Sobre mídia e política – especial Golpe

1) A reflexão mais importante que podemos fazer no dia de hoje diz respeito aos mecanismos simbólicos da ditadura civil-militar. O aparato repressor já foi devidamente exposto e, atualmente, é inconcebível que as instituições da República sejam voltadas, estruturalmente como antes, para a perseguição de quem pensa diferente. Até aí, me parece, a ainda frágil democracia brasileira já avançou. O problema que persiste é também o mais grave: não se conhece devidamente o papel desempenhado pelas corporações de mídia e pelo sistema educacional, assim como ainda encontram-se no porão do imaginário social as atividades de institutos como o IBAD, muitas delas em parceria com a CIA. O escritor Romero Machado, por exemplo, não tem dúvidas em afirmar que durante anos um diretor da TV Globo foi o coronel da CIA Wernon Walters – leia aqui. O interesse do governo estadunidense no Brasil fez jorrar milhões de dólares, anos antes do golpe, para atividades como palestras e cursos de formação para militares e empresários. No plano do sistema educacional, o currículo foi alterado para impedir a reflexão crítica dos estudantes. As corporações de mídia, por sua vez, se encarregaram de construir a ideia de que os opositores do regime eram bandidos perigosos. O termo “terrorista” nasce na Redação do Jornal do Brasil.
2) Trecho do artigo de Eliakim Araújo sobre Armando Nogueira, veiculado no blog do Rodrigo Vianna: “Talvez tenha faltado em Armando a coragem de assumir sua responsabilidade como diretor de jornalismo da Globo que notoriamente era o braço da ditadura militar na mídia. Armando, como eu e todos os que trabalharam na emissora nos anos de chumbo, fomos cúmplices do regime. Uns por total desinteresse político, outros por opção ideológica, outros ainda por necessidade profissional”. Íntegra aqui.
3) Entender esse processo ajuda muito na compreensão do presente. Eu já ouvi um amigo, na faixa do 60 anos, dizer que não vota na Dilma porque ela foi terrorista. Sabemos bem que essa visão não é isolada. Definir Dilma como terrorista ou como uma militante que lutou contra uma ditadura não é uma questão semântica. Optar por um ou outro termo é o mesmo que escolher entre golpe e revolução. Mais além: a própria construção de reportagens sobre histórias e personagens que viveram a disputa política naquela época está opiniões – implícitas ou explícitas – que dependem muito do que se aprendeu na escola ou se leu na imprensa (sistemas educacional e informacional).
4) Aprofundando o tema das comunicações: no Brasil de hoje, 46 anos depois do golpe, existe praticamente o mesmo número de emissoras abertas de televisão. O país cresceu, a população triplicou, mas a mídia continua concentrada em poucas mãos. São seis emissoras privadas e uma pública recém-nascida. Essas emissoras privadas diferem, em maior ou menor grau, na qualidade técnica, e às vezes brigam entre si. No entanto, politicamente elas estão afinadas em torno do modo de produção capitalista.
5) Essa concentração midiática, com este sentido político, deve estar no centro de qualquer debate que se pretenda sério. Hoje em dia o governo federal distribui aproximadamente R$ 1 bilhão por ano em publicidade oficial. Os governos estaduais outros tantos bilhões. Os municípios, somados, devem alcançar esta monta. Isso tudo é recurso público. Para onde vai essa montanha de dinheiro? Quais são os critérios? É lícito financiar empresas privadas que nasceram e cresceram à sombra de um regime ditatorial?
6) As transformações promovidas pelo governo Lula são um grande avanço para o país. A atual administração é infinitamente melhor que a anterior, seja qual for a área que se queira comparar: relações exteriores, combate à fome, crescimento econômico, investimentos sociais em favelas e por aí vai. Duas delas, que atuam diretamente no campo simbólico, merecem destaque: a criação da TV Brasil, uma emissora pública, e a disputa pela memória e pela verdade levada adiante pela Secretaria de Direitos Humanos. Essas ações, mais que as outras, são capazes de atingir corações e mentes. São capazes de forjar cidadãos.
7) No entanto, para promover transformações estruturais no país é preciso ir fundo nos sistemas educacional e de informação. Se no Brasil ainda existem milhões de analfabetos, funcionais ou não, como pensar numa educação que forme cidadãos conscientes de sua história? Assim como não dá pra conceber um país que segue a passos firmes rumo à quinta economia do mundo com uma mídia de quinta categoria, como disse o professor Laurindo Lalo Leal. A mídia, hoje, é a instituição com maior poder de produção e reprodução de subjetividades. Ou seja: é a mídia quem, em grande parte, determina formas de pensar, sentir e agir dos indivíduos e da sociedade como um todo. Claro que há outras instituições fortíssimas (Família, Igreja, Governos, Escola…), mas a mídia ganha papel de destaque nos dias de hoje basicamente devido ao desenvolvimento das tecnologias, que permitem um maior alcance das mídias (outdoor, televisão, rádio, revista, publicidade em ônibus, em prédio, internet, sites, vídeos, cinema, jornal, orkut, twitter etc.), de modo que para o cidadão é praticamente impossível evitar as mensagens da mídia.
7.5) Partindo daí, podemos estabelecer vínculos com a cultura violenta de outrora com o desrespeito aos direitos humanos hoje. Preconceitos raciais e religiosos, violência contra a mulher, contra o favelado, desumanização do preso e dos traficantes varejistas. Não há mais tortura contra quem pensa diferente, mas não se pode dizer o mesmo contra presos comuns. No programa idiota, venceu um violador de direitos. Por que o povo brasileiro ainda não conseguiu implementar uma cultura de respeito aos direitos humanos?
7.6) Não teremos uma democracia avançada sem um sistema de comunicação democrático, onde todos os setores da sociedade estejam representados.

2 comentários sobre “Sobre mídia e política – especial Golpe”

  1. Seria bom prestarmos atenção ao novo IPES-IBAD, que por ocasião da decadência moral no Vaticano se espalhando, para organizarem uma nova “família com Deus pela liberdade”, está arregimentando forças, agora, no meio espírita. A cabeça da classe média está em disputa.
    O Rio de Janeiro ocupa o eixo central da manobra geopolítica para uma extensão do plano Colômbia. O ministro da defesa Nelson Gobim assinou acordo militar com os EUA na surdina. Sucessivos governos no Rio de Janeiro tem sido, literalmente seqüestrados, desde o último governo Brizola, que ao final, executaram o coronel Nazaré cerqueira quando passou a trabalhar com Nilo Batista no instituto de criminologia. A execução no rol do elevador , em prédio no centro do Rio de Janeiro, foi feita por oficial militar e tudo foi devidamente abafado .
    Mídia, máfias policiais e ações encobertas, utilizando-se da escravização da bandidagem nas favelas, simulam uma guerra falsa para se fazer a verdadeira guerra e a militarização e ocupação do território. A política de segurança pública que não seguir a linha terrorista de Estado e o modelo de guerra preventiva “GLOCAL “ (O mesmo modelo que é para o Iraque, Palestina…serve para guerras assimétricas e de baixa intensidade local), vanguardeado pela oligarquia midiática, morre. Primeiro são ameaças de morte, depois, execução. Ocorre que os governos que vão sendo seqüestrados, ao receber total apoio midiático, acabam por gostar do cativeiro. Foi assim com o Garotinho e sua digníssima, e, está sendo com o Sergio Cabral.
    A simulação, por ações encobertas, de que há terrorismo a ser combatido no Brasil, e especificamente no Rio de Janeiro, foi executada às vésperas das posses deste segundo mandato de Lula e este primeiro de Sérgio Cabral: um impacto internacional de ônibus incendiados, com pessoas dentro, condicionou os dois discursos de posse para o combate ao suposto “terrorismo”. Cujo combate, é conduzido pelos próprios terroristas travestidos de guardiões da segurança democrática. Ou seja, a transposição do “plano de segurança democrática” colombiano utilizando-se ainda o mote dos megaeventos, como foi o caso do PAN, para desencadear o paramilitarismo batizado ambiguamente pela mídia, de: “milícia”.
    É só conferir, na imprensa, todas as matérias produzidas até aqui desde o “11 de setembro”. Estas simulações também foram coladas na novela com o Fernandinho Beira-mar, inclusive a data do “11 de setembro” com Fernandinho Beira-mar foto colorida capa inteira de O Globo (não se tem notícia de nenhum estadista brasileiro tido tanto espaço assim). Até que o retiraram do Rio de Janeiro e não serviu mais como instrumento de manobra e a mídia silenciou.
    É tão óbvio, que quando o governador Garotinho descompatibilizou-se para a candidatura à presidência, e a Benedita assumiu, logo veio a simulação do descontrole da cidade: rajadas de metralhadora e fuzil na fachada do palácio Laranjeiras e prédio da prefeitura de Cesar Maia. Lembram-se?
    A bandidagem da favela são os bois-de-piranha escravizados e instrumentalizados para objetivos político-militares que atentam contra a soberania do Brasil, atribuindo-se a eles, traficantes varejistas, um suposto “poder paralelo”.
    Esta, sim, deveria ser uma questão de segurança nacional. Mas, as esquerdas estão caindo como um patinho. Por que? Investiram tudo no eleitoralismo e governam para a classe média instrumentalizada pelo terror e, afastando-se das bases populares, esse território social foi ocupado pelas máfias policiais associadas ao tráfico atacadista de drogas e armas, o oportunismo não-governamental e o fundamentalismo evangélico carismático e conservador.
    É bom saber, que toda essa questão no Rio de Janeiro, envolve o petróleo e o pré-sal.
    Se estou delirando, que alguém então apresente outra interpretação dos fatos.
    Eu ficaria muito agradecido.
    Abraços.

  2. Seria bom prestarmos atenção ao novo IPES-IBAD, que por ocasião da decadência moral no Vaticano se espalhando, para uma nova “família com Deus pela liberdade”, está arregimentando forças, agora, no meio espírita. A cabeça da classe média está em disputa.
    O Rio de Janeiro ocupa o eixo central da manobra geopolítica para uma extensão do plano Colômbia. O ministro da defesa Nelson Gobim assinou acordo militar com os EUA na surdina. Sucessivos governos no Rio de Janeiro tem sido, literalmente seqüestrados, desde o último governo Brizola, que ao final, executaram o coronel Nazaré cerqueira quando passou a trabalhar com Nilo Batista no instituto de criminologia. A execução no rol do elevador , em prédio no centro do Rio de Janeiro, foi feita por oficial militar e tudo foi devidamente abafado .
    Mídia, máfias policiais e ações encobertas, utilizando-se da escravização da bandidagem nas favelas, simulam uma guerra falsa para se fazer a verdadeira guerra e a militarização e ocupação do território. A política de segurança pública que não seguir a linha terrorista de Estado e o modelo de guerra preventiva “GLOCAL “ (O mesmo modelo que é para o Iraque, Palestina…serve para guerras assimétricas e de baixa intensidade local), vanguardeado pela oligarquia midiática, morre. Primeiro são ameaças de morte, depois, execução. Ocorre que os governos que vão sendo seqüestrados, ao receber total apoio midiático, acabam por gostar do cativeiro. Foi assim com o Garotinho e sua digníssima, e, está sendo com o Sergio Cabral.
    A simulação, por ações encobertas, de que há terrorismo a ser combatido no Brasil, e especificamente no Rio de Janeiro, foi executada às vésperas das posses deste segundo mandato de Lula e este primeiro de Sérgio Cabral: um impacto internacional de ônibus incendiados, com pessoas dentro, condicionou os dois discursos de posse para o combate ao suposto “terrorismo”. Cujo combate, é conduzido pelos próprios terroristas travestidos de guardiões da segurança democrática. Ou seja, a transposição do “plano de segurança democrática” colombiano utilizando-se ainda o mote dos megaeventos, como foi o caso do PAN, para desencadear o paramilitarismo batizado ambiguamente pela mídia, de: “milícia”.
    É só conferir, na imprensa, todas as matérias produzidas até aqui desde o “11 de setembro”. Estas simulações também foram coladas na novela com o Fernandinho Beira-mar, inclusive a data do “11 de setembro” com Fernandinho Beira-mar foto colorida capa inteira de O Globo (não se tem notícia de nenhum estadista brasileiro tido tanto espaço assim). Até que o retiraram do Rio de Janeiro e não serviu mais como instrumento de manobra e a mídia silenciou.
    É tão óbvio, que quando o governador Garotinho descompatibilizou-se para a candidatura à presidência, e a Benedita assumiu, logo veio a simulação do descontrole da cidade: rajadas de metralhadora e fuzil na fachada do palácio Laranjeiras e prédio da prefeitura de Cesar Maia. Lembram-se?
    A bandidagem da favela são os bois-de-piranha escravizados e instrumentalizados para objetivos político-militares que atentam contra a soberania do Brasil, atribuindo-se a eles, traficantes varejistas, um suposto “poder paralelo”.
    Esta, sim, deveria ser uma questão de segurança nacional. Mas, as esquerdas estão caindo como um patinho. Por que? Investiram tudo no eleitoralismo e governam para a classe média instrumentalizada pelo terror e, afastando-se das bases populares, esse território social foi ocupado pelas máfias policiais associadas ao tráfico atacadista de drogas e armas, o oportunismo não-governamental e o fundamentalismo evangélico carismático e conservador.
    É bom saber, que toda essa questão no Rio de Janeiro, envolve o petróleo e o pré-sal.
    Se estou delirando, que alguém então apresente outra interpretação dos fatos.
    Eu ficaria muito agradecido.
    Abraços.

Deixe uma resposta