Rumo

Escrevo não apenas por uma necessidade interior de me expressar e partilhar

Mas também pelo prazer de prosseguir um projeto

Sempre acreditei e continuo a acreditar na construção coletiva

Ninguém se faz nem se liberta sozinho ou sozinha

Nos dias de hoje estamos às voltas com mecanismos de dominação refinadíssimos

Imprescindível nos mantermos alertas e ativos, ativas

Não deixar com que a vida vai embora

Nos adentrarmos na realidade pela poesia

Deixar de lado tudo que nos separa e isola

Avançar pela luz que nos guia, que guia e sustenta o universo

Gosto de falar em primeira pessoa

Não gosto da impessoalidade

Cada palavra que pronuncio me contém

Sou o que digo

Celebro que o país que me acolheu e onde me enraizei

Esteja a se levantar e a florescer novamente

Dissipando as trevas e a confusão que lhe meteram

Olho para a minha trajetória e vejo

Cada passo dado valeu a pena e continua a valer muito a pena.

Não perdi o rumo.

2 comentários sobre “Rumo”

  1. Os poemas de Rolando Lazarte exalam força, vida, resistência, como navalha cortando as veias do fascismo. Como diria Vladimir Maiakóvski, “As ameaças e as guerras havemos de atravessá-las, rompê-las ao meio, cortando-as como uma quilha corta as ondas”.
    Fazem-me lembrar um diálogo de um casal em uma charge que vi outro dia na Internet: “E agora, o que faremos?” a que o outro responde: “Poesia, esses canalhas não suportam poesia”.

    1. O seu comentário me repõe na sensação de que o combate ao que nos defronta, quer sejam situações internas, próximas ou estruturais, têm na poesia um recurso potente e eficiente. Lembro de algo que Vivian Mosé disse certa vez: “os poemas são pedras dissolvidas.”

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