Sobre mídia e política

1) Domingo, 16 de maio, visito o Morro da Providência, no centro do Rio de Janeiro. Trata-se da primeira favela da cidade, inicialmente habitada por soldados que regressaram de Canudos, em 1897. Ouço Lílian Gonzaga da Costa, negra, 44 anos, desempregada. Ela é mãe de Wellington, assassinado aos 24 anos após ter sido detido por militares do Exército e entregue a traficantes varejistas do Morro da Mineira, que era controlado por uma facção rival à que controlava a Providência. O episódio aconteceu entre os dias 14 e 15 de junho de 2008. “Difícil entender, parece que a ficha não vai cair nunca”. Lílian chora, vai ao banheiro, enxuga as lágrimas e volta a falar. Sua única preocupação era que seu filho pudesse “comer, beber e andar bonito”. Como quase todos os garotos, Wellington adorava jogar bola. “Quando chegava em casa com troféu era aquela alegria”, conta. “Era meu queridinho, meu amigo, a minha vida. Eu amo a Érica, a Bárbara, o Caio [seus outros filhos], mas ele era minha vida. Ele era tudo o que eu tinha”.
1.1) O histórico de opressão contra os moradores da Providência é antigo. Em 2006, militares subiram o morro atirando e arrombando portas atrás de armas que haviam sido roubadas num quartel. No final de 2007 houve a ocupação que culminou na morte de Wellington, David e Marcos, além de diversas outras violações de direitos humanos. Agora, este ano o governo Cabral resolveu ocupar a Providência com uma UPP [Unidade de Polícia Pacificadora]. Em todos os episódios são relatadas violências e abusos de poder pelas tropas ocupantes. Até quando quem é pobre vai ser tratado como criminoso? Quantas vidas mais serão perdidas assim? Por que as corporações de mídia só entram na cobertura quando o sangue já foi derramado? Nós, da imprensa alternativa, ou democrática, demos esse caso – e tantos outros – muito antes que a situação chegasse a esse ponto.
2) Vox Populi e Sensus dão vantagem para Dilma contra Serra, mas ainda está mantido o empate técnico. César Maia, em seu ex-blog, mudou de argumento. Antes dizia que Serra venceria no primeiro turno. Agora diz que essa pré-campanha não conta, que o que vale mesmo é o momento pós Copa do Mundo.
2.1) Vox Populi e Sensus foram a campo antes da propaganda partidária do PT, que na quinta-feira (13) dedicou todo seu espaço em rádio e tevê para promover a figura de Dilma.
2.2) Rodrigo Vianna assinala, em seu “Escrevinhador”, pronunciamento do deputado federal Brizola Neto, na Tribuna da Câmara, terça-feira (18): “Voltei há pouco ao plenário da Câmara para denunciar as armações do jornal Folha de S.Paulo e seu instituto, o Datafolha, para beneficiar a candidatura de José Serra. É a segunda vez que ocupo a tribuna da Câmara para alertar sobre o risco de uma manipulação do processo eleitoral brasileiro. No próximo fim de semana vem mais uma pesquisa Datafolha sobre a disputa à Presidência e não podemos permitir que enganem a população. Infelizmente, até agora tenho estado quase sozinho no cumprimento desse dever”.
2.3) Além das pesquisas manipuladas, a direita política, apavorada, se agarra às denúncias ao Tribunal Superior Eleitoral. Querem vencer no tapetão, já que não oferecem qualquer proposta decente para o Brasil. Um de seus mais nobres representantes, o senador Demóstenes Torres, declarou outro dia ao Globo que Lula deveria ser proibido de ir a público fazer campanha política. É a apoteose do desespero.
2.4) Enquanto isso, Marina patina com sua pauta ambiental. E o PSOL não consegue emplacar a pré-candidatura de Plínio, que tem toda uma avenida à esquerda pela frente.
3) Do blog do Altamiro Borges: “A Agência Câmara noticiou nesta semana que a Polícia Federal ouviu os depoimentos de três ex-diretores do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), entidade vinculada aos ruralistas, suspeitos de fraudes em licitações que causaram rombo de R$ 10 milhões aos cofres públicos. A mídia hegemônica, que clamou pela instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) contra o MST, simplesmente evitou tratar do assunto. Ela faz alarde contra as entidades ligadas à reforma agrária, mas silencia totalmente sobre as falcatruas dos barões do agronegócio”. Endereço do blog: http://altamiroborges.blogspot.com.

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