Sobre mídia e política

0,5) o Núcleo de Terras e Habitação da Defensoria Pública oficiou, nesta terça-feira (11), à Subprocuradoria de Direitos Humanos e Terceiro Setor do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro pedido de intervenção no caso da ESCOLA MUNICIPAL ABELARDO BARBOSA CHACRINHA, que fica na Rocinha, ameaçada de demolição pela prefeitura sob o pretexto de risco iminente de deslizamento de encosta. O ofício da Defensoria, acompanhada de laudo assinado por engenheiro, contesta a versão oficial e garante que não há risco imediato. A Defensoria também criticou o jornal O Globo: “Os moradores da Vila Laboriaux estão revoltados com notícias caluniosas veiculadas na imprensa, mais precisamente no jornal O GLOBO de sábado, 08 de maio de 2010, que indica a vinculação da luta dos moradores pela permanência da Escola com traficantes locais, sendo certo que as mães dos alunos da escola e os moradores é que impediram a tentativa de demolição da escola”, diz o ofício.
1) Sinais das ruas: em La Paz, 2009, um muro próximo à Plaza España exclama: “Acorda! É hora de sonhar”. Em Brasília, 2010, um ônibus da linha 16, que liga a Asa Norte à Esplanada dos Ministérios, carrega num banco a inscrição, feita à caneta: “A mídia é uma máfia”.
2) As corporações de mídia divulgaram, com ares de espanto, que policiais deixaram um bandido fugir, no Rio de Janeiro. As imagens foram repetidas ad infinitum, de modo a culpar os policiais por deixar fugir o pé de chinelo. Queriam o quê? Que os caras atirassem para matar? Que sentassem o dedo com a rua cheia de gente?
3) Aconteceu numa cidade latino-americana. João nasceu e foi criado num condomínio de gente rica, desses que tem tudo: escola, igreja, mercado, clube, shopping, cinema. João não conheceu a desigualdade social e não conviveu com a diversidade cultural que marca sua cidade. Na sua opinião os pobres são um estorvo. As favelas, antros de marginais. Um dia, João virou prefeito dessa cidade e passou a administrá-la de acordo com suas convicções. Teve o apoio das corporações de mídia e dos empreiteiros. Aqueles convencem a população de que os pobres não são humanos, enquanto estes lucram com choques de ordem e despejos violentos. O sonho de João é transformar a cidade toda num grande condomínio, onde todos os seres considerados humanos são felizes.
4) Eleições: erra, e erra feio, quem considera Serra e Dilma a mesma coisa. Serra representa o projeto demotucano, todo o receituário neoliberal, Estado mínimo, alinhamento automático da política externa aos EUA, centralização das verbas publicitárias nas corporações de mídia, violência e criminalização contra pobres e movimentos sociais. Dilma representa o Estado indutor da economia, política externa multilateral, descentralização das verbas publicitárias e negociação com os movimentos sociais. Entre outras diferenças, como por exemplo o crescimento econômico (na era Lula o PIB teve média duas vezes maior que na era FHC). O governo Lula pode não ter avançado tanto quanto nós gostaríamos, mas daí a dizer que Serra e Dilma dão no mesmo é fazer o jogo da direita. É nivelar por baixo. A esquerda pode e deve apresentar uma plataforma programática para essas eleições. Alguns itens que considero fundamentais: Democratização dos Meios de Comunicação; Reforma Agrária; Imposto sobre Grandes Fortunas; Lei de Remessa de Lucros; Erradicação do Analfabetismo; Políticas de combate ao racismo, ao preconceito de gênero e à homofobia. Levantar essas bandeiras é a melhor forma de elevar o nível do debate e conscientizar a população.
5) Vocação de berço: Adriane Galisteu, num programa de televisão, afirmou: “Quando eu era criança meu sonho era ser caixa de supermercado. É porque eu pensava que aquele dinheiro era todo dela”.
6) Alguém já disse que o Brasil não vai dar certo enquanto pagar mil reais para um professor e 25 mil para um juiz. Vou complementar: e 100 mil para um leitor de teleprompter.
7) Aviso aos anti-flamenguistas: não comemorem antes do tempo.

5 comentários sobre “Sobre mídia e política”

  1. Sobre o item 3 do Marcelo: é a utopia nazista que está configurada no filme “Metrópolis” (1927 – filme preferido de Hitler), do Fritz Lang (1890-1976). Vale a pena conferir.
    Como boa referência do que estamos vivenciando de apartação social vale também assistir do mesmo autor, Fritz Lang: “M – O vampiro de Düsseldorf”. É importante observar o papel importante que tem o radialista na mobilização do terror coletivo e estigmatização generalizada.

  2. querido amigo, q tem um grave defeito, expresso no item 7 mas pela bela escrita dos outros itens, vou deixar para tratar disso na semana q vem.
    mas independente do resultado, acho que o futebol brasileiro precisa de uma reflexão séria. a convocação do dunga, menosprezando os apelos dos brasileiros por jogadores mais eficientes e sua declaração tosca de nao poder opinar sobre a escravidão, se era boa ou ruim, pq nao viveu, foi demais. mais chocante até que aquela seleção convocada. vou pensar sobre isso e me proponho a escrever sobre futebol, vc topa?
    para acabar: acho que o brasil nao vai dar certo enquanto jogador de futebol ganhar rios e rios de dinheiro e professor, policial e médico (do sistema público) ganhar pouco. nunca vai dar certo assim..

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