Sindicatos de classe e alternativos buscam unidade para enfrentar os ataques aos trabalhadores espanhóis

Teve lugar, neste sábado, 8 de setembro, na sede do Sindicato dos Ferroviários, em Madri, na Espanha, uma importante reunião do chamado “sindicalismo de classe e alternativo” do Estado espanhol.

Os membros da Secretaria Executiva Nacional da CSP Conlutas, Dirceu Travesso, o Didi, e Sebastião Carlos Pereira, Cacau, que se encontram na Europa realizando reuniões preparatórias do encontro internacional acontecerá em Paris, entre março e abril de 2013, participaram da reunião e compareceram a manifestações e outras atividades das lutas dos trabalhadores.

A reunião contou com uma grande representatividade, com dirigentes de organizações sindicais de Madri, Aragón, Catalunya, Andalucía, Canárias, dentre outras regiões.

Entre as organizações representadas estavam a CGT, Confederação Intersindical, CNT, CSI de Astúrias, Intersindical de Catalunya, Aragon e Canárias, Solidaridad Obrera, COBAS e Coordenadora Sindical de Madrid.

São organizações de distintas origens, que buscam construir ações comuns diante dos ataques do governo espanhol e da Troika (FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia) e que compõem um campo alternativo, por fora das duas organizações sindicais majoritárias (UGT e Comissiones Obreras) no movimento sindical da Espanha.

Somadas, tem uma localização importante em diversos setores da classe trabalhadora espanhola, em particular nos setores de transportes e serviços públicos, além de presença em setores operários como a mineração e metalurgia, serviços e comércio.

A construção da unidade de ação é um elemento crucial na realidade espanhola, pois há uma diversidade de lutas ocorrendo, em vários setores do movimento operário e sindical, da juventude e organizações populares, envolvendo greves de trabalhadores do setor público e privado, mas não existe uma política de unificação das mobilizações pelas organizações majoritárias (UGT e CCOO).

Movimentos como o 15-M e outros também tem um papel destacado, mas não são suficientemente fortes para galvanizar e ordenar as mobilizações, dirigindo-as contra o governo, a patronal e a Troika.

A política das direções das centrais sindicais majoritárias tem sido a de apostar nas negociações com o governo e na construção de uma saída pactuada, a qual os setores combativos criticam como sendo de “concertacion” ou pacto social.

Por todas essas razões, a reunião de Madri teve uma enorme importância.

O Manifesto aprovado arranca da denúncia da deterioração das condições de vida dos trabalhadores espanhóis e das políticas impulsionadas pelo governo Rajoy, do PP, tendo como eixo o não pagamento da dívida pública.

Apresenta uma plataforma de exigências que inclui a revogação de todos os decretos que atacam os direitos dos trabalhadores e se pronuncia contra as privatizações e em defesa dos serviços públicos.

O Manifesto ainda se coloca a serviço das lutas em curso, declarando seu apoio aos mineiros, aos trabalhadores dos transportes – que tem uma jornada de paralisação no dia 17 de setembro -, aos trabalhadores do campo em Andaluzia e aos trabalhadores do País Basco. No País Basco, a LAB (Central Sindical Basca), junto com outras organizações convoca uma Greve Geral para o próximo dia 26.

Por acordo entre a maioria das organizações a reunião decidiu convocar o dia 26, como dia Nacional de Luta em todo o estado espanhol, com a realização de assembleias, manifestações, paralisações. Além disso chama a que se realizem assembléias de base que discutam e se manifestem sobre a necessidade de convocação de uma nova greve geral.

Uma reunião para avaliar o movimento e discutir a continuidade ficou agendada para o dia 6 de outubro, na cidade de Córdoba, região de Andaluzia.

Manifestação em apoio aos trabalhadores de Andaluzia

Ainda no domingo, dia 9 de setembro, ocorreu uma manifestação, com marcha e comício de encerramento, que percorreu algumas das principais ruas do centro da cidade de Madri, em apoio aos trabalhadores do campo de Andaluzia.

Os chamados “jornaleros” são assalariados rurais que trabalham por jornada, com contratos precários. E estão sofrendo um brutal ataque dos proprietários de terras e autoridades governamentais, que tentam expulsar esses assalariados das terras.

Os membros da CSP Conlutas estiveram presentes durante toda a manifestação, que foi convocada por um amplo leque de organizações sindicais e políticas da Espanha.

Fonte: CSP

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