Sobre mídia e política

Que semana, amigos…
1) Águas de Niterói, empresa privada que controla o abastecimento na minha cidade natal, é responsável por um verdadeiro tsunami de cocô. Foi parar no Jornal Nacional (que preservou o nome da empresa), pessoas ingerindo dejetos e sendo arrastadas por 100 metros, casas derrubadas, um prejuízo enorme. Mas não é surpresa para nossos leitores, pois quem corta a água (com pagamento em dia) até de cidadãos com doenças graves é capaz de qualquer coisa. Infelizmente alguns administradores públicos ainda não entenderam que determinados setores não podem jamais ser privatizados. A água e o abastecimento são bons exemplos de que, quando vão para o setor privado, a coisa não acaba em pizza. Acaba em merda.
1.1) Sugestão de jingle para a próxima campanha municipal, que da vez passada teve Beth Carvalho cantando “É mesmo um caso de amor” para o atual prefeito Jorge Roberto Silveira. A mesma Beth poderia cantar agora: “Você pagou com traição a quem sempre lhe deu a mão”. 
2) Aécio Neves foi pego numa blitz com a carteira de habilitação vencida. A mídia impressa reportou, mas deram pouco ou nenhum destaque ao fato de que o carro que dirigia está em nome de uma rádio mineira de sua propriedade, o que é proibido pela Constituição (sobre esse aspecto não vi nada na televisão, especialmente na Globo). Bueno, porque um senador da República, ao violar a Carta Magna, não vira manchete? Ainda mais se esse senador se projeta como o grande nome da oposição para 2014?
3) Na terça-feira (19) William Waack estava tão feliz, mas tão feliz com o Congresso do Partido Comunista Cubano e a presença surpresa de Fidel, mesmo debilitado, que chegou a abrir o áudio para a Internacional. Disse o apresentador da Globo, além de que “o agasalho de Fidel parece mais um pijama”, que a única coisa aprovada foi a demissão de um milhão de pessoas e a possibilidade de as pessoas venderem propriedade privada, pra no final concluir, com o tradicional sorriso de canto de boca: “O fracasso do regime está implícito naquilo que eles mesmos aprovaram hoje”.
2.2) Quem havia assistido ao Repórter Brasil horas antes teve informações completamente diferentes. Além de mais tempo dedicado ao tema, foi feita uma entrevista no estúdio com o jornalista Mario Augusto Jakobskind, que já morou em Cuba e é colaborador do Fazendo Media. No geral, soubemos que são reformas bastante complexas, sim, mas como disse Jakobskind: “O sistema de produção não muda, o socialismo continua”. O mesmo foi reportado pela TV Brasil: entre os princípios do Congresso estiveram a continuidade do socialismo e a garantia de que o capitalismo nunca mais retorne a Cuba.
3) A nova série de propagandas do PSDB não vai conseguir ampliar sua inserção na sociedade. Os atores (um negro, estudante, e uma mulher aparentando classe média baixa, talvez religiosa fundamentalista) parecem raivosos e abordam temas específicos, como aeroportos e inflação. O povo tem a percepção de que há problemas nos aeroportos, mas sabe que foi durante o governo Lula que esse meio de transporte foi popularizado. Quanto à inflação, ficou parecendo a Regina Duarte pregando o discurso do medo. Não há base real para temer descontrole de preços, em muito porque os tais fundamentos da economia foram preservados. A única coisa que o PSDB conseguiu com essas propagandas foi mostrar que a oposição de direita continua sem rumo. Onde estão as grandes propostas para o país?
4) A nova novela do SBT merece ser vista. Começa depois do Ratinho, um programa lamentável sob todos os aspectos. Recomendo a novela “Amor e Revolução” porque ela trata de um tema fundamental para a consolidação da democracia no Brasil: o resgate da memória recente do país. Um tema que precisa vir à tona, se quisermos fazer valer os Direitos Humanos. Acho essa novela importante porque ela toda aborda um tema caro à sociedade. Não se trata de inclusões pontuais de pessoas com deficiência ou idosos no meio da trama, geralmente fútil e vulgar, como geralmente fazem as novelas da Globo. Essa do SBT não. Do início ao fim trata do momento político brasileiro pré e pós 1964, fala do golpe, dá nome aos bois, aborda a tortura sem medo. O Brasil que cresce com distribuição de renda não pode deixar de prestar contas com seu passado recente. Caso contrário, a democracia estará para sempre ameaçada. Que a novela ajude na implementação da Comissão da Verdade, texto enviado ano passado ao Congresso Nacional. E que o Brasil continue se desenvolvendo sem riscos de retrocessos.
5) Passo em frente a uma dessas lojas de comida de plástico, também conhecidas como redes fast-food. Vejo um cartaz enorme, de um jovem, retratado como o “funcionário do mês”. Abaixo da foto, uma breve descrição daquilo que supostamente o teria levado àquele lugar: trabalho duro, disposição para aprender, identificação com os princípios da empresa, atenção especial para os clientes.
5.1) Desconfio que essa descrição poderia ser substituída pelo seguinte texto: super-exploração, disposição para acatar ordens, nunca questionar nada (nem seu salário de semi-escravo) e atender sempre bem aos clientes.

3 comentários sobre “Sobre mídia e política”

  1. TV não deu o caso do Aécio? Você jura que não viu nem ficou sabendo que o Fantástico deu, com direito a voz dramática de denuncia? E, que eu saiba, a lei proíbe que senadores etc sejam proprietários ou controladores, mas não proíbe que sejam sócios. Estou errado? O Hélio Costa, por exemplo, era (é?) dono de uma rádio no interior de MG, avaliada em cerca de 1 milhão. Quando virou ministro, ele “vendeu” a rádio por 70 mil para o… secretário geral do próprio ministério, que era amarra-cachorro dele lá nos interior. Sobre Niterói, não é à toa que meu saudoso tio Gegê sempre dava seu endereço assim: Rua Moreira Fezes, número tal… A cagada é antiga, ao que parece.

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