Sobre mídia e política

1) Se depender das corporações de mídia, ninguém vai ficar sabendo o que Chávez veio fazer no Brasil, na quarta-feira (28). Então falamos aqui. A reunião de trabalho entre os presidentes Chávez e Lula tratou dos seguintes temas: cooperação habitacional, inclusão bancária, integração fronteiriça, cooperação agrícola, cooperação em alimentação e agricultura familiar, cultura, educação, energia, desenvolvimento científico, tecnológico e industrial, setor automotivo, entre outros. Veja a íntegra do comunicado distribuído pelo Itamaraty em http://www.mre.gov.br/portugues/imprensa/nota_detalhe3.asp?ID_RELEASE=8160.
2) Até agora o candidato do PSDB-DEM está levando vantagem nas pesquisas de opinião estimuladas, enquanto a candidata do PT-PMDB lidera na espontânea. Entre os candidatos, Serra é o mais conhecido do público por já ter exercido diversos cargos, tanto no governo federal quanto no estado de São Paulo. Além disso, é o candidato preferido das corporações de mídia, o que facilita bastante a sua comunicação com os eleitores. No entanto, para além desses fatores, é preciso constatar que o candidato da direita tem conseguido impor as suas pautas. Quando diz, por exemplo, que vai criar este ou aquele ministério, e os demais candidatos se sentem forçados a se posicionar a respeito, ele ganha visibilidade por ter sido o autor do ponto a ser discutido, independentemente da resposta de seus adversários. Foi o que fez Lula com Alckmin em 2006, quando colocou nos tucanos a pecha de “privatizadores”. O resultado foi aquela imagem ridícula do tucano paramentado com blusa e boné com juras de amor ao Banco do Brasil, Petrobrás e outras empresas públicas.
3) Ainda tem muita água para rolar debaixo dessa ponte, mas diversos analistas apostam que Dilma ainda vai crescer muito quando os eleitores começarem a identificá-la com Lula. O fator “propaganda partidária” no rádio e na tv ainda não começou e todos dizem que este é um fator determinante em qualquer campanha. Marina Silva é uma incógnita e pode tirar mais votos de Dilma do que de Serra, tanto pelo fato de ser mulher quanto pelo motivo de ser uma ex-ministra que saiu contrariada do governo Lula. E ainda existe a candidatura de Plínio de Arruda Sampaio, que tem toda uma avenida à esquerda para desenvolver sua campanha.
4) O blogueiro Eduardo Guimarães reuniu mais de duas mil assinaturas de apoio para a representação que o Movimento dos Sem-Mídia, entidade que preside, ingressou na Justiça Eleitoral. O objetivo é investigar se institutos de pesquisa estão manipulando dados para alterar os resultados. Leia a íntegra em http://edu.guim.blog.uol.com.br.
5.1) STF decide pela manutenção da impunidade para torturadores – que muitas vezes foram encobertados por corporações de mídia. É o Brasil na contramão da civilização.
5.2) A decisão do STF pode ser lida como uma atidute conservadora dos magistrados brasileiros, mas por outro lado existe uma segunda leitura, muito necessária, que tem a ver com a batalha empreendida pelo então Ministro da Justiça, Tarso Genro, e pelo atual ministro-chefe da Secretaria de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, que é a disputa da memória. É importante usar a memória para tentar compreender o atual momento do país, o que nos levou ao quadro político atual e a este sistema judiciário que temos. Me parece que a busca por essas respostas pode ajudar muito na coordenação das lutas que ainda virão.

Um comentário sobre “Sobre mídia e política”

  1. Pelo que pude acompanhar na mídia terrorista (CBN, Sardemberg, etc.) foi apenas um anúncio de que o Presidente Hugo Chávez se encontrava no Brasil, como se um fantasma estivesse rondando por aqui, para um encontro com Lula, num tom irônico, transmitindo como se o encontro fosse “conspiratório”, grotesco, e perigoso.
    Quanto ao resumo feito pelo Itamarati, são ótimas cooperações entre os dois países, sobretudo em infra-estrutura para o povo venezuelano, como o governo bolivariano socializará comprando serviços de empreiteiras e bancos brasileiros.
    Mas, especialmente no caso do IPEA, com a instalação de um escritório em Caracas, entendo que será muito bom para nós brasileiros.
    Pelo que pude conhecer recentemente em Brasília, conversando com amigos do IPEA, ainda há entre nós muita desinformação sobre o processo político venezuelano, sendo ainda entre os novos quadros técnicos que assumiram o IPEA informações confusas disseminadas pela imprensa desinformadora brasileira e uma certa cultura social-democrata e social-liberal ainda preconceituosa com as teses marxistas e as linhas mais à esquerda na política Sul-Americana.
    Sendo assim, nossos técnicos poderão voltar enriquecidos de socialismo. Será um ótimo estágio.

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