Escrevo não apenas por uma necessidade interior de me expressar e partilhar
Mas também pelo prazer de prosseguir um projeto
Sempre acreditei e continuo a acreditar na construção coletiva
Ninguém se faz nem se liberta sozinho ou sozinha
Nos dias de hoje estamos às voltas com mecanismos de dominação refinadíssimos
Imprescindível nos mantermos alertas e ativos, ativas
Não deixar com que a vida vai embora
Nos adentrarmos na realidade pela poesia
Deixar de lado tudo que nos separa e isola
Avançar pela luz que nos guia, que guia e sustenta o universo
Gosto de falar em primeira pessoa
Não gosto da impessoalidade
Cada palavra que pronuncio me contém
Sou o que digo
Celebro que o país que me acolheu e onde me enraizei
Esteja a se levantar e a florescer novamente
Dissipando as trevas e a confusão que lhe meteram
Olho para a minha trajetória e vejo
Cada passo dado valeu a pena e continua a valer muito a pena.
Não perdi o rumo.

Sociólogo, Terapeuta Comunitário, escritor. Vários dos meus livros estão disponíveis on line gratuitamente: https://consciencia.net/mis-libros-on-line-meus-livros/

Os poemas de Rolando Lazarte exalam força, vida, resistência, como navalha cortando as veias do fascismo. Como diria Vladimir Maiakóvski, “As ameaças e as guerras havemos de atravessá-las, rompê-las ao meio, cortando-as como uma quilha corta as ondas”.
Fazem-me lembrar um diálogo de um casal em uma charge que vi outro dia na Internet: “E agora, o que faremos?” a que o outro responde: “Poesia, esses canalhas não suportam poesia”.
O seu comentário me repõe na sensação de que o combate ao que nos defronta, quer sejam situações internas, próximas ou estruturais, têm na poesia um recurso potente e eficiente. Lembro de algo que Vivian Mosé disse certa vez: “os poemas são pedras dissolvidas.”