Sobre mídia e política

0.5) Choveu forte na capital paulista nesta quinta (25), e mais uma vez bairros inteiros estão inundados. O trânsito, que já é caótico, ficou indizível. Serviços básicos estão comprometidos. Culpa da chuva? É mais fácil dizer assim, já que a chuva não tem assessoria de imprensa. O fato é que a administração tucana não conseguiu resolver problemas estruturais na capital, como a limpeza da calha dos rios Tietê e Pinheiros, apesar de milhões e milhões terem sido destinados a esses serviços. São as águas de março fechando o verão do Zé Alagão.
1) Na semana passada, dia 19 de março, dez mil professores da rede estadual de São Paulo tomaram a Av. Paulista. Estão em greve por melhores condições de trabalho. Uma das faixas dizia: “Serra, pior governo paulista”. Jornalões online deram, a maioria sem citar o nome do governador e seu partido. No Jornal Nacional, nem isso: a manifestação simplesmente não virou notícia.
2) Do editorial da Carta Maior, nesta quarta-feira (24): “Polícia de Serra usa gás pimenta, cassetetes e prende professores que protestavam contra o governador tucano, em um de seus passeios eleitorais pela periferia de SP. Uma jornalista foi agredida pela PM. No palanque, membros da comitiva foram atingidos pelo gás lançado contra os professores; assessores tossiam e esfregavam os olhos de forma constrangedora. Serra foi vaiado durante o discurso; saiu do evento sem dar entrevista. É a segunda vez em uma semana que o candidato da coalizão demotucana enfrenta protestos quando tenta sair às ruas da capital para fazer campanha. No dia 17 foi vaiado e seu carro levou ovos em Francisco Morato. No dia seguinte ele pensou melhor e não compareceu a um evento para evitar manifestantes. O professorado paulista está em greve há três semanas por melhores salários e não é recebido pelo governo, que se recusa a negociar. Categoria tem protesto marcada para esta sexta-feira, dia 26, no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo tucano”. O nome do palácio ora ocupado por Serra é bastante sugestivo, sobretudo para os que conhecem o papel dos bandeirantes na história do Brasil.
3) Tem uma historinha que é bastante útil quando conversamos com alguém que ainda acredita piamente nas corporações de mídia. “F-1 x F-Indy”. Se perguntarmos ao William Bonner e outros editores do seu nível, quais são os critérios de seleção de notícias, vamos ouvir: “O JN tem que publicar, em 30 minutos, tudo o que aconteceu de mais importante no Brasil e no mundo”. Pois bem. Ocorre que para os telejornais da TV Globo, só existe F-1. E para os da Band, só existe F-Indy. Se as duas modalidades de automobilismo possuem milhões de fãs; se movimentam milhões de dólares; se contam com brasileiros entre seus pilotos; cabe a pergunta: onde está a grande diferença que permite que os editores de uma ou outra empresa não noticiem uma ou outra competição? No campo do jornalismo não há explicação. No campo dos negócios, sim. A TV Globo detém os direitos de transmissão da F-1, enquanto a Band detém os da F-Indy. Impossível ser mais didático. Até os mais crédulos entendem, com este exemplo, que a prática jornalística não está entre as prioridades das corporações de mídia.
4) Sobre as eleições presidenciais de outubro, a jornalista Maria Inês Nassif publica artigo com uma análise interessante: o papel decisivo de Minas Gerais. Um trecho: “A conta que é feita nos bastidores dos partidos oposicionistas transfere para Minas Gerais a decisão sobre as eleições presidenciais. Num cálculo mais ligeiro, a explicação é a seguinte: no Norte e no Nordeste, onde Lula tem uma popularidade próxima a 90%, imagina-se que, mesmo se não fizer uma transferência completa de votos para Dilma, ela será amplamente vitoriosa; no Sul e no Sudeste, exceto Minas, imagina-se que Serra seja o mais votado, neutralizando o favoritismo de Dilma no outro extremo do país. O Centro-Oeste é neutro nessa conta. No fim, os eleitores de Minas – que representam cerca de 10% do eleitorado nacional – acabam definindo o pleito”. A íntegra está aqui, no site do Rodrigo Vianna. Se ela estiver certa, ruim para a luta pela democratização dos meios de comunicação, já que um dos aliados do PT em Minas é Hélio Costa, atual ministro das Comunicações que fecha com a Globo.
5) Chove forte na capital paulista e mais uma vez bairros inteiros estão inundados. O trânsito, que já é caótico, ficou indizível. Serviços básicos estão comprometidos. Culpa da chuva? É mais fácil dizer assim, já que a chuva não tem assessoria de imprensa. O fato é que a administração tucana não conseguiu resolver problemas estruturais na capital, como a limpeza da calha dos rios Tietê e Pinheiros, apesar de milhões e milhões terem sido destinados a esses serviços. São as águas de março fechando o verão do Zé Alagão.

4 comentários sobre “Sobre mídia e política”

  1. a prova da irresponsabilidade jornalística do JN é quando falam da multa aplicada ao presidente e nao tratam da multa aplicada ao PSDB por fazer propaganda do governo de são paulo. interessante q eu acordei de madrugada na sexta, liguei a tv e vi essa propaganda, falando das maravilhas do governo paulista e a educação estava entre essas maravilhas. o jornal da band noticiou a multa ao psdb mas a globo, no mesmo dia, só tratou do lula…
    quem vê só o JN nao sabe o que acontece no brasil, nem no rio, só sabe o que acontece na cabeça louca do @realwbonner

Deixe uma resposta