja o desespero de ver seu candidato estagnado nas pesquisas para a presidência da República. É o que tem acontecido com o ex-prefeito do Rio, César Maia. Recentemente, em seu ex-blog, ele usou a derrota de Eduardo Frei, no Chile, para dizer que isso foi uma mensagem para Dilma, no Brasil. Nesta quinta-feira (18), ele abre seu boletim com uma pesquisa sui generis. O povo chileno desaprovaria o uso da máquina nas eleições. Maia cita a presença da presidente Bachelet e de ministros na campanha: “E lá, a presidente em si, foi muito, muito menos ostensiva que o presidente aqui. Essa insistência, aqui, pode estressar o eleitor. Se é que já não começou a estressar”. O ex-prefeito vai na contramão dos fatos. Desconsidera as diferenças dos processos histó ricos dos dois países, das diferenças conjunturais e, pior, a última pesquisa divulgada pelo Ibope (cujo presidente chegou a afirmar que Dilma não passaria de 15% das intenções de voto). Pesquisa divulgada ontem mostra aprovação recorde do governo Lula (83%) e subida vertiginosa da candidata Dilma (17% para 30%). Mais: 53% dos eleitores afirmam que votarão na candidata indicada por Lula e Dilma lidera a espontânea (14% contra 10%).
4) Do site da Chancelaria chinesa (www.mfa.gov.cn): “Após o lançamento pelos EUA do ‘Relatório sobre Práticas na área de Direitos Humanos por País em 2009’, a China divulgou seu ‘Relatório sobre a Situação de Direitos Humanos nos Estados Unidos em 2009’. Documento chinês analisa situação dos DDHH nos EUA em 6 grandes áreas: (i) vida, propriedade e segurança; (ii) direitos civis e políticos; (iii) direitos econômicos, sociais e culturais; (iv) discriminação racial; (v) direitos de mulheres e crianças; (vi) violações de DDHH pelos EUA contra outros países. Em entrevista, Porta-voz da Chancelaria chinesa instou os EUA a ‘refletir sobre seus próprios problemas na área de DDHH, deixar de se enxergar como ‘guardião de direitos humanos’ e parar de interferir nos assuntos internos de outros países’”.

3 comentários sobre “Sobre mídia e política”

  1. marcelo, leandro, demais…
    a respeito dessa última pesquisa o JN nao divulgou as inúmeras simulaçoes feitas para o segundo turno. ah, divulgou sim, pela internet. ora…será q vai ser assim agora? ou será que o resultado da pesquisa nao era muito favorável aos interesses globais?
    hj o serra anunciou q seria candidato. detalhe: ele nao terminou nenhum mandato. no de prefeito saiu para ser governador, no de governador vai sair para ser presidente…e se for presidente, vai sair pra que?
    o anúncio foi feito pela bandeirantes, o JN anunciou? nao vi….mas duvido q tenha anunciado..perderam essa…
    abraços em todos..

  2. sou policial militar no há desessis anos entrei como soldado e continuo soldado até hoje, sou geógrafo e estou comportamento excelente, a mídia não nos dá espaço, apenas nos generalizam e nos rotulam de bandidos. aqui no ceará policiais andam em viaturas luxuoxíssimas camionetes hilux cada uma a custo de cento e cinquenta mil reis. eu disse anda porque não policiam não fazem segurança até porque nós policiais trabalhamos em uma escala de seis dias para folgar apenas um, vale ressaltar que nos policias não fomos treinados para dirigir esses carros com cambio automático, por cona disso todo dia policiais batem as vciaturas, que serve somente de propaganda para o governo.

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