Rita Von Hunty e o golpe zumbi

Por Gustavo Conde

E la nave va. Enquanto um misto de confusão, oportunismo, pirraça, egoísmo e delinquência toma conta de TODOS os setores da sociedade brasileira, arquiteturas de golpe morrem e ressuscitam com a velocidade de uma série de quinta categoria da Netflix.

As mídias dependente e independente entram na dança. Na falta de um debate público digno do nome, habitamos a planície árida da proliferação de teses, estratégias raiz, teorias da conspiração, cancelamentos e descancelamentos.

O episódio Rita Von Hunty é emblemático. Uma esquerda deslumbrada, carente e fim de carreira elegeu a drag como a síntese mais bem acabada da inteligência sexualmente sedutora. A estrela imediatamente virou um produto de grife no mercado neoliberal, que a capturou como quem esmaga um inseto.

Posto avançado do ultraliberalismo travestido de marxismo revolucionário, o tempero drag levou esquerdistas ao êxtase, com as simplificações teóricas que desfilavam impávidas e descontraídas nas pílulas didáticas esparramadas nas redes. Como um simulacro dos disputados bonés do MST, até Paulo Freire entrou na valsa “queen”: tudo embalado e devidamente perfumado como um sabonete orgânico unissex.

Fonte: Brasil 247

(13/05/2022)

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